The Undertone (2025) transforma o som em um mecanismo de invasão da intimidade. Ao escutar gravações de um casal, Evy começa tentando manter uma distância racional do material, mas, pouco a pouco, as vozes atravessam a fronteira entre aquilo que ela ouve e aquilo que vive. O horror não está apenas nos áudios, mas na dissolução dessa separação. A gravidez de Evy, sua ambivalência diante da maternidade e a culpa pela relação com a mãe ampliam a tensão entre gerar, cuidar e destruir. A escolha do nome Mary e a presença da imagem de Jesus acrescentam possíveis ressonâncias religiosas à narrativa, enquanto Abyzou a figura demonológica associada, em tradições antigas, à perda gestacional e à morte de crianças introduz uma força que parece inverter o sentido protetor da maternidade. Em diferentes sociedades e épocas, muitas crianças não contaram com a proteção que hoje associamos à infância. Nesse sentido, ampliando, o horror de The Undertone ultrapassa o medo individual e toca uma vulnerabilidade fundamental, a possibilidade de que aquilo que mais depende de cuidado seja justamente aquilo que o mundo não consegue proteger. Uma das cenas mais perturbadoras ocorre quando Evy confessa ter “matado” a mãe porque não atendia ao pedido dela para rezarem juntas diariamente. A fala não descreve um assassinato literal, mas uma culpa ligada à ausência de cuidado, como se não ter correspondido ao chamado materno equivalesse, em sua fantasia, a ter destruído algo. Quando essa exposição vulnerável é recebida por risadas de escárnio, a tentativa de estabelecer contato se transforma em humilhação. A voz, que poderia acolher, torna-se instrumento de ruptura. Nesse sentido, o filme permite pensar numa espécie de morte simbólica da função materna, não necessariamente a morte da mãe biológica, mas o colapso da experiência de cuidado, reconhecimento e proteção. Até o próprio podcast pode ser lido como algo em gestação, um projeto que ganha voz e circulação, mas ameaça consumir a intimidade de quem o produz. A hipótese de uma criação simbolicamente interrompida permanece aberta, sem precisar ser tomada como um acontecimento literal da trama. O que mais me interessa em The Undertone é essa inversão, aquilo que deveria aproximar, a voz, a confissão, a maternidade, a fé, o afeto, pode se tornar assustador quando o vínculo deixa de oferecer segurança. O horror nasce quando a vulnerabilidade, em vez de encontrar acolhimento, retorna como ameaça e zombaria.
O filme brinca bastante com o som, além de se situar num único cenário durante toda a trama para deixar o espectador desconfortável propositalmente. O diretor aqui usa alguns efeitos sonoros de um jeito bem interessante, principalmente em momentos em que você nem está esperando e isso acaba aumentando a tensão das cenas. Tem situações que realmente incomodam e dão aquela sensação estranha de querer desviar o olhar ou de abaixar o volume esperando um jumpscare. Esse é um daqueles filmes de terror que não se baseia somente em sustos, e isso foi o que mais me chamou atenção. Recomendo!
Pela premissa do filme parece que será trabalhado um grande terror psicológico, algo que promete ir em uma crescente, mas não entrega praticamente nada, em momento algum. Vemos aqui uma sucessão de cenas e áudios parecidos, que pouco acrescentam na trama, e no ato final, o clímax do filme tenta desesperadamente causar um terror, mas também falha nesse aspecto. No fim, é só mais um terror genérico de pouco impacto.
Sinceramente, não entendi o hype...
2 estrelas pelo clima de tensão e a questão áudio visual, e só...
The Undertone (2025) transforma o som em um mecanismo de invasão da intimidade. Ao escutar gravações de um casal, Evy começa tentando manter uma distância racional do material, mas, pouco a pouco, as vozes atravessam a fronteira entre aquilo que ela ouve e aquilo que vive. O horror não está apenas nos áudios, mas na dissolução dessa separação. A gravidez de Evy, sua ambivalência diante da maternidade e a culpa pela relação com a mãe ampliam a tensão entre gerar, cuidar e destruir. A escolha do nome Mary e a presença da imagem de Jesus acrescentam possíveis ressonâncias religiosas à narrativa, enquanto Abyzou a figura demonológica associada, em tradições antigas, à perda gestacional e à morte de crianças introduz uma força que parece inverter o sentido protetor da maternidade. Em diferentes sociedades e épocas, muitas crianças não contaram com a proteção que hoje associamos à infância. Nesse sentido, ampliando, o horror de The Undertone ultrapassa o medo individual e toca uma vulnerabilidade fundamental, a possibilidade de que aquilo que mais depende de cuidado seja justamente aquilo que o mundo não consegue proteger. Uma das cenas mais perturbadoras ocorre quando Evy confessa ter “matado” a mãe porque não atendia ao pedido dela para rezarem juntas diariamente. A fala não descreve um assassinato literal, mas uma culpa ligada à ausência de cuidado, como se não ter correspondido ao chamado materno equivalesse, em sua fantasia, a ter destruído algo. Quando essa exposição vulnerável é recebida por risadas de escárnio, a tentativa de estabelecer contato se transforma em humilhação. A voz, que poderia acolher, torna-se instrumento de ruptura. Nesse sentido, o filme permite pensar numa espécie de morte simbólica da função materna, não necessariamente a morte da mãe biológica, mas o colapso da experiência de cuidado, reconhecimento e proteção. Até o próprio podcast pode ser lido como algo em gestação, um projeto que ganha voz e circulação, mas ameaça consumir a intimidade de quem o produz. A hipótese de uma criação simbolicamente interrompida permanece aberta, sem precisar ser tomada como um acontecimento literal da trama. O que mais me interessa em The Undertone é essa inversão, aquilo que deveria aproximar, a voz, a confissão, a maternidade, a fé, o afeto, pode se tornar assustador quando o vínculo deixa de oferecer segurança. O horror nasce quando a vulnerabilidade, em vez de encontrar acolhimento, retorna como ameaça e zombaria.
Pra mim não funcionou, talvez não seja meu estilo de filme, o ritmo me deu sono.
O filme brinca bastante com o som, além de se situar num único cenário durante toda a trama para deixar o espectador desconfortável propositalmente. O diretor aqui usa alguns efeitos sonoros de um jeito bem interessante, principalmente em momentos em que você nem está esperando e isso acaba aumentando a tensão das cenas. Tem situações que realmente incomodam e dão aquela sensação estranha de querer desviar o olhar ou de abaixar o volume esperando um jumpscare. Esse é um daqueles filmes de terror que não se baseia somente em sustos, e isso foi o que mais me chamou atenção. Recomendo!
Pela premissa do filme parece que será trabalhado um grande terror psicológico, algo que promete ir em uma crescente, mas não entrega praticamente nada, em momento algum.
Vemos aqui uma sucessão de cenas e áudios parecidos, que pouco acrescentam na trama, e no ato final, o clímax do filme tenta desesperadamente causar um terror, mas também falha nesse aspecto.
No fim, é só mais um terror genérico de pouco impacto.
Assistido em 02 de outubro de 2026.
Nota: 4/10