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Da mesma roteirista de My Mister e Meu Diário Para a Liberdade, A Gente Tenta é um kdrama que trabalha a fragilidade por trás de duas coisas horríveis: o fracasso e a inveja.
Hwang Dong-Man é, como todos os protagonistas masculinos da roteirista, um homem problemático e com muitas camadas. Por fora ele é barulhento, infantil e invejoso. Para ser sincero o primeiro episódio eu quase abandonei a obra pela chatice dele. Mas foi a última cena do primeiro episódio que me ganhou. Não vou entrar em detalhes, mas aquele é o momento em que vemos a máscara dele caindo e podemos ver alguém com muita fragilidade e vulnerabilidade.
A forma como esse ator (Ko Gyo Hwan) consegue mostrar essa dualidade entre um cara que você fica em dúvida se dá um soco na cara de tão chato que ele é... ou se abraça por quão vazio e miserável ele pode ser é genial.
A obra trabalha ele superando essa sensação de vazio ao lado da mocinha que igualmente se sente assim. Os dois juntos são a coisa mais preciosa, duas pessoas vazias e machucadas se curando.
Se vou colocar defeito em algo seria o final. Não o conteúdo dele, pois até gostei. Mas o Kdrama anda num ritmo tão agradável até o episódio 10 e nos dois últimos simplesmente MUITA coisa acontece em muito pouco tempo. E não é por falta de orçamento, pois eles tem cenas muito bem produzidas nessa obra. Portanto, foi ótimo, mas não perfeito.
O filme por bem ou por mal foi feito por pessoas que amam muito o Michael. A dedicação para recriar as músicas, mostrar inspirações e bastidores delas passa muita paixão mesmo.
No entanto.... esse "amor" bloqueou qualquer possibilidade de dramtização real da vida dele. Nenhum tema polêmico, nenhum trauma, nenhum drama nessa história é abordado de forma madura e realmente tocante.
A nostalgia funciona.
Mas o foco do filme era claramente o público infantil e não os adultos que cresceram com suas obras, como eu.
Ironicamente o filme me cativou pela nostalgia, mas eu queria um pouco mais da realidade dura e crua que ele precisou enfrentar. Mas, ok