Thiago Silva
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Juiz de Fora - (🇧🇷 BRA)
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Últimas opiniões enviadas

Thiago Silva
½
17 horas atrás

Às vezes me canso de ouvir, e até de dizer, que um filme poderia ter sido isso ou aquilo. Afinal, se a gente for avaliar uma obra apenas pelo que gostaria que ela tivesse sido, praticamente nenhuma vai escapar. Então, deixando de lado as minhas expectativas e olhando para o que o filme realmente entrega, achei uma aventura familiar água com açúcar, daquelas que passariam na Sessão da Tarde antigamente.
O que realmente me incomodou foi o tom. Tem momentos em que o filme se leva a sério demais e outros em que cai completamente na galhofa. Certas vezes parecia que os acontecimentos foram decididos no dado e depois encaixados à força para que tudo desse convenientemente certo.
A ideia central é sensacional e a produção tem seus méritos. Os atores convencem, os efeitos funcionam muito bem e gostei bastante dos dinossauros com uma aparência mais realista. Apesar de não transmitirem todo o peso que eu esperava, tanto a interação deles com os humanos quanto entre si ficou ótima. Em alguns momentos, o filme até me lembrou aquelas aventuras que misturam o cotidiano com o extraordinário, como Jurassic Park e Jumanji, embora esteja longe de alcançar o impacto desses clássicos.
Considerando tudo fiquei com a sensação de ter assistido a uma aventura familiar bastante genérica construída em cima de uma ideia muito interessante. E olha eu aqui, de novo, pensando no que o filme poderia ter sido.

Thiago Silva
½
1 semana atrás

Um ótimo found footage que mistura muito bem o formato com uma pegada de falso documentário investigativo. A personagem principal é muito cativante e, mesmo quando toma decisões não exatamente inteligentes, elas parecem naturais porque ela foi bem construída. Não tive aquela sensação comum no gênero de que o personagem está fazendo alguma idiotice apenas porque o roteiro precisa que ele faça. Os outros personagens também conseguem transmitir bastante, mesmo aparecendo pouco. Dá para sentir o peso das histórias, das personalidades e das relações entre eles, o que ajuda muito a dar veracidade ao formato. O final não vem mastigadinho e gostei disso. O filme terminou, mas ficou na minha cabeça, então fui atrás de outras interpretações para ver se algumas das explicações que imaginei faziam sentido. E existem várias pistas espalhadas pelo filme que tornam algumas particularmente interessantes (no spoiler).

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

A explicação que mais me convenceu é que talvez não houvesse nada necessariamente sobrenatural na casa. Edward, o filho cujo corpo nunca foi encontrado, teria sido o responsável pelo massacre da própria família e continuado vivendo escondido ali durante todos aqueles anos.

Algumas das principais pistas aparecem nas entrevistas. A tia comenta que Edward (a criança menor), era uma criança problemática e fica claramente desconfortável quando fala sobre ele. Isso pode sugerir que havia comportamentos perturbadores que, olhando em retrospecto, talvez fossem sinais de algo muito mais sério.

Já a prima de Joseph (o pa) fala sobre como ele era paranoico, estranho e obcecado com a possibilidade de uma guerra nuclear. Esse detalhe parece bastante importante considerando que a família morreu em 1986, ainda durante a Guerra Fria. A teoria é que Joseph poderia ter construído um abrigo nuclear escondido sob a casa. Isso explicaria os barulhos recorrentes de batidas e arranhões e até a possibilidade de Edward se movimentar pela propriedade sem ser visto.

As evidências da cena do crime talvez sejam ainda mais fortes. Edward foi o único membro da família cujo corpo nunca apareceu e também é o único nome ausente da lista de vítimas encontrada na casa. A ideia seria que ele matou a própria família, amputou o braço para forjar a própria morte e passou décadas escondido naquele abrigo.

Isso também ajuda a explicar vários detalhes menores. As roupas femininas encontradas na casa, principalmente os vestidos de Rebecca, poderiam ser simplesmente o que restou para ele usar. Algumas inclusive estavam faltando dos cabides. Os alimentos abertos também poderiam indicar que alguém ainda vivia ali. Como a ideia é um abrigo nuclear, com certeza existiam alimentos para muitos anos lá. E, no final, quando Leah é arrastada para longe do carro, é possível ouvir algo parecido com uma porta de porão ou abrigo sendo aberta e fechada enquanto ela pergunta para onde está sendo levada.

Então minha leitura principal é basicamente essa: Edward já apresentava comportamentos perturbadores, matou a família, simulou a própria morte e passou todos aqueles anos escondido no abrigo construído pelo pai, matando quem se aproximava demais da verdade.

Mas ainda dentro dessa mesma explicação existe espaço para algo sobrenatural. Nada explica completamente a fixação do pai com aquela figura nem a possibilidade de ele realmente conseguir ver o futuro. Talvez ele de fato tivesse essa capacidade, mas tenha interpretado suas visões de forma equivocada e acabado criando um paradoxo: ao tentar evitar aquilo que viu, construiu justamente as condições para que aquela figura, que no futuro seria o próprio filho, viesse a existir.

Também existe a possibilidade de a figura ser uma assombração real e, de alguma forma, ter se apossado de Edward, fazendo com que todo o restante da teoria continuasse válido. Talvez até essas interpretações não sejam excludentes e possam coexistir.

Não sei se alguma dessas é necessariamente a explicação “correta”, mas é justamente isso que torna o final tão interessante. O filme abre espaço para diferentes leituras, mas não de maneira completamente aleatória. Existem pistas que permitem sustentar cada interpretação. É muito bom quando um filme deixa margem para discussão sem simplesmente abandonar o espectador diante de um final inexplicável.

Thiago Silva
1 semana atrás

Para um found footage todo passado em uma tela de computador, não é de todo ruim. Em vários momentos, a interação entre os personagens parece natural e ajuda bastante na imersão, dando a sensação de que estamos realmente acompanhando uma conversa entre duas pessoas. O problema é que, conforme a história avança, começam a surgir situações cada vez mais absurdas que não foram muito bem construídas nem executadas. Aí a naturalidade inicial vai se perdendo e o filme começa a exigir um pouco mais de boa vontade. O roteiro é fraco e não desenvolve tão bem as próprias ideias, mas a proposta funciona o suficiente para manter alguma curiosidade mesmo que limitada por uma história que não consegue acompanhar a própria premissa.

  • Filmow 5 dias atrás

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