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É um found footage no estilo screenlife, ou seja, praticamente todo contado através de telas digitais. Dito isso, é um bom filme dentro da proposta. Com uma premissa bastante ousada e de escala global, ele consegue transmitir muito bem a sensação de que algo maior está acontecendo, mesmo limitando a narrativa a ambientes e personagens reduzidos. Em nenhum momento a ideia parece pequena ou artificial. Pelo contrário, o filme consegue dar uma boa noção do impacto mundial dos acontecimentos e fazer o espectador sentir essa escala. Só por conseguir executar algo ambicioso dentro das limitações do formato, já ganha muitos pontos comigo.
A atuação do protagonista também ajuda bastante a sustentar a narrativa. Já o restante do elenco varia entre o mediano e o fraco, algo relativamente comum nesse tipo de produção. Ainda assim, no conjunto da obra, achei um bom found footage, especialmente para quem gosta de filmes que tentam fazer mais do que o habitual dentro do gênero.
É um ótimo filme. Na maior parte do tempo, quando precisa, constrói muito bem a tensão e o medo. Não é um terror extremamente assustador, mas sabe mostrar o que precisa mostrar, o que o diferencia de muitos filmes taiwaneses do mesmo estilo, que costumam trabalhar mais com sugestão. Os efeitos também me agradaram bastante. Ele tem alguns problemas comuns em produções orientais, como trilha sonora, que às vezes quebra o clima que estava sendo construído ou parece destoar do que está acontecendo em cena. Felizmente, isso acontece pouco aqui.
Por se tratar de uma cultura diferente, quem não está acostumado a assistir filmes orientais talvez estranhe algumas situações ou considere certas premissas bobas ou exageradas. Mas, para quem já tem familiaridade com esse tipo de cinema, tudo faz sentido dentro do contexto cultural apresentado, e fica mais fácil sentir o peso dramático de situações que podem parecer inusitadas para um público ocidental. O final me marcou bem, por mostrar um tipo mais real de terror (no spoiler)
O filme trabalha um terror mais sobrenatural e simbólico, mas termina apresentando algo muito mais próximo da nossa realidade. O protagonista morre, mas continua existindo através de uma inteligência artificial criada por ele, acessível por meio de um jogo e realidade aumentada, quase como uma versão avançada de uma Alexa. Foi justamente essa ideia que me causou um medo mais concreto, porque parece muito mais plausível e próxima do futuro que estamos construindo do que qualquer elemento sobrenatural mostrado ao longo do filme.
No geral, é um folk horror que me trouxe uma experiência muito satisfatória. Aqui o terror vem da construção gradual de um sentimento de desconforto e inquietação, que me manteve envolvido do início ao fim, assim como aconteceu com Caveat (2020) e Oddity (2024) — do mesmo diretor e que considero igualmente ótimos. Senti falta de um pouco mais de coesão e ideias interessantes sobre a mitologia que poderiam ter sido exploradas com mais detalhe. Ainda assim, a execução fez toda a diferença. O protagonista é um personagem difícil de gostar, mas Adam Scott consegue transmitir o peso emocional que move a história. Gostei bastante.