Na minha opinião, é a melhor adaptação live-action em longa-metragem de Resident Evil até agora e uma das que melhor consegue capturar a atmosfera de alguns jogos da franquia. Ainda assim, não supera aquele curta live-action lançado recentemente para divulgar o novo jogo.
Gostei muito dos movimentos de câmera, que frequentemente simulam a perspectiva de primeira ou terceira pessoa de um videogame. É um detalhe simples, mas que ajuda bastante na imersão e reforça a sensação de estar dentro de um jogo de video game. Os efeitos também estão ótimos e funcionaram muito bem para mim, embora os sommeliers de efeitos especiais provavelmente encontrem bastante coisa para reclamar.
O que quase me tirou do filme foram as piadinhas. Ficaram bem no limite e acho que poderiam ter reduzido bastante. Não chegou a estragar a experiência, mas entendo perfeitamente quem se incomodou mais com isso. Também senti falta de um pouco mais de desenvolvimento da Umbrella, embora, dentro da proposta deste filme, não considere exatamente um defeito.
No geral, gostei bastante. Finalmente uma adaptação em longa-metragem que parece entender melhor o que torna Resident Evil tão interessante.
Não acho que seja melhor que o primeiro, mas acerta e erra em coisas diferentes. Aqui, o foco está muito mais na ação e na aventura, com um arco de herói mais evidente para o protagonista. Não que isso seja bom ou ruim, mas funciona dentro da proposta desse filme.
A trama política que tentaram construir é interessante, mas achei superficial e pouco desenvolvida. Dá para sentir que talvez seja uma preparação para algo futuro na franquia, caso haja outro filme. Até porque algumas coisas ficaram em aberto, apesar de os principais plots terem sido concluídos. Os personagens que retornam também parecem estar ali mais para justificar a continuidade com o anterior do que porque eram realmente necessários.
Aqui dá para sentir certa proteção do roteiro sobre alguns personagens, o que diminui um pouco a preocupação real com eles. Em compensação, as situações criam bem um clima de urgência e mantêm a tensão funcionando.
No geral, gostei bastante. É mais ação e aventura, e menos sobrevivência e drama. E o gatinho fez falta, então meio ponto a menos em relação ao primeiro, hehe.
Está longe de figurar entre os melhores filmes de apocalipse zumbi, mas ganha muitos pontos por outras coisas, principalmente pelo carisma do protagonista e do seu gatinho. Outra coisa de que gosto muito é que não sinto o protagonista protegido pelo roteiro. Existe um medo real pelo destino dele, do gato e dos outros personagens, porque o filme não transmite aquela segurança típica de que tudo vai ficar bem pelo simples poder do protagonismo. Essa sensação de incerteza aumenta bastante a tensão. O filme também constrói boas motivações para a história continuar e tem cenas de ação que funcionam bem. No geral, é uma produção sólida, envolvente e que sabe criar tensão sem depender só dos zumbis.
PS: Revi agora, me preparando para assistir ao segundo, e acho que gostei ainda mais desta vez.
Muito bom!!! É um terror que explora muito bem a estranheza pelo contraste, construindo o mistério em torno dos acontecimentos e dos personagens e mantendo uma tensão latente do início ao fim. Para mim, funcionou demais. O filme tem uma identidade muito própria e brinca o tempo todo com essa sensação de segurança sendo contaminada aos poucos pelo bizarro e pelo perturbador. Acho que foi justamente essa mistura que me ganhou.
Não achei ruim. É aquele tipo de filme de tubarão bem clichê, mas que ainda consegue divertir justamente porque sabe trabalhar dentro da própria fórmula. Não tem grandes surpresas, mas funciona o suficiente para manter o interesse. Agora, o que realmente me impressionou foi a maquiagem da protagonista. Batom e rímel à prova de absolutamente tudo. água, desespero, caos... e ela impecável, rs. No geral, é simples e previsível, mas divertido.
Uma ficção científica com ação sensacional!!! Me surpreendeu muito positivamente e me prendeu do começo ao fim. Para quem não está acostumado com o cinema oriental, tem alguns exageros nas interpretações típicos de produções coreanas. Boa parte disso vem justamente do choque cultural mesmo, porque os personagens funcionam muito bem e são extremamente carismáticos. Os efeitos especiais também estão excelentes, apesar dos sommeliers de CGI estarem reclamando, porque sempre reclamam. Mas os efeitos funcionam perfeitamente dentro da proposta do filme. No geral, gostei praticamente de tudo. Tem cenas de ação de tirar o folego, personagens que funcionam e uma ficção científica que realmente me deixou curioso para ver mais desse universo. Ansioso por uma continuação!
Um filme aterrorizante principalmente pelo momento em que estamos vivendo e pela sensação incômoda de que aquilo não parece tão distante da realidade. O horror aqui vem da percepção de como determinadas ideias podem se apresentar de forma aceitável antes de revelarem o que realmente são. É como o dito: “Quando o fascismo voltar, ele não dirá ‘eu sou o fascismo’. Ele dirá ‘eu sou a liberdade’”. No fim, a tal falsa “liberdade” vai se transformando em prisão, dor e angústia para muitos, enquanto serve ao conforto e ao deleite de poucos. E talvez seja justamente isso que torne o filme tão perturbador: perceber como esse caminho vem sendo pavimentado aos poucos no mundo, capturando a cognição das pessoas por meio de discursos rasos e odiosos, criando inimigos imaginários e transformando minorias e os verdadeiros libertários em alvos. O assustador é que nada disso precisa acontecer de uma vez. Basta ir normalizando um pouco de cada vez, exatamente conforme tem sido feito. A proposta do filme é concentrar tudo isso em um universo mais contido, e entendo essa escolha, mas acho que ele ganharia ainda mais força se mostrasse de forma mais explícita o que está acontecendo na sociedade ao redor.
A motivação para os acontecimentos do primeiro filme me pareceu muito mais plausível. Aqui, achei completamente absurda a ideia de a irmã de uma mulher que morreu depois de ficar dias presa no alto de uma antena, justamente durante uma aventura extrema, ir com uma pessoa que mal conhece, sem experiência em escalada, para subir uma montanha por uma trilha fechada, proibida e considerada uma das mais perigosas do mundo. É o tipo de decisão que já exige muita boa vontade do espectador antes mesmo de o filme começar de verdade. Apesar de os desafios aqui serem bem mais complexos do que no primeiro filme, o drama é ainda mais raso e pouco convincente, não que o anterior fosse exatamente profundo. Um problema maior é que o filme tem praticamente três personagens e só uma delas é realmente desenvolvida. Com isso, não criei nenhum apreço pelas outras e ainda fiquei com aquela sensação de segurança do protagonismo, o que tira um pouco da tensão. Por outro lado, o filme conseguiu despertar meu medo de altura novamente, então alguma coisa ele fez certo. A ação também é mais elaborada e as situações de perigo são maiores e mais variadas. No geral, é divertido e entrega o que se espera desse tipo de filme, mas achei bem mais água com açúcar que o primeiro. Tem desafios maiores e uma ação mais ambiciosa, mas faltou peso para que tudo isso tivesse impacto.
Se era para fazer isso, era melhor ter parado. Para mim, esse aqui conseguiu fazer o que nenhum outro filme da franquia tinha feito: praticamente acabar com qualquer empolgação que eu ainda tinha por V/H/S. Tudo é muito ruim. A sequência principal é facilmente a pior da franquia e nenhum dos curtas realmente funciona. O pior é que não tem nem aquele caso de um segmento ser péssimo, mas outro compensar. Aqui, meia hora depois, você já quase não lembra de nada do que viu. Não tem uma ideia realmente marcante, uma imagem que fique na cabeça ou pelo menos um curta que salve o conjunto. O estranhamento, que sempre foi uma das melhores coisas de V/H/S, aqui é só estranho mesmo. Falta aquela aura especial de bizarrice, desconforto e criatividade que fazia até os segmentos mais bagunçados da franquia terem alguma personalidade. As sequências são horrorosas, as ideias também e quase nada se salva. Nem tenho muito o que falar porque o filme não me deu muita coisa além de irritação e tédio. Uma pena. A franquia já teve altos e baixos, mas pelo menos quase sempre entregava alguma coisa divertida, absurda ou memorável. Aqui, para mim, não sobrou nada.
Desde uns dois filmes atrás, sinto que a franquia já não consegue sustentar aquele clima realmente assustador e sombrio que eu gostava tanto. Ainda existem boas ideias aqui. O demônio da vez é interessante, assim como o novo poder estabelecido dentro desse universo, mas acho que nenhum dos dois foi trabalhado tão bem quanto poderia. Atualmente, sinto que Insidious está caminhando cada vez mais para uma espécie de aventura sobrenatural, deixando de lado justamente aquilo que fazia a franquia funcionar melhor: medo, tensão e suspense. O filme acaba recorrendo demais a clichês e conveniências, e ainda traz de volta alguns personagens do Além que, para mim, não precisavam estar ali. Parecem mais acenos à franquia do que algo realmente necessário para a história, principalmente porque essa participação não se amarra ao restante. Nesse filme, achei que perderam uma ótima oportunidade de corrigir uma das maiores burradas que fizeram anteriormente na franquia. Com o novo poder estabelecido aqui, havia uma maneira bastante natural de fazer isso. Não aconteceu desta vez, mas agora que essa possibilidade existe dentro das regras desse universo, ainda dá para imaginar que façam isso mais para frente. No fim, continua expandindo a mitologia de Insidious, mas sinto cada vez mais falta daquela atmosfera perturbadora que fazia os primeiros filmes funcionarem tão bem.
Como esse personagem cresceu. Gostei bastante porque o filme explora uma característica muito recorrente do Peter nos quadrinhos e consegue aprofundar ainda mais o lado psicológico e emocional dele, mesmo depois de tantos filmes. Ainda é um filme dessa leva recente da Marvel, então a fórmula continua lá, mas já dá para sentir uma pitada de algo novo. Às vezes isso funciona, às vezes nem tanto. Aqui, para mim, encaixou muito bem em uma história mais leve, sem precisar transformar tudo em uma ameaça gigantesca para funcionar. É como sempre digo: para ser um bom filme de herói, não precisa ser sempre um Vingadores: Guerra Infinita. Às vezes basta entender bem o personagem, trabalhar seus conflitos e contar uma boa história. E ainda trouxe uma baita figura que deve ganhar novos contornos daqui para frente. Dessa parte, porém, ainda não sei se gostei tanto. Achei interessante, mas não é a mesma personagem que conhecemos. Nesse ponto, tudo vai depender dos rumos que a Marvel vai tomar daqui para frente.
Às vezes me canso de ouvir, e até de dizer, que um filme poderia ter sido isso ou aquilo. Afinal, se a gente for avaliar uma obra apenas pelo que gostaria que ela tivesse sido, praticamente nenhuma vai escapar. Então, deixando de lado as minhas expectativas e olhando para o que o filme realmente entrega, achei uma aventura familiar água com açúcar, daquelas que passariam na Sessão da Tarde antigamente. O que realmente me incomodou foi o tom. Tem momentos em que o filme se leva a sério demais e outros em que cai completamente na galhofa. Certas vezes parecia que os acontecimentos foram decididos no dado e depois encaixados à força para que tudo desse convenientemente certo. A ideia central é sensacional e a produção tem seus méritos. Os atores convencem, os efeitos funcionam muito bem e gostei bastante dos dinossauros com uma aparência mais realista. Apesar de não transmitirem todo o peso que eu esperava, tanto a interação deles com os humanos quanto entre si ficou ótima. Em alguns momentos, o filme até me lembrou aquelas aventuras que misturam o cotidiano com o extraordinário, como Jurassic Park e Jumanji, embora esteja longe de alcançar o impacto desses clássicos. Considerando tudo fiquei com a sensação de ter assistido a uma aventura familiar bastante genérica construída em cima de uma ideia muito interessante. E olha eu aqui, de novo, pensando no que o filme poderia ter sido.
Um ótimo found footage que mistura muito bem o formato com uma pegada de falso documentário investigativo. A personagem principal é muito cativante e, mesmo quando toma decisões não exatamente inteligentes, elas parecem naturais porque ela foi bem construída. Não tive aquela sensação comum no gênero de que o personagem está fazendo alguma idiotice apenas porque o roteiro precisa que ele faça. Os outros personagens também conseguem transmitir bastante, mesmo aparecendo pouco. Dá para sentir o peso das histórias, das personalidades e das relações entre eles, o que ajuda muito a dar veracidade ao formato. O final não vem mastigadinho e gostei disso. O filme terminou, mas ficou na minha cabeça, então fui atrás de outras interpretações para ver se algumas das explicações que imaginei faziam sentido. E existem várias pistas espalhadas pelo filme que tornam algumas particularmente interessantes (no spoiler).
A explicação que mais me convenceu é que talvez não houvesse nada necessariamente sobrenatural na casa. Edward, o filho cujo corpo nunca foi encontrado, teria sido o responsável pelo massacre da própria família e continuado vivendo escondido ali durante todos aqueles anos.
Algumas das principais pistas aparecem nas entrevistas. A tia comenta que Edward (a criança menor), era uma criança problemática e fica claramente desconfortável quando fala sobre ele. Isso pode sugerir que havia comportamentos perturbadores que, olhando em retrospecto, talvez fossem sinais de algo muito mais sério.
Já a prima de Joseph (o pa) fala sobre como ele era paranoico, estranho e obcecado com a possibilidade de uma guerra nuclear. Esse detalhe parece bastante importante considerando que a família morreu em 1986, ainda durante a Guerra Fria. A teoria é que Joseph poderia ter construído um abrigo nuclear escondido sob a casa. Isso explicaria os barulhos recorrentes de batidas e arranhões e até a possibilidade de Edward se movimentar pela propriedade sem ser visto.
As evidências da cena do crime talvez sejam ainda mais fortes. Edward foi o único membro da família cujo corpo nunca apareceu e também é o único nome ausente da lista de vítimas encontrada na casa. A ideia seria que ele matou a própria família, amputou o braço para forjar a própria morte e passou décadas escondido naquele abrigo.
Isso também ajuda a explicar vários detalhes menores. As roupas femininas encontradas na casa, principalmente os vestidos de Rebecca, poderiam ser simplesmente o que restou para ele usar. Algumas inclusive estavam faltando dos cabides. Os alimentos abertos também poderiam indicar que alguém ainda vivia ali. Como a ideia é um abrigo nuclear, com certeza existiam alimentos para muitos anos lá. E, no final, quando Leah é arrastada para longe do carro, é possível ouvir algo parecido com uma porta de porão ou abrigo sendo aberta e fechada enquanto ela pergunta para onde está sendo levada.
Então minha leitura principal é basicamente essa: Edward já apresentava comportamentos perturbadores, matou a família, simulou a própria morte e passou todos aqueles anos escondido no abrigo construído pelo pai, matando quem se aproximava demais da verdade.
Mas ainda dentro dessa mesma explicação existe espaço para algo sobrenatural. Nada explica completamente a fixação do pai com aquela figura nem a possibilidade de ele realmente conseguir ver o futuro. Talvez ele de fato tivesse essa capacidade, mas tenha interpretado suas visões de forma equivocada e acabado criando um paradoxo: ao tentar evitar aquilo que viu, construiu justamente as condições para que aquela figura, que no futuro seria o próprio filho, viesse a existir.
Também existe a possibilidade de a figura ser uma assombração real e, de alguma forma, ter se apossado de Edward, fazendo com que todo o restante da teoria continuasse válido. Talvez até essas interpretações não sejam excludentes e possam coexistir.
Não sei se alguma dessas é necessariamente a explicação “correta”, mas é justamente isso que torna o final tão interessante. O filme abre espaço para diferentes leituras, mas não de maneira completamente aleatória. Existem pistas que permitem sustentar cada interpretação. É muito bom quando um filme deixa margem para discussão sem simplesmente abandonar o espectador diante de um final inexplicável.
Para um found footage todo passado em uma tela de computador, não é de todo ruim. Em vários momentos, a interação entre os personagens parece natural e ajuda bastante na imersão, dando a sensação de que estamos realmente acompanhando uma conversa entre duas pessoas. O problema é que, conforme a história avança, começam a surgir situações cada vez mais absurdas que não foram muito bem construídas nem executadas. Aí a naturalidade inicial vai se perdendo e o filme começa a exigir um pouco mais de boa vontade. O roteiro é fraco e não desenvolve tão bem as próprias ideias, mas a proposta funciona o suficiente para manter alguma curiosidade mesmo que limitada por uma história que não consegue acompanhar a própria premissa.
O que salva: os atores, incluindo o trabalho corporal dos figurantes como zumbis, e uma produção até competente para um filme de baixo orçamento. Tem uns efeitos de sangue que poderiam facilmente ter ficado péssimos, mas estranhamente achei charmosos, com uma estética meio retrô de videogame. De resto, quase nada funciona. O roteiro é bem fraco e a direção pouco inspirada. A história não cativa e, por mais que os atores se esforcem, fica difícil criar qualquer conexão com os personagens ou acreditar nas relações entre eles quando o próprio roteiro não oferece estofo suficiente para isso. No fim, parece um filme que tinha condições técnicas para ser bem melhor, mas foi o que teve pra hoje.
Achei excelente. Estranho, grotesco, incômodo e, ao mesmo tempo, muito humano. Um daqueles filmes em que o absurdo parte de algo bastante comum e vai revelando uma coisa muito mais sombria por baixo. O final não é exatamente aberto, mas bastante sugestivo, e cheguei a algumas possíveis explicações [no spoiler]. É um terror psicológico com elementos de body horror e terror sobrenatural, gêneros que não costumam andar juntos, mas que aqui se complementam muito bem, levando uma situação aparentemente banal a lugares quase inimagináveis. Gostei muito de como o filme consegue ficar cada vez mais absurdo sem perder a conexão com aquilo que foi apresentado no início. Quando você percebe onde aquela premissa chegou, é quase inacreditável, mas ainda faz sentido dentro da lógica construída.
Minha leitura é que aquele desejo da Hana já existia muito antes de ela tomar a pílula da Bertha. Ela já flertava com essa vontade, ainda que de forma menos explícita. A Bertha, então, talvez não tenha despertado aquela “fome”, mas feito justamente o contrário. Ou seja, direcionado essa compulsão para a comida como uma forma de impedir que Hana seguisse o desejo que realmente carregava. Lembrando que a amiga da Bertha disse que ela era boa. Quando Hana finalmente consegue se livrar da Bertha e recebe praticamente uma segunda chance de vida, ela não está apenas livre da entidade. Está também livre daquilo que mantinha esse desejo sob controle. E o final sugere que, dessa vez, ela decide vivê-lo sem amarras. Quando mostra ela se deleciando com a mulher, o olho dela aparece normal, indicando que era ela mesma. Se for essa a intenção, acho ainda mais perturbador, porque transforma boa parte do que vimos antes: talvez Bertha nunca tenha sido a pior coisa dentro dela.
Amei. Me prendeu do começo ao fim, tanto pela história quanto pela forma como vai revelando suas ideias aos poucos. Ryan Gosling é um baita ator. Ele carrega o filme com carisma, vulnerabilidade, tensão e humor muito bem equilibrados, mesmo em momentos absurdos, sem transformar tudo em piada. Gostei também de como a ciência entra na narrativa de forma ficcional, mas divertida. Só confesso que a parte científica às vezes me dava um pequeno nervoso justamente porque conheço algumas daquelas coisas na prática. Em determinado momento, por exemplo, ele coloca dois tubos do mesmo lado de uma centrífuga e meu cérebro imediatamente saiu do filme para pensar: “vai desbalancear esse negócio!” hehe. É uma bobagem, mas quem já trabalhou com isso sabe que é uma situação bem real. E, sinceramente, é impressionante um filme conseguir me fazer chorar por causa de uma pedra. Isso diz muito sobre como a relação entre os personagens é bem construída. Para mim, funcionou praticamente em tudo. Fácil um dos melhores filmes que vi esse ano.
É um filme de terror psicológico com elementos de terror cósmico e existencial. Tem um ritmo lento, contemplativo e com pouca ação. Quem gosta de muita coisa acontecendo provavelmente vai sofrer um pouco aqui. O conceito é bem original, a fotografia funciona muito bem e achei especialmente inteligente a divisão da narrativa. Mais do que pelo que o filme é, e ele é muito bom, o principal problema, para mim, está no que ele poderia ter sido. A partir do segundo ato, perde força com diálogos que vão se tornando pouco relevantes para aquilo que vinha sendo construído, justamente quando parecia abrir espaço para aprofundar melhor suas ideias, teorias e temas. Ali havia uma ótima oportunidade de aprofundar algumas das teorias que o próprio filme começa a sugerir e trabalhar melhor com questões de perda de identidade, paranoia e percepção da realidade. Ainda assim, assistir a It Ends foi uma experiência bastante curiosa e criativa. É um filme que desperdiça parte do próprio potencial, mas tem ideias boas o suficiente para continuar reverberando depois que termina.
É um filme de monstro com alma noventista, divertido e sem muita preocupação em ser sofisticado. Tem aquela mistura de gore, humor, personagens caricatos e situações absurdas que funciona justamente porque o filme abraça completamente a própria proposta.
É uma produção simples e de orçamento claramente limitado, mas que soube trabalhar muito bem com o que tinha. O que realmente sustenta o filme é a dinâmica entre os dois protagonistas, que consegue manter tudo interessante mesmo quando não está acontecendo muita coisa. Os atores mandam bem e ajudam bastante nisso. Até os zumbis funcionam pela simplicidade. Parecem menos “monstros de filme de zumbi” e mais pessoas que morreram recentemente e simplesmente voltaram a andar por aí. A maquiagem é quase inexistente e o trabalho corporal não tem nada de muito elaborado, mas, estranhamente, me convenceu. Não traz praticamente nada de novo para o gênero, mas consegue ter uma personalidade própria que me cativou.
Tem que ver na língua original com legenda. A versão dublada perde muito. É um bom filme de desastre/apocalipse e, sinceramente, não fica devendo nada para muita produção americana média do gênero. A escala da destruição funciona, os efeitos cumprem bem seu papel e o filme consegue transmitir aquela sensação de caos crescente que eu espero desse tipo de produção. A parte emocional, principalmente envolvendo as relações familiares, achei um pouco desajeitada e às vezes até forçada. Mas reconheço que tenho pouca paciência para esse tipo de drama em filmes de desastre. Não reinventa absolutamente nada, mas entrega bem o que se propõe. Gostei.
Acho que adaptar Backrooms para um longa já é complicado por natureza. O lado positivo é que seu próprio criador está completamente envolvido no filme e conseguiu fazer mais do que um simples aceno aos curtas, dando início à construção de um universo um pouco mais "coerente" em meio a toda a mitologia que foi se expandindo pela internet. O filme preserva bastante da atmosfera dos curtas, mas tive a sensação de que tenta explicar demais através dos diálogos e pouco pela própria narrativa. Os curtas sempre tiveram seus absurdos, mas parte do que foi construído aqui, principalmente em torno do monstro, não funcionou muito para mim. Algumas explicações e acontecimentos acabam diminuindo justamente a estranheza, e nem tudo que foi acrescentado à mitologia me pareceu necessário. Ainda assim, gostei.
É um filme bem legal, na linha de Casamento Sangrento, misturando terror, gore, comédia e ação de forma bastante equilibrada. O filme abraça o absurdo sem tentar se levar a sério demais, criando situações cada vez mais exageradas. A história não é nenhuma revolução no gênero, mas também nem precisa ser. Sabe quando fazer graça, quando partir para a violência e quando simplesmente deixar o caos tomar conta. No fim, é aquele tipo de filme que sabe exatamente o que quer ser e entrega a proposta sem muita enrolação. Violento, absurdo, engraçado e muito divertido. Me ganhou justamente por isso.
Resident Evil
3.6 366 Assista AgoraNa minha opinião, é a melhor adaptação live-action em longa-metragem de Resident Evil até agora e uma das que melhor consegue capturar a atmosfera de alguns jogos da franquia. Ainda assim, não supera aquele curta live-action lançado recentemente para divulgar o novo jogo.
Gostei muito dos movimentos de câmera, que frequentemente simulam a perspectiva de primeira ou terceira pessoa de um videogame. É um detalhe simples, mas que ajuda bastante na imersão e reforça a sensação de estar dentro de um jogo de video game. Os efeitos também estão ótimos e funcionaram muito bem para mim, embora os sommeliers de efeitos especiais provavelmente encontrem bastante coisa para reclamar.
O que quase me tirou do filme foram as piadinhas. Ficaram bem no limite e acho que poderiam ter reduzido bastante. Não chegou a estragar a experiência, mas entendo perfeitamente quem se incomodou mais com isso. Também senti falta de um pouco mais de desenvolvimento da Umbrella, embora, dentro da proposta deste filme, não considere exatamente um defeito.
No geral, gostei bastante. Finalmente uma adaptação em longa-metragem que parece entender melhor o que torna Resident Evil tão interessante.
Apocalipse Z: Novo Mundo
2.4 27Não acho que seja melhor que o primeiro, mas acerta e erra em coisas diferentes. Aqui, o foco está muito mais na ação e na aventura, com um arco de herói mais evidente para o protagonista. Não que isso seja bom ou ruim, mas funciona dentro da proposta desse filme.
A trama política que tentaram construir é interessante, mas achei superficial e pouco desenvolvida. Dá para sentir que talvez seja uma preparação para algo futuro na franquia, caso haja outro filme. Até porque algumas coisas ficaram em aberto, apesar de os principais plots terem sido concluídos. Os personagens que retornam também parecem estar ali mais para justificar a continuidade com o anterior do que porque eram realmente necessários.
Aqui dá para sentir certa proteção do roteiro sobre alguns personagens, o que diminui um pouco a preocupação real com eles. Em compensação, as situações criam bem um clima de urgência e mantêm a tensão funcionando.
No geral, gostei bastante. É mais ação e aventura, e menos sobrevivência e drama. E o gatinho fez falta, então meio ponto a menos em relação ao primeiro, hehe.
Apocalipse Z: O Princípio do Fim
3.0 232 Assista AgoraEstá longe de figurar entre os melhores filmes de apocalipse zumbi, mas ganha muitos pontos por outras coisas, principalmente pelo carisma do protagonista e do seu gatinho. Outra coisa de que gosto muito é que não sinto o protagonista protegido pelo roteiro. Existe um medo real pelo destino dele, do gato e dos outros personagens, porque o filme não transmite aquela segurança típica de que tudo vai ficar bem pelo simples poder do protagonismo. Essa sensação de incerteza aumenta bastante a tensão. O filme também constrói boas motivações para a história continuar e tem cenas de ação que funcionam bem. No geral, é uma produção sólida, envolvente e que sabe criar tensão sem depender só dos zumbis.
PS: Revi agora, me preparando para assistir ao segundo, e acho que gostei ainda mais desta vez.
Buddy
3.2 79Muito bom!!! É um terror que explora muito bem a estranheza pelo contraste, construindo o mistério em torno dos acontecimentos e dos personagens e mantendo uma tensão latente do início ao fim. Para mim, funcionou demais. O filme tem uma identidade muito própria e brinca o tempo todo com essa sensação de segurança sendo contaminada aos poucos pelo bizarro e pelo perturbador. Acho que foi justamente essa mistura que me ganhou.
A Boca do Diabo
2.1 115 Assista AgoraNão achei ruim. É aquele tipo de filme de tubarão bem clichê, mas que ainda consegue divertir justamente porque sabe trabalhar dentro da própria fórmula. Não tem grandes surpresas, mas funciona o suficiente para manter o interesse.
Agora, o que realmente me impressionou foi a maquiagem da protagonista. Batom e rímel à prova de absolutamente tudo. água, desespero, caos... e ela impecável, rs. No geral, é simples e previsível, mas divertido.
Hope: O Primeiro Impacto
3.1 126Uma ficção científica com ação sensacional!!! Me surpreendeu muito positivamente e me prendeu do começo ao fim. Para quem não está acostumado com o cinema oriental, tem alguns exageros nas interpretações típicos de produções coreanas. Boa parte disso vem justamente do choque cultural mesmo, porque os personagens funcionam muito bem e são extremamente carismáticos. Os efeitos especiais também estão excelentes, apesar dos sommeliers de CGI estarem reclamando, porque sempre reclamam. Mas os efeitos funcionam perfeitamente dentro da proposta do filme. No geral, gostei praticamente de tudo. Tem cenas de ação de tirar o folego, personagens que funcionam e uma ficção científica que realmente me deixou curioso para ver mais desse universo. Ansioso por uma continuação!
O Aniversário
3.7 247 Assista AgoraUm filme aterrorizante principalmente pelo momento em que estamos vivendo e pela sensação incômoda de que aquilo não parece tão distante da realidade. O horror aqui vem da percepção de como determinadas ideias podem se apresentar de forma aceitável antes de revelarem o que realmente são. É como o dito: “Quando o fascismo voltar, ele não dirá ‘eu sou o fascismo’. Ele dirá ‘eu sou a liberdade’”. No fim, a tal falsa “liberdade” vai se transformando em prisão, dor e angústia para muitos, enquanto serve ao conforto e ao deleite de poucos. E talvez seja justamente isso que torne o filme tão perturbador: perceber como esse caminho vem sendo pavimentado aos poucos no mundo, capturando a cognição das pessoas por meio de discursos rasos e odiosos, criando inimigos imaginários e transformando minorias e os verdadeiros libertários em alvos. O assustador é que nada disso precisa acontecer de uma vez. Basta ir normalizando um pouco de cada vez, exatamente conforme tem sido feito. A proposta do filme é concentrar tudo isso em um universo mais contido, e entendo essa escolha, mas acho que ele ganharia ainda mais força se mostrasse de forma mais explícita o que está acontecendo na sociedade ao redor.
A Queda 2: No Limite
2.3 59A motivação para os acontecimentos do primeiro filme me pareceu muito mais plausível. Aqui, achei completamente absurda a ideia de a irmã de uma mulher que morreu depois de ficar dias presa no alto de uma antena, justamente durante uma aventura extrema, ir com uma pessoa que mal conhece, sem experiência em escalada, para subir uma montanha por uma trilha fechada, proibida e considerada uma das mais perigosas do mundo. É o tipo de decisão que já exige muita boa vontade do espectador antes mesmo de o filme começar de verdade.
Apesar de os desafios aqui serem bem mais complexos do que no primeiro filme, o drama é ainda mais raso e pouco convincente, não que o anterior fosse exatamente profundo. Um problema maior é que o filme tem praticamente três personagens e só uma delas é realmente desenvolvida. Com isso, não criei nenhum apreço pelas outras e ainda fiquei com aquela sensação de segurança do protagonismo, o que tira um pouco da tensão.
Por outro lado, o filme conseguiu despertar meu medo de altura novamente, então alguma coisa ele fez certo. A ação também é mais elaborada e as situações de perigo são maiores e mais variadas. No geral, é divertido e entrega o que se espera desse tipo de filme, mas achei bem mais água com açúcar que o primeiro. Tem desafios maiores e uma ação mais ambiciosa, mas faltou peso para que tudo isso tivesse impacto.
V/H/S/Mixtape
1.9 18Se era para fazer isso, era melhor ter parado. Para mim, esse aqui conseguiu fazer o que nenhum outro filme da franquia tinha feito: praticamente acabar com qualquer empolgação que eu ainda tinha por V/H/S.
Tudo é muito ruim. A sequência principal é facilmente a pior da franquia e nenhum dos curtas realmente funciona. O pior é que não tem nem aquele caso de um segmento ser péssimo, mas outro compensar. Aqui, meia hora depois, você já quase não lembra de nada do que viu. Não tem uma ideia realmente marcante, uma imagem que fique na cabeça ou pelo menos um curta que salve o conjunto.
O estranhamento, que sempre foi uma das melhores coisas de V/H/S, aqui é só estranho mesmo. Falta aquela aura especial de bizarrice, desconforto e criatividade que fazia até os segmentos mais bagunçados da franquia terem alguma personalidade. As sequências são horrorosas, as ideias também e quase nada se salva. Nem tenho muito o que falar porque o filme não me deu muita coisa além de irritação e tédio.
Uma pena. A franquia já teve altos e baixos, mas pelo menos quase sempre entregava alguma coisa divertida, absurda ou memorável. Aqui, para mim, não sobrou nada.
Sobrenatural: Agora Entre Nós
2.9 125 Assista AgoraDesde uns dois filmes atrás, sinto que a franquia já não consegue sustentar aquele clima realmente assustador e sombrio que eu gostava tanto. Ainda existem boas ideias aqui. O demônio da vez é interessante, assim como o novo poder estabelecido dentro desse universo, mas acho que nenhum dos dois foi trabalhado tão bem quanto poderia. Atualmente, sinto que Insidious está caminhando cada vez mais para uma espécie de aventura sobrenatural, deixando de lado justamente aquilo que fazia a franquia funcionar melhor: medo, tensão e suspense.
O filme acaba recorrendo demais a clichês e conveniências, e ainda traz de volta alguns personagens do Além que, para mim, não precisavam estar ali. Parecem mais acenos à franquia do que algo realmente necessário para a história, principalmente porque essa participação não se amarra ao restante.
Nesse filme, achei que perderam uma ótima oportunidade de corrigir uma das maiores burradas que fizeram anteriormente na franquia. Com o novo poder estabelecido aqui, havia uma maneira bastante natural de fazer isso. Não aconteceu desta vez, mas agora que essa possibilidade existe dentro das regras desse universo, ainda dá para imaginar que façam isso mais para frente. No fim, continua expandindo a mitologia de Insidious, mas sinto cada vez mais falta daquela atmosfera perturbadora que fazia os primeiros filmes funcionarem tão bem.
Get Away
2.6 30 Assista AgoraAchei meio obvio logo no ínicio, mas acaba ainda sendo divertido pelo bizarramente nonsense!
Homem-Aranha: Um Novo Dia
4.0 507 Assista AgoraComo esse personagem cresceu. Gostei bastante porque o filme explora uma característica muito recorrente do Peter nos quadrinhos e consegue aprofundar ainda mais o lado psicológico e emocional dele, mesmo depois de tantos filmes. Ainda é um filme dessa leva recente da Marvel, então a fórmula continua lá, mas já dá para sentir uma pitada de algo novo. Às vezes isso funciona, às vezes nem tanto. Aqui, para mim, encaixou muito bem em uma história mais leve, sem precisar transformar tudo em uma ameaça gigantesca para funcionar. É como sempre digo: para ser um bom filme de herói, não precisa ser sempre um Vingadores: Guerra Infinita. Às vezes basta entender bem o personagem, trabalhar seus conflitos e contar uma boa história. E ainda trouxe uma baita figura que deve ganhar novos contornos daqui para frente. Dessa parte, porém, ainda não sei se gostei tanto. Achei interessante, mas não é a mesma personagem que conhecemos. Nesse ponto, tudo vai depender dos rumos que a Marvel vai tomar daqui para frente.
O Fim da Rua
3.0 336 Assista AgoraÀs vezes me canso de ouvir, e até de dizer, que um filme poderia ter sido isso ou aquilo. Afinal, se a gente for avaliar uma obra apenas pelo que gostaria que ela tivesse sido, praticamente nenhuma vai escapar. Então, deixando de lado as minhas expectativas e olhando para o que o filme realmente entrega, achei uma aventura familiar água com açúcar, daquelas que passariam na Sessão da Tarde antigamente.
O que realmente me incomodou foi o tom. Tem momentos em que o filme se leva a sério demais e outros em que cai completamente na galhofa. Certas vezes parecia que os acontecimentos foram decididos no dado e depois encaixados à força para que tudo desse convenientemente certo.
A ideia central é sensacional e a produção tem seus méritos. Os atores convencem, os efeitos funcionam muito bem e gostei bastante dos dinossauros com uma aparência mais realista. Apesar de não transmitirem todo o peso que eu esperava, tanto a interação deles com os humanos quanto entre si ficou ótima. Em alguns momentos, o filme até me lembrou aquelas aventuras que misturam o cotidiano com o extraordinário, como Jurassic Park e Jumanji, embora esteja longe de alcançar o impacto desses clássicos.
Considerando tudo fiquei com a sensação de ter assistido a uma aventura familiar bastante genérica construída em cima de uma ideia muito interessante. E olha eu aqui, de novo, pensando no que o filme poderia ter sido.
The Lost Footage of Leah Sullivan
2.8 4 Assista AgoraUm ótimo found footage que mistura muito bem o formato com uma pegada de falso documentário investigativo. A personagem principal é muito cativante e, mesmo quando toma decisões não exatamente inteligentes, elas parecem naturais porque ela foi bem construída. Não tive aquela sensação comum no gênero de que o personagem está fazendo alguma idiotice apenas porque o roteiro precisa que ele faça. Os outros personagens também conseguem transmitir bastante, mesmo aparecendo pouco. Dá para sentir o peso das histórias, das personalidades e das relações entre eles, o que ajuda muito a dar veracidade ao formato. O final não vem mastigadinho e gostei disso. O filme terminou, mas ficou na minha cabeça, então fui atrás de outras interpretações para ver se algumas das explicações que imaginei faziam sentido. E existem várias pistas espalhadas pelo filme que tornam algumas particularmente interessantes (no spoiler).
A explicação que mais me convenceu é que talvez não houvesse nada necessariamente sobrenatural na casa. Edward, o filho cujo corpo nunca foi encontrado, teria sido o responsável pelo massacre da própria família e continuado vivendo escondido ali durante todos aqueles anos.
Algumas das principais pistas aparecem nas entrevistas. A tia comenta que Edward (a criança menor), era uma criança problemática e fica claramente desconfortável quando fala sobre ele. Isso pode sugerir que havia comportamentos perturbadores que, olhando em retrospecto, talvez fossem sinais de algo muito mais sério.
Já a prima de Joseph (o pa) fala sobre como ele era paranoico, estranho e obcecado com a possibilidade de uma guerra nuclear. Esse detalhe parece bastante importante considerando que a família morreu em 1986, ainda durante a Guerra Fria. A teoria é que Joseph poderia ter construído um abrigo nuclear escondido sob a casa. Isso explicaria os barulhos recorrentes de batidas e arranhões e até a possibilidade de Edward se movimentar pela propriedade sem ser visto.
As evidências da cena do crime talvez sejam ainda mais fortes. Edward foi o único membro da família cujo corpo nunca apareceu e também é o único nome ausente da lista de vítimas encontrada na casa. A ideia seria que ele matou a própria família, amputou o braço para forjar a própria morte e passou décadas escondido naquele abrigo.
Isso também ajuda a explicar vários detalhes menores. As roupas femininas encontradas na casa, principalmente os vestidos de Rebecca, poderiam ser simplesmente o que restou para ele usar. Algumas inclusive estavam faltando dos cabides. Os alimentos abertos também poderiam indicar que alguém ainda vivia ali. Como a ideia é um abrigo nuclear, com certeza existiam alimentos para muitos anos lá. E, no final, quando Leah é arrastada para longe do carro, é possível ouvir algo parecido com uma porta de porão ou abrigo sendo aberta e fechada enquanto ela pergunta para onde está sendo levada.
Então minha leitura principal é basicamente essa: Edward já apresentava comportamentos perturbadores, matou a família, simulou a própria morte e passou todos aqueles anos escondido no abrigo construído pelo pai, matando quem se aproximava demais da verdade.
Mas ainda dentro dessa mesma explicação existe espaço para algo sobrenatural. Nada explica completamente a fixação do pai com aquela figura nem a possibilidade de ele realmente conseguir ver o futuro. Talvez ele de fato tivesse essa capacidade, mas tenha interpretado suas visões de forma equivocada e acabado criando um paradoxo: ao tentar evitar aquilo que viu, construiu justamente as condições para que aquela figura, que no futuro seria o próprio filho, viesse a existir.
Também existe a possibilidade de a figura ser uma assombração real e, de alguma forma, ter se apossado de Edward, fazendo com que todo o restante da teoria continuasse válido. Talvez até essas interpretações não sejam excludentes e possam coexistir.
Não sei se alguma dessas é necessariamente a explicação “correta”, mas é justamente isso que torna o final tão interessante. O filme abre espaço para diferentes leituras, mas não de maneira completamente aleatória. Existem pistas que permitem sustentar cada interpretação. É muito bom quando um filme deixa margem para discussão sem simplesmente abandonar o espectador diante de um final inexplicável.
Deadware
2.2 9 Assista AgoraPara um found footage todo passado em uma tela de computador, não é de todo ruim. Em vários momentos, a interação entre os personagens parece natural e ajuda bastante na imersão, dando a sensação de que estamos realmente acompanhando uma conversa entre duas pessoas. O problema é que, conforme a história avança, começam a surgir situações cada vez mais absurdas que não foram muito bem construídas nem executadas. Aí a naturalidade inicial vai se perdendo e o filme começa a exigir um pouco mais de boa vontade. O roteiro é fraco e não desenvolve tão bem as próprias ideias, mas a proposta funciona o suficiente para manter alguma curiosidade mesmo que limitada por uma história que não consegue acompanhar a própria premissa.
Perseguição Zumbi
1.7 30 Assista AgoraO que salva: os atores, incluindo o trabalho corporal dos figurantes como zumbis, e uma produção até competente para um filme de baixo orçamento. Tem uns efeitos de sangue que poderiam facilmente ter ficado péssimos, mas estranhamente achei charmosos, com uma estética meio retrô de videogame. De resto, quase nada funciona. O roteiro é bem fraco e a direção pouco inspirada. A história não cativa e, por mais que os atores se esforcem, fica difícil criar qualquer conexão com os personagens ou acreditar nas relações entre eles quando o próprio roteiro não oferece estofo suficiente para isso. No fim, parece um filme que tinha condições técnicas para ser bem melhor, mas foi o que teve pra hoje.
Insaciável
3.0 96Achei excelente. Estranho, grotesco, incômodo e, ao mesmo tempo, muito humano. Um daqueles filmes em que o absurdo parte de algo bastante comum e vai revelando uma coisa muito mais sombria por baixo. O final não é exatamente aberto, mas bastante sugestivo, e cheguei a algumas possíveis explicações [no spoiler]. É um terror psicológico com elementos de body horror e terror sobrenatural, gêneros que não costumam andar juntos, mas que aqui se complementam muito bem, levando uma situação aparentemente banal a lugares quase inimagináveis. Gostei muito de como o filme consegue ficar cada vez mais absurdo sem perder a conexão com aquilo que foi apresentado no início. Quando você percebe onde aquela premissa chegou, é quase inacreditável, mas ainda faz sentido dentro da lógica construída.
Minha leitura é que aquele desejo da Hana já existia muito antes de ela tomar a pílula da Bertha. Ela já flertava com essa vontade, ainda que de forma menos explícita. A Bertha, então, talvez não tenha despertado aquela “fome”, mas feito justamente o contrário. Ou seja, direcionado essa compulsão para a comida como uma forma de impedir que Hana seguisse o desejo que realmente carregava. Lembrando que a amiga da Bertha disse que ela era boa. Quando Hana finalmente consegue se livrar da Bertha e recebe praticamente uma segunda chance de vida, ela não está apenas livre da entidade. Está também livre daquilo que mantinha esse desejo sob controle. E o final sugere que, dessa vez, ela decide vivê-lo sem amarras. Quando mostra ela se deleciando com a mulher, o olho dela aparece normal, indicando que era ela mesma. Se for essa a intenção, acho ainda mais perturbador, porque transforma boa parte do que vimos antes: talvez Bertha nunca tenha sido a pior coisa dentro dela.
Devoradores de Estrelas
4.0 827 Assista AgoraAmei. Me prendeu do começo ao fim, tanto pela história quanto pela forma como vai revelando suas ideias aos poucos. Ryan Gosling é um baita ator. Ele carrega o filme com carisma, vulnerabilidade, tensão e humor muito bem equilibrados, mesmo em momentos absurdos, sem transformar tudo em piada. Gostei também de como a ciência entra na narrativa de forma ficcional, mas divertida. Só confesso que a parte científica às vezes me dava um pequeno nervoso justamente porque conheço algumas daquelas coisas na prática. Em determinado momento, por exemplo, ele coloca dois tubos do mesmo lado de uma centrífuga e meu cérebro imediatamente saiu do filme para pensar: “vai desbalancear esse negócio!” hehe. É uma bobagem, mas quem já trabalhou com isso sabe que é uma situação bem real. E, sinceramente, é impressionante um filme conseguir me fazer chorar por causa de uma pedra. Isso diz muito sobre como a relação entre os personagens é bem construída. Para mim, funcionou praticamente em tudo. Fácil um dos melhores filmes que vi esse ano.
It Ends
2.6 44É um filme de terror psicológico com elementos de terror cósmico e existencial. Tem um ritmo lento, contemplativo e com pouca ação. Quem gosta de muita coisa acontecendo provavelmente vai sofrer um pouco aqui. O conceito é bem original, a fotografia funciona muito bem e achei especialmente inteligente a divisão da narrativa. Mais do que pelo que o filme é, e ele é muito bom, o principal problema, para mim, está no que ele poderia ter sido. A partir do segundo ato, perde força com diálogos que vão se tornando pouco relevantes para aquilo que vinha sendo construído, justamente quando parecia abrir espaço para aprofundar melhor suas ideias, teorias e temas. Ali havia uma ótima oportunidade de aprofundar algumas das teorias que o próprio filme começa a sugerir e trabalhar melhor com questões de perda de identidade, paranoia e percepção da realidade. Ainda assim, assistir a It Ends foi uma experiência bastante curiosa e criativa. É um filme que desperdiça parte do próprio potencial, mas tem ideias boas o suficiente para continuar reverberando depois que termina.
Banquete no Inferno
2.9 198 Assista AgoraÉ um filme de monstro com alma noventista, divertido e sem muita preocupação em ser sofisticado. Tem aquela mistura de gore, humor, personagens caricatos e situações absurdas que funciona justamente porque o filme abraça completamente a própria proposta.
Ben & Mickey Contra os Mortos
3.2 78 Assista AgoraÉ uma produção simples e de orçamento claramente limitado, mas que soube trabalhar muito bem com o que tinha. O que realmente sustenta o filme é a dinâmica entre os dois protagonistas, que consegue manter tudo interessante mesmo quando não está acontecendo muita coisa. Os atores mandam bem e ajudam bastante nisso. Até os zumbis funcionam pela simplicidade. Parecem menos “monstros de filme de zumbi” e mais pessoas que morreram recentemente e simplesmente voltaram a andar por aí. A maquiagem é quase inexistente e o trabalho corporal não tem nada de muito elaborado, mas, estranhamente, me convenceu. Não traz praticamente nada de novo para o gênero, mas consegue ter uma personalidade própria que me cativou.
12 Horas Para o Fim do Mundo
2.5 36 Assista AgoraTem que ver na língua original com legenda. A versão dublada perde muito. É um bom filme de desastre/apocalipse e, sinceramente, não fica devendo nada para muita produção americana média do gênero. A escala da destruição funciona, os efeitos cumprem bem seu papel e o filme consegue transmitir aquela sensação de caos crescente que eu espero desse tipo de produção. A parte emocional, principalmente envolvendo as relações familiares, achei um pouco desajeitada e às vezes até forçada. Mas reconheço que tenho pouca paciência para esse tipo de drama em filmes de desastre. Não reinventa absolutamente nada, mas entrega bem o que se propõe. Gostei.
Backrooms: Um Não-Lugar
3.2 496 Assista AgoraAcho que adaptar Backrooms para um longa já é complicado por natureza. O lado positivo é que seu próprio criador está completamente envolvido no filme e conseguiu fazer mais do que um simples aceno aos curtas, dando início à construção de um universo um pouco mais "coerente" em meio a toda a mitologia que foi se expandindo pela internet. O filme preserva bastante da atmosfera dos curtas, mas tive a sensação de que tenta explicar demais através dos diálogos e pouco pela própria narrativa. Os curtas sempre tiveram seus absurdos, mas parte do que foi construído aqui, principalmente em torno do monstro, não funcionou muito para mim. Algumas explicações e acontecimentos acabam diminuindo justamente a estranheza, e nem tudo que foi acrescentado à mitologia me pareceu necessário. Ainda assim, gostei.
Eles Vão Te Matar
3.1 284 Assista AgoraÉ um filme bem legal, na linha de Casamento Sangrento, misturando terror, gore, comédia e ação de forma bastante equilibrada. O filme abraça o absurdo sem tentar se levar a sério demais, criando situações cada vez mais exageradas.
A história não é nenhuma revolução no gênero, mas também nem precisa ser. Sabe quando fazer graça, quando partir para a violência e quando simplesmente deixar o caos tomar conta. No fim, é aquele tipo de filme que sabe exatamente o que quer ser e entrega a proposta sem muita enrolação. Violento, absurdo, engraçado e muito divertido. Me ganhou justamente por isso.