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Esse filme é um tapa na cara. Joosep, o garoto franzino que apanha mais que puta e saco de pancada, e Kaspar, o cara que começa como capacho dos valentões, são o centro de uma história que escancara o pior do homem: submissão, fraqueza e covardia. E o filme não poupa ninguém, nem os personagens, nem o público.
A submissão é o veneno que corre nas veias de quase todos ali. Joosep engole humilhações diárias sem parar: ser agredido, empurrado, ridicularizado, despido em público, entre outras, sem nunca levantar a cabeça. É o retrato de quem se deixa esmagar, não só por falta de força física, mas por uma rendição mental que grita “covarde e perdedor”. Kaspar, por outro lado, começa submetido à hierarquia dos "machos alfa" da escola, seguindo o líder Anders como um cãozinho treinado. Ele sabe que o que fazem com Joosep é errado, mas abaixa a cabeça pra não virar alvo. Essa submissão aos outros, à pressão do grupo, é pintada como o defeito que estraga qualquer integridade ou qualquer questão de "honra".
A fraqueza não vem sozinha. Joosep é fraco não apenas porque não revida com socos, mas porque não encontra em si mesmo nenhuma mísera faísca de resistência. Ele internaliza a humilhação, como se merecesse o rótulo de vítima. Kaspar, mesmo quando começa a se rebelar contra o bullying, hesita, titubeia, e sua fraqueza moral é exposta em cada olhar de dúvida. Ele quer fazer o certo, mas falta culhão e bolas pra peitar o sistema de verdade. O filme joga na nossa cara que a fraqueza não é só física, mas também é a incapacidade de se posicionar quando o mundo te pressiona a ficar quieto.
E a covardia? Essa é a cereja do bolo podre. Anders, o líder dos valentões, é um covardão que só anda em bando, atacando Joosep pra inflar o próprio ego e cometer mais travessuras. Mas o verdadeiro chute no estômago é ver os outros personagens, colegas, professores e pais, que escolheram a covardia de virar o rosto. Aqui ninguém intervém, ninguém confronta. A escola inteira é cúmplice por omissão, e o filme não deixa você esquecer que covardia é o que perpetua a violência. Até Kaspar, que eventualmente tenta ajudar Joosep, demora demais pra agir, preso no medo de ser o próximo na mira.
O filme não é sutil, e nem precisa ser. A direção é crua, e as atuações dos jovens atores são tão naturais que convencem. Além da boa trilha sonora minimalista que só amplifica o desconforto. O filme brilha ao mostrar como submissão, fraqueza e covardia não são defeitos isolados, mas engrenagens de uma máquina que tritura quem não se encaixa.
Mas Klass não é perfeito. Apesar de baseado em fatos reais que acontecem todo dia em todas as partes do mundo, a narrativa às vezes pesa a mão no sofrimento, como se quisesse esfregar a tragédia na sua cara até você implorar por alívio. Os personagens secundários, como os pais ou professores, são pouco explorados, servindo mais como pano de fundo pra reforçar a mensagem. Mas o impacto está lá, e forte. O filme poderia ter ido além, mas mesmo assim entrega um retrato incômodo de como a submissão, a fraqueza e a covardia, tanto individual quanto coletiva, destroem tudo ao redor e onde ninguém sai ileso.
É mais um found footage que tenta assustar com a fórmula batida de "pessoas investigando um lugar assombrado".
A atmosfera do hospital psiquiátrico abandonado é muito boa e muito bem construída, com sombras e rangidos que entregam o clima, e o elenco até vende bem os sustos, mesmo que muitas vezes exagerem tanto que parece que estão competindo pra ver quem grita mais alto.
A trama demora um pouco pra engrenar, mas quando engrena é bem divertido e satisfatório, e gostei bastante. Os sustos são decentes, mas nada que um consumidor de terror não tenha visto mil vezes antes. No lado positivo, a variedade de câmeras e equipamentos dá uma dinâmica legal aos ângulos, e a produção é bastante caprichada pra um found footage.
No geral esse filme não traz nada de novo, mas diverte bastante se você gostar de found footage ou de lugares assombrados.
Basicamente, a história é sobre um perdedor que quer que sua waifu imagine que ele é o que não é: um vencedor. Mentira, é pior do que isso.
Se você curte filmes artísticos que no fim te faz ficar se perguntando “que caralhos eu acabei de assistir?" e que te obrigam a passar as próximas duas horas pesquisando no Google pra entender o que aconteceu, então esse é o filme perfeito pra você!
No lado positivo, a cinematografia foi muito boa. Até dá pra admitir que as imagens são bonitas o bastante pra quase enganar você a pensar que o filme tem algum propósito além de confundir. Mas a partir da segunda metade, já dá pra perceber que isso seria uma obra que não explica absolutamente nada, tipo, zero, nem de resolução ou de sentido.
A maioria das resenhas e comentários por aí diz que ler o livro no qual o filme é baseado ajuda a entender a trama e etc, mas sério, se um filme te força a ler o livro pra entender o que tá acontecendo, então ele foi mal feito pra caralho, um fracasso monumental que tirando o fator "artístico" não tem mais nada de substância. Mas parece que fazer um filme que se sustente sozinho deve ser loucura na cabeça dessas pessoas.
As atuações foram ótimas e todo mundo que apareceu entregou performances impecáveis, cada um carregando suas cenas com uma intensidade que quase compensa a bagunça da trama. Mas, como entretenimento, esse filme é um lixo completo, um desperdício de tempo pra quem esperava algo que pelo menos fizesse sentido ou emocionasse sem precisar de um PhD pra ‘decifrar’ a mensagem aqui.