Últimas opiniões enviadas
Só as viúva do mesmo filme de nave escura que já vimos 70000 vezes
Uma obra cinematográfica impactante
SPOILER DO FINAL ABAIXO.
A audácia de 'Memórias de um Assassino' reside em sua corajosa narrativa: um filme de investigação que não apresenta a resolução do crime, espelhando a dolorosa realidade de um caso que permaneceria sem solução por muitos anos. Um excelente suspense com profundo mergulho na história e na sociedade sul-coreana do período. A obra retrata uma democracia incipiente, cujas forças policiais ainda ecoavam as práticas autoritárias do regime ditatorial anterior — um paralelo instigante com a realidade brasileira da mesma época. O cenário rural, pobre e esquecido, serve de pano de fundo para expor a gritante vulnerabilidade material e social das mulheres. Além disso, o filme mergulha com sensibilidade nas complexas subjetividades dos investigadores, homens que dedicaram suas vidas a uma caçada infrutífera, convivendo com a angústia da ausência de respostas. Os tons pastéis e cinzentos acentua a melancolia opressiva que paira sobre as mortes e sobre essa história que permaneceu 'engasgada' por tanto tempo. Ao mesmo tempo, essa estética visual serve como um espelho que reflete visceralmente os sinais e as tensões da sociedade sul-coreana daquele momento.
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Últimos recados
O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!
Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)
Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
Boa sorte! :)
* Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/
Confesso que o filme me pegou desprevenido. É difícil assistir sem se sentir tocado, questionado e até desconfortável. Diferente de "CODA", focado na família, aqui existe a relação professor-aluna surda-cega e os limites do ensino formal/informal.
Como prof. pensei bastante sobre Sahai. Ele não é o educador gentil que idealizamos: é duro, invasivo, quase violento... e isso me incomoda e fascina. Quando Sahai joga água em Michelle, forçando-a a reagir, penso: isso seria aceitável hoje? Provavelmente não, mas funcionou e naquele caso foi efetivo. Ele precisou entrar no mundo dela; Michelle desperta, saindo de um universo de mimo sufocante para a realidade. Será que educar não é também desafiar e provocar? Não existe um manual para o ensino regular de pessoas tipicas, quem dirá de cego-surdos. Que manual ensinaria aquilo que Sahai fez? Que argumento justifica aquela garra e fé naquela aluna?
Quando Michelle se torna o apoio de Sahai, já perdido no alzheimer, senti um nó na garganta. É uma realidade dura, mas ali está a essência: a educação é circular. O professor que transforma é transformado. O aluno que aprende se torna mestre. Michelle quer devolver o favor que lhe deu a dignidade de existir.
As atuações são bem novelescas, mas não acho que estraguem o filme, muito menos a mensagem. O tom cristão é visível, mas sutil e poético; não é um filme sobre Cristo, mas certamente é sobre fé. Enfim, é uma obra de reflexão com perguntas e nem tantas respostas, o que é bom também. Um ensino provocativo também se baseia numa realidade provocativa.