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🥷 Dezessete Ninjas 2 – A Grande Batalha (1966) — Resenha
Em um grande esforço conjunto de estrelas da Toei, Hiroki Matsukata, Ryutaro Otomo e Jushiro Konoe se unem para criar uma emocionante sequência em preto e branco da clássica história dos 17 Ninjas, uma das obras mais marcantes desse lendário estúdio japonês.
Passado em 1651, o filme acompanha a conspiração do clã Kishu, que prepara uma rebelião contra o xogunato Tokugawa utilizando um estoque de mosquetes guardado pelo líder dos ninjas Koga, Jinza. Para impedir a revolta, os ninjas Iga, liderados por Hattori Hanzo, entram em uma guerra silenciosa de espionagem e sacrifício — um confronto de honra, estratégia e destino nas sombras.
Mas o que torna este filme verdadeiramente marcante é sua dimensão humana e trágica. Além do romance proibido entre Shizaburo e Yuka, que desafiam o rígido código ninja na tentativa de escapar de um destino pré-determinado, a obra apresenta a dolorosa trajetória da kunoichi Iga Kozaru, que carrega em silêncio um amor profundo por Izaburo.
Submetida a abusos e humilhações por parte de membros do clã inimigo, Kozaru enfrenta sofrimento extremo, mas permanece fiel à sua missão. Mesmo ferida e à beira da morte, ela consegue transmitir a Hanzo a localização do arsenal de mosquetes e pólvora, cumprindo seu dever até o último instante. Sua despedida — marcada pela frase:
“Shinzaburo… eu fui feliz.”
— é um dos momentos mais impactantes e inesquecíveis do filme, revelando a força emocional de uma personagem que, apesar de tudo, escolhe dar sentido ao próprio sacrifício.
A tragédia se aprofunda ainda mais quando Izaburo, sem saber a verdade, acaba enfrentando e matando o próprio pai Koga — um destino cruel que reforça o tema central da obra: ninjas transformados em peças descartáveis de um jogo político manipulador, onde a lealdade é explorada e duas tradições são conduzidas à autodestruição.
Com fotografia expressionista, atmosfera noir e direção precisa de Motohiro Torii, Dezessete Ninjas 2 transcende o gênero de ação histórica ao explorar temas de amor impossível, identidade e fatalismo. Um filme intenso, humano e profundamente trágico — daqueles que permanecem na memória muito depois do final.
Uma obra poderosa e indispensável para quem aprecia cinema japonês clássico.
Dezessete Ninjas (1963) – Jūshichinin no Ninja
Com uma fascinante mistura de relatos históricos factuais e elementos ficcionais, 17 Ninjas é um entretenimento envolvente e maduro, não recomendado para crianças. Trata-se de um drama de ação impressionante e intenso. O filme foi um lançamento inspirado dos estúdios Toei, que buscavam capitalizar o grande sucesso dos excelentes Shinobi no Mono (1962–63), do estúdio rival Daiei.
O diretor Yasuto Hasegawa constrói uma narrativa sofisticada, adotando uma abordagem racional e realista para os lendários guerreiros das sombras do Japão medieval. Produção multifacetada e repleta de estrelas, 17 Ninjas acompanha a história dos ninjas do clã Iga, enviados para se infiltrar em uma fortaleza impenetrável. No entanto, antes mesmo de alcançarem os muros do castelo, percebem que cada movimento é frustrado por um implacável caçador de ninjas.
Aqui, os ninjas são retratados como instrumentos de espionagem descartáveis — agentes secretos devotados ao dever, prontos para servir e sacrificar suas vidas nas sombras. O filme se destaca pelo uso expressivo de interiores pouco iluminados e pelo domínio excepcional das sombras. A cinematografia em preto e branco é notável, criando um mundo atmosférico de suspense, intriga e escuridão.
Com enquadramentos precisos e composição visual rigorosa, pode-se afirmar que Jūshichinin no Ninja é um verdadeiro Ninja Noir. Trata-se de uma envolvente e sombria história melodramática, um jogo sangrento de manipulação humana e intriga política, no qual se desenrola uma luta desesperada e intensa pela sobrevivência.
Altamente divertido. Altamente recomendado.
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O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!
Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)
Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
Boa sorte! :)
* Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/
Estou curtindo bastante suas postagens no making off! Muito obrigado mesmo! Abraço.
OBS: Como faço para ver todos os filmes postados por vc lá?
http://filmow.com/beyond-the-game-t94970/ Dá uma olhada :)
Quanto mais assisto a Adauchi (1964), mais tenho a sensação de que a chamada “loucura” do protagonista acaba sendo assumida como forma de sobrevivência. Não apenas uma punição imposta pelo Conselho, mas uma condição aceita — quase internalizada — como o único caminho possível dentro de um sistema que já decidiu sacrificá-lo em nome da aparência da ordem.
O duelo, apesar de oficialmente tratado como um conflito entre iguais, nasce para mim como algo muito mais mesquinho: um desaforo cometido por um político, um homem do poder que se permite menosprezar o trabalho de alguém de casta inferior. O insulto ganha ainda mais peso por acontecer justamente no único dia em que a “ralé” poderia ser tratada de igual para igual, uma concessão simbólica que o poder não tolera ver levada a sério.
A partir daí, o filme deixa claro que a honra nunca foi o ponto central. O que está em jogo é a necessidade de reafirmar hierarquia. Quando o inferior ousa reagir — e vence — a estrutura inteira entra em pânico. A solução encontrada não é justiça, mas controle: neutralizar o sobrevivente, esvaziar o sentido do duelo e preservar a narrativa conveniente.
Revendo o filme, percebo que Adauchi não fala apenas de vingança, mas de humilhação institucionalizada. A violência final não surge como catarse, mas como consequência inevitável de um sistema que prefere chamar de loucura tudo aquilo que ameaça sua estabilidade.
É um filme que cresce a cada revisão. Quanto mais silencioso ele parece, mais cruel se revela.