Às vezes me canso de ouvir, e até de dizer, que um filme poderia ter sido isso ou aquilo. Afinal, se a gente for avaliar uma obra apenas pelo que gostaria que ela tivesse sido, praticamente nenhuma vai escapar. Então, deixando de lado as minhas expectativas e olhando para o que o filme realmente entrega, achei uma aventura familiar água com açúcar, daquelas que passariam na Sessão da Tarde antigamente. O que realmente me incomodou foi o tom. Tem momentos em que o filme se leva a sério demais e outros em que cai completamente na galhofa. Certas vezes parecia que os acontecimentos foram decididos no dado e depois encaixados à força para que tudo desse convenientemente certo. A ideia central é sensacional e a produção tem seus méritos. Os atores convencem, os efeitos funcionam muito bem e gostei bastante dos dinossauros com uma aparência mais realista. Apesar de não transmitirem todo o peso que eu esperava, tanto a interação deles com os humanos quanto entre si ficou ótima. Em alguns momentos, o filme até me lembrou aquelas aventuras que misturam o cotidiano com o extraordinário, como Jurassic Park e Jumanji, embora esteja longe de alcançar o impacto desses clássicos. Considerando tudo fiquei com a sensação de ter assistido a uma aventura familiar bastante genérica construída em cima de uma ideia muito interessante. E olha eu aqui, de novo, pensando no que o filme poderia ter sido.
Um ótimo found footage que mistura muito bem o formato com uma pegada de falso documentário investigativo. A personagem principal é muito cativante e, mesmo quando toma decisões não exatamente inteligentes, elas parecem naturais porque ela foi bem construída. Não tive aquela sensação comum no gênero de que o personagem está fazendo alguma idiotice apenas porque o roteiro precisa que ele faça. Os outros personagens também conseguem transmitir bastante, mesmo aparecendo pouco. Dá para sentir o peso das histórias, das personalidades e das relações entre eles, o que ajuda muito a dar veracidade ao formato. O final não vem mastigadinho e gostei disso. O filme terminou, mas ficou na minha cabeça, então fui atrás de outras interpretações para ver se algumas das explicações que imaginei faziam sentido. E existem várias pistas espalhadas pelo filme que tornam algumas particularmente interessantes (no spoiler).
A explicação que mais me convenceu é que talvez não houvesse nada necessariamente sobrenatural na casa. Edward, o filho cujo corpo nunca foi encontrado, teria sido o responsável pelo massacre da própria família e continuado vivendo escondido ali durante todos aqueles anos.
Algumas das principais pistas aparecem nas entrevistas. A tia comenta que Edward (a criança menor), era uma criança problemática e fica claramente desconfortável quando fala sobre ele. Isso pode sugerir que havia comportamentos perturbadores que, olhando em retrospecto, talvez fossem sinais de algo muito mais sério.
Já a prima de Joseph (o pa) fala sobre como ele era paranoico, estranho e obcecado com a possibilidade de uma guerra nuclear. Esse detalhe parece bastante importante considerando que a família morreu em 1986, ainda durante a Guerra Fria. A teoria é que Joseph poderia ter construído um abrigo nuclear escondido sob a casa. Isso explicaria os barulhos recorrentes de batidas e arranhões e até a possibilidade de Edward se movimentar pela propriedade sem ser visto.
As evidências da cena do crime talvez sejam ainda mais fortes. Edward foi o único membro da família cujo corpo nunca apareceu e também é o único nome ausente da lista de vítimas encontrada na casa. A ideia seria que ele matou a própria família, amputou o braço para forjar a própria morte e passou décadas escondido naquele abrigo.
Isso também ajuda a explicar vários detalhes menores. As roupas femininas encontradas na casa, principalmente os vestidos de Rebecca, poderiam ser simplesmente o que restou para ele usar. Algumas inclusive estavam faltando dos cabides. Os alimentos abertos também poderiam indicar que alguém ainda vivia ali. Como a ideia é um abrigo nuclear, com certeza existiam alimentos para muitos anos lá. E, no final, quando Leah é arrastada para longe do carro, é possível ouvir algo parecido com uma porta de porão ou abrigo sendo aberta e fechada enquanto ela pergunta para onde está sendo levada.
Então minha leitura principal é basicamente essa: Edward já apresentava comportamentos perturbadores, matou a família, simulou a própria morte e passou todos aqueles anos escondido no abrigo construído pelo pai, matando quem se aproximava demais da verdade.
Mas ainda dentro dessa mesma explicação existe espaço para algo sobrenatural. Nada explica completamente a fixação do pai com aquela figura nem a possibilidade de ele realmente conseguir ver o futuro. Talvez ele de fato tivesse essa capacidade, mas tenha interpretado suas visões de forma equivocada e acabado criando um paradoxo: ao tentar evitar aquilo que viu, construiu justamente as condições para que aquela figura, que no futuro seria o próprio filho, viesse a existir.
Também existe a possibilidade de a figura ser uma assombração real e, de alguma forma, ter se apossado de Edward, fazendo com que todo o restante da teoria continuasse válido. Talvez até essas interpretações não sejam excludentes e possam coexistir.
Não sei se alguma dessas é necessariamente a explicação “correta”, mas é justamente isso que torna o final tão interessante. O filme abre espaço para diferentes leituras, mas não de maneira completamente aleatória. Existem pistas que permitem sustentar cada interpretação. É muito bom quando um filme deixa margem para discussão sem simplesmente abandonar o espectador diante de um final inexplicável.
Para um found footage todo passado em uma tela de computador, não é de todo ruim. Em vários momentos, a interação entre os personagens parece natural e ajuda bastante na imersão, dando a sensação de que estamos realmente acompanhando uma conversa entre duas pessoas. O problema é que, conforme a história avança, começam a surgir situações cada vez mais absurdas que não foram muito bem construídas nem executadas. Aí a naturalidade inicial vai se perdendo e o filme começa a exigir um pouco mais de boa vontade. O roteiro é fraco e não desenvolve tão bem as próprias ideias, mas a proposta funciona o suficiente para manter alguma curiosidade mesmo que limitada por uma história que não consegue acompanhar a própria premissa.
O que salva: os atores, incluindo o trabalho corporal dos figurantes como zumbis, e uma produção até competente para um filme de baixo orçamento. Tem uns efeitos de sangue que poderiam facilmente ter ficado péssimos, mas estranhamente achei charmosos, com uma estética meio retrô de videogame. De resto, quase nada funciona. O roteiro é bem fraco e a direção pouco inspirada. A história não cativa e, por mais que os atores se esforcem, fica difícil criar qualquer conexão com os personagens ou acreditar nas relações entre eles quando o próprio roteiro não oferece estofo suficiente para isso. No fim, parece um filme que tinha condições técnicas para ser bem melhor, mas foi o que teve pra hoje.
Achei excelente. Estranho, grotesco, incômodo e, ao mesmo tempo, muito humano. Um daqueles filmes em que o absurdo parte de algo bastante comum e vai revelando uma coisa muito mais sombria por baixo. O final não é exatamente aberto, mas bastante sugestivo, e cheguei a algumas possíveis explicações [no spoiler]. É um terror psicológico com elementos de body horror e terror sobrenatural, gêneros que não costumam andar juntos, mas que aqui se complementam muito bem, levando uma situação aparentemente banal a lugares quase inimagináveis. Gostei muito de como o filme consegue ficar cada vez mais absurdo sem perder a conexão com aquilo que foi apresentado no início. Quando você percebe onde aquela premissa chegou, é quase inacreditável, mas ainda faz sentido dentro da lógica construída.
Minha leitura é que aquele desejo da Hana já existia muito antes de ela tomar a pílula da Bertha. Ela já flertava com essa vontade, ainda que de forma menos explícita. A Bertha, então, talvez não tenha despertado aquela “fome”, mas feito justamente o contrário. Ou seja, direcionado essa compulsão para a comida como uma forma de impedir que Hana seguisse o desejo que realmente carregava. Lembrando que a amiga da Bertha disse que ela era boa. Quando Hana finalmente consegue se livrar da Bertha e recebe praticamente uma segunda chance de vida, ela não está apenas livre da entidade. Está também livre daquilo que mantinha esse desejo sob controle. E o final sugere que, dessa vez, ela decide vivê-lo sem amarras. Quando mostra ela se deleciando com a mulher, o olho dela aparece normal, indicando que era ela mesma. Se for essa a intenção, acho ainda mais perturbador, porque transforma boa parte do que vimos antes: talvez Bertha nunca tenha sido a pior coisa dentro dela.
Essa série é sensacional! Ainda acho que os três primeiros episódios desta temporada são praticamente irrelevantes e poderiam ser resumidos em uns 20 minutos. A história da perda de memória me pareceu claramente uma forma de atrasar a trama e encher episódios. Isso também acontece com outros plots, como o do Lukas e os túneis. Depois inventaram mais um personagem para completar praticamente a mesma linha narrativa. Algumas decisões parecem existir mais para esticar a série do que porque a história realmente precisava delas. Mas, tirando essas barrigadinhas que praticamente toda série acaba tendo, Silo continua excelente. A produção é muito boa, os atores seguram muito bem seus personagens, o elenco é cativante e os mistérios continuam interessantes o suficiente para me deixar querendo saber cada vez mais sobre aquele mundo. Mesmo quando enrola, ainda consegue me prender. Para mim, segue sendo uma das melhores séries de ficção científica atuais. Ansioso pela próxima temporada.
Amei. Me prendeu do começo ao fim, tanto pela história quanto pela forma como vai revelando suas ideias aos poucos. Ryan Gosling é um baita ator. Ele carrega o filme com carisma, vulnerabilidade, tensão e humor muito bem equilibrados, mesmo em momentos absurdos, sem transformar tudo em piada. Gostei também de como a ciência entra na narrativa de forma ficcional, mas divertida. Só confesso que a parte científica às vezes me dava um pequeno nervoso justamente porque conheço algumas daquelas coisas na prática. Em determinado momento, por exemplo, ele coloca dois tubos do mesmo lado de uma centrífuga e meu cérebro imediatamente saiu do filme para pensar: “vai desbalancear esse negócio!” hehe. É uma bobagem, mas quem já trabalhou com isso sabe que é uma situação bem real. E, sinceramente, é impressionante um filme conseguir me fazer chorar por causa de uma pedra. Isso diz muito sobre como a relação entre os personagens é bem construída. Para mim, funcionou praticamente em tudo. Fácil um dos melhores filmes que vi esse ano.
É um filme de terror psicológico com elementos de terror cósmico e existencial. Tem um ritmo lento, contemplativo e com pouca ação. Quem gosta de muita coisa acontecendo provavelmente vai sofrer um pouco aqui. O conceito é bem original, a fotografia funciona muito bem e achei especialmente inteligente a divisão da narrativa. Mais do que pelo que o filme é, e ele é muito bom, o principal problema, para mim, está no que ele poderia ter sido. A partir do segundo ato, perde força com diálogos que vão se tornando pouco relevantes para aquilo que vinha sendo construído, justamente quando parecia abrir espaço para aprofundar melhor suas ideias, teorias e temas. Ali havia uma ótima oportunidade de aprofundar algumas das teorias que o próprio filme começa a sugerir e trabalhar melhor com questões de perda de identidade, paranoia e percepção da realidade. Ainda assim, assistir a It Ends foi uma experiência bastante curiosa e criativa. É um filme que desperdiça parte do próprio potencial, mas tem ideias boas o suficiente para continuar reverberando depois que termina.
Até o episódio 6 da 3ª temporada de Silo, o que mais me incomodou foi a inconsistência com algumas regras estabelecidas nas temporadas anteriores. Durante as duas primeiras temporadas, era repetido que quem entrava nas minas não saía mais. O caso do Lukas Kyle, inclusive, foi tratado como uma exceção justamente porque ninguém tinha visto alguém voltar de lá. Agora descobrimos que o pai do Knox entrava e saía das minas aparentemente sem grandes problemas. E, se elas eram realmente tão perigosas quanto sempre deram a entender, fica estranho ver todo mundo entrando e saindo de boa. Outra coisa que não fecha para mim é o caso do próprio Lukas. Ele ficou nas minas por apenas um dia, até o Bernard tirá-lo de lá. Então não faz muito sentido agora tratarem como se ele tivesse descoberto toda aquela história dos túneis durante o período em que esteve lá. A menos que ainda exista alguma informação que não foi revelada, parece uma contradição com o que a própria série havia estabelecido.
É um filme de monstro com alma noventista, divertido e sem muita preocupação em ser sofisticado. Tem aquela mistura de gore, humor, personagens caricatos e situações absurdas que funciona justamente porque o filme abraça completamente a própria proposta.
Vi o desenho há muito tempo e já não me lembro tão bem dos detalhes, mas tive a impressão de que essa temporada acena muito mais para a história e o espírito da obra original. Eu gostei bastante. É uma pena que aparentemente não esteja tendo a audiência esperada. E acho curioso que parte da resistência venha justamente dos próprios fãs da animação original. Existe uma parcela do fandom que parece ter uma relação tão rígida com a obra que qualquer mudança é um problema. Fica difícil uma adaptação encontrar espaço para existir por conta própria. Para mim, pelo menos, funcionou. Não preciso que seja uma cópia perfeita da animação, desde que respeite sua essência e consiga construir algo interessante a partir dela, como acho que está sendo feito aqui. Ainda mais considerando as limitações de uma adaptação live-action, inclusive tecnológicas e orçamentárias. Nesse aspecto, aliás, acho que a série entrega muito bem o que se propõe.
É uma produção simples e de orçamento claramente limitado, mas que soube trabalhar muito bem com o que tinha. O que realmente sustenta o filme é a dinâmica entre os dois protagonistas, que consegue manter tudo interessante mesmo quando não está acontecendo muita coisa. Os atores mandam bem e ajudam bastante nisso. Até os zumbis funcionam pela simplicidade. Parecem menos “monstros de filme de zumbi” e mais pessoas que morreram recentemente e simplesmente voltaram a andar por aí. A maquiagem é quase inexistente e o trabalho corporal não tem nada de muito elaborado, mas, estranhamente, me convenceu. Não traz praticamente nada de novo para o gênero, mas consegue ter uma personalidade própria que me cativou.
Tem que ver na língua original com legenda. A versão dublada perde muito. É um bom filme de desastre/apocalipse e, sinceramente, não fica devendo nada para muita produção americana média do gênero. A escala da destruição funciona, os efeitos cumprem bem seu papel e o filme consegue transmitir aquela sensação de caos crescente que eu espero desse tipo de produção. A parte emocional, principalmente envolvendo as relações familiares, achei um pouco desajeitada e às vezes até forçada. Mas reconheço que tenho pouca paciência para esse tipo de drama em filmes de desastre. Não reinventa absolutamente nada, mas entrega bem o que se propõe. Gostei.
Acho que adaptar Backrooms para um longa já é complicado por natureza. O lado positivo é que seu próprio criador está completamente envolvido no filme e conseguiu fazer mais do que um simples aceno aos curtas, dando início à construção de um universo um pouco mais "coerente" em meio a toda a mitologia que foi se expandindo pela internet. O filme preserva bastante da atmosfera dos curtas, mas tive a sensação de que tenta explicar demais através dos diálogos e pouco pela própria narrativa. Os curtas sempre tiveram seus absurdos, mas parte do que foi construído aqui, principalmente em torno do monstro, não funcionou muito para mim. Algumas explicações e acontecimentos acabam diminuindo justamente a estranheza, e nem tudo que foi acrescentado à mitologia me pareceu necessário. Ainda assim, gostei.
É um filme bem legal, na linha de Casamento Sangrento, misturando terror, gore, comédia e ação de forma bastante equilibrada. O filme abraça o absurdo sem tentar se levar a sério demais, criando situações cada vez mais exageradas. A história não é nenhuma revolução no gênero, mas também nem precisa ser. Sabe quando fazer graça, quando partir para a violência e quando simplesmente deixar o caos tomar conta. No fim, é aquele tipo de filme que sabe exatamente o que quer ser e entrega a proposta sem muita enrolação. Violento, absurdo, engraçado e muito divertido. Me ganhou justamente por isso.
Gostei, mas de todos dessa fase mais recente da franquia, achei esse o mais fraco. E ser o pior entre filmes bons ainda está longe de significar que seja ruim. Tem tudo que espero de Evil Dead: violência exagerada, muito sangue, possessões grotescas, humor macabro e aquela completa falta de medo de passar do limite. O problema é que, dessa vez, senti tudo um pouco mais mecânico. Ainda assim, me diverti. Os efeitos práticos continuam sendo um dos grandes prazeres dessa franquia e quando o filme resolve abraçar o caos, funciona muito bem. Talvez eu esteja cobrando demais porque os anteriores elevaram muito a régua. No fim, é um bom Evil Dead, só não achei um ótimo Evil Dead. E 3,5 para o que considero o mais fraco dessa nova fase diz bastante sobre o quanto essa franquia ainda consegue me ganhar.
A proposta parece ser uma espécie de Hitman com zumbis, inclusive sem sutileza, já que The Hitman: Undead é um dos títulos alternativos do filme. O ator principal me tirou completamente do filme. A atuação é muito ruim e, considerando que praticamente toda a história depende dele, fica difícil salvar alguma coisa. A história também não ajuda: é genérica, clichê e batida tanto para filmes de zumbi quanto para qualquer pós-apocalíptico. Mas o que mais me incomodou foi a narração em pensamento do protagonista o tempo inteiro. Parece que, como o ator e as próprias cenas não conseguem transmitir sentimentos, o roteiro precisa literalmente contar para o espectador cada emoção, pensamento e motivação. E isso só evidencia ainda mais a falta de emoção tornando tudo cansativo e muito chato. É aquele clássico problema do "contar em vez de mostrar". Foi um filme difícil de terminar aff.
Hungerford 2 / The Darkest Dawn (2016) a “continuação” de Hungerford (2014), agora com outros personagens, parece ter uma produção um pouco mais caprichada, mas acaba seguindo praticamente pelo mesmo caminho do primeiro. Tem boas ideias e até parece que vai aproveitar melhor a premissa, mas o resultado continua aquém do potencial. Daria umas 2,5 estrelas tranquilamente, mas dei um pouco mais só para ajudar a subir essa média, porque também não merece estar abaixo de 2.
Uma coleção de boas ideias soltas, perdidas em uma produção que parece ter custado um pastel com caldo de cana. Considerando as enormes limitações de orçamento e a época em que foi feito, até que bastante coisa funciona. Os atores não são ruins, a direção não é ruim e a história também não é ruim. O problema é que, quando tudo isso se junta, o resultado final simplesmente não ficou lá essas coisas. Talvez seja justamente por isso que dá uma certa frustração, porque existe potencial. Com um orçamento um pouco maior, efeitos melhores e alguns bons ajustes no roteiro, essa mesma premissa poderia render um filme mais interessante hoje. Daria umas 2,5 estrelas tranquilamente, mas dei um pouco mais só para ajudar a subir essa média, porque também não merece estar abaixo de 2.
Vi alguém dizendo em algum lugar que um filme pode até deixar algumas perguntas sem resposta, mas precisa necessariamente chegar a algum lugar. Acho que esse é um bom exemplo de que isso nem sempre é verdade. De fato é um filme bastante contemplativo, que não parece preocupado em entregar respostas ou amarrar tudo, mas em explorar uma situação e as pessoas inseridas nela. Gostei bastante da estrutura e da maneira como aborda a sobrevivência em um cenário restrito, mas familiar e ao mesmo tempo caótico. Famílias tentando sobreviver em meio ao "fim do mundo" não são exatamente uma novidade, mas o filme encontra um jeito próprio de trabalhar esse tema, principalmente ao colocar o foco menos no acontecimento em si e mais nas relações, escolhas e consequências da sobrevivência. E Wagner Moura está excelente! Ele consegue carregar muito do peso emocional do filme e mostra mais uma vez o baita ator que é. Dá orgulho de ver um brasileiro entregando uma atuação desse nível em uma produção assim.
É um terror de estrada meio clichê, com clara inspiração em 'Olhos Famintos' e filmes do estilo. A premissa, que à primeira vista parece interessante, perde força logo nos primeiros minutos. O maior problema é a construção do próprio universo. O filme estabelece regras confusas e muito dispersas, que mudam conforme a conveniência do roteiro. Em um momento algo é tratado como uma regra absoluta; no seguinte, já "não era bem assim". Essa falta de consistência faz com que a ameaça perca impacto e a narrativa deixe de ser fluída. No fim das contas, as perseguições acontecem porque o roteiro precisa que aconteça. Os personagens descobrem informações porque o roteiro quer, escapam porque o roteiro quer e tomam decisões que raramente parecem motivadas pelo que está acontecendo. Fica a sensação de que os acontecimentos não são consequência das escolhas dos personagens, mas apenas engrenagens movidas para levar a história até o próximo ponto. O resultado é um filme que tinha uma ideia razoável, mas não consegue desenvolvê-la de forma convincente.
Não é um filme horroroso. Dito isso, sofre do mesmo problema de muitas produções de zumbi: boas ideias que se diluem em um roteiro mal executado e uma direção sem personalidade. O mais curioso é que estamos falando do mesmo diretor de Train to Busan, um dos melhores filmes de zumbi já feitos na minha opinião. Para mim, os efeitos até funcionam bem. Já os someliers de CGI provavelmente vão detestar. O elenco também entrega boas atuações e, em vários momentos, é o que sustenta o filme quando tudo começa a desandar da metade para o final. O maior problema é que o roteiro perde completamente a mão. As decisões dos personagens ficam cada vez mais difíceis de comprar, a montagem parece entrar em colapso, com cenas que claramente fariam mais sentido se estivessem em outra ordem, e a narrativa vai perdendo toda a tensão que havia construído. A ação desenfreada do último ato, que tinha potencial para ser o ponto alto do filme, acaba se tornando irrelevante diante da bagunça e do vazio em que a história já havia se transformado. No fim, fica a sensação de que existia um filme muito melhor escondido ali. Ainda assim, está longe de ser o desastre que algumas pessoas estão pintando. Para quem gosta de filmes de zumbi, continua rendendo uma sessão divertida, mesmo que fique bem abaixo do potencial que sua premissa e seu diretor sugeriam.
Gostei bastante. É um documentário sobrenatural que, assim como a série Hellier, 2019 (do mesmo casal de "caça fantasmas"), funciona pela atmosfera e pelo acompanhamento de uma investigação paranormal, e não pela necessidade de convencer o espectador de que tudo aquilo é real. Achei esse doc melhor do que a série citada anteriormente. Os envolvidos são carismáticos, a investigação flui de forma natural e a curiosidade em descobrir o que realmente está acontecendo me prendeu do início ao fim. A produção trata o tema com seriedade, sem cair no sensacionalismo, o que tornou a experiência muito mais envolvente para mim. Aqui o caso leva a exploração de aspectos psicológicos e culturais do suposto item assombrado. Em vez de oferecer respostas prontas, levanta perguntas e abre espaço para diferentes interpretações. Quem busca uma comprovação definitiva provavelmente vai se frustrar, mas quem gosta de acompanhar investigações sobre o desconhecido deve aproveitar bastante. Independentemente de acreditar ou não nas conclusões, achei uma experiência muito interessante e um ótimo documentário para quem gosta de investigações paranormais e mistérios rechados de simbologias.
O Fim da Rua
3.1 221Às vezes me canso de ouvir, e até de dizer, que um filme poderia ter sido isso ou aquilo. Afinal, se a gente for avaliar uma obra apenas pelo que gostaria que ela tivesse sido, praticamente nenhuma vai escapar. Então, deixando de lado as minhas expectativas e olhando para o que o filme realmente entrega, achei uma aventura familiar água com açúcar, daquelas que passariam na Sessão da Tarde antigamente.
O que realmente me incomodou foi o tom. Tem momentos em que o filme se leva a sério demais e outros em que cai completamente na galhofa. Certas vezes parecia que os acontecimentos foram decididos no dado e depois encaixados à força para que tudo desse convenientemente certo.
A ideia central é sensacional e a produção tem seus méritos. Os atores convencem, os efeitos funcionam muito bem e gostei bastante dos dinossauros com uma aparência mais realista. Apesar de não transmitirem todo o peso que eu esperava, tanto a interação deles com os humanos quanto entre si ficou ótima. Em alguns momentos, o filme até me lembrou aquelas aventuras que misturam o cotidiano com o extraordinário, como Jurassic Park e Jumanji, embora esteja longe de alcançar o impacto desses clássicos.
Considerando tudo fiquei com a sensação de ter assistido a uma aventura familiar bastante genérica construída em cima de uma ideia muito interessante. E olha eu aqui, de novo, pensando no que o filme poderia ter sido.
The Lost Footage of Leah Sullivan
2.8 4 Assista AgoraUm ótimo found footage que mistura muito bem o formato com uma pegada de falso documentário investigativo. A personagem principal é muito cativante e, mesmo quando toma decisões não exatamente inteligentes, elas parecem naturais porque ela foi bem construída. Não tive aquela sensação comum no gênero de que o personagem está fazendo alguma idiotice apenas porque o roteiro precisa que ele faça. Os outros personagens também conseguem transmitir bastante, mesmo aparecendo pouco. Dá para sentir o peso das histórias, das personalidades e das relações entre eles, o que ajuda muito a dar veracidade ao formato. O final não vem mastigadinho e gostei disso. O filme terminou, mas ficou na minha cabeça, então fui atrás de outras interpretações para ver se algumas das explicações que imaginei faziam sentido. E existem várias pistas espalhadas pelo filme que tornam algumas particularmente interessantes (no spoiler).
A explicação que mais me convenceu é que talvez não houvesse nada necessariamente sobrenatural na casa. Edward, o filho cujo corpo nunca foi encontrado, teria sido o responsável pelo massacre da própria família e continuado vivendo escondido ali durante todos aqueles anos.
Algumas das principais pistas aparecem nas entrevistas. A tia comenta que Edward (a criança menor), era uma criança problemática e fica claramente desconfortável quando fala sobre ele. Isso pode sugerir que havia comportamentos perturbadores que, olhando em retrospecto, talvez fossem sinais de algo muito mais sério.
Já a prima de Joseph (o pa) fala sobre como ele era paranoico, estranho e obcecado com a possibilidade de uma guerra nuclear. Esse detalhe parece bastante importante considerando que a família morreu em 1986, ainda durante a Guerra Fria. A teoria é que Joseph poderia ter construído um abrigo nuclear escondido sob a casa. Isso explicaria os barulhos recorrentes de batidas e arranhões e até a possibilidade de Edward se movimentar pela propriedade sem ser visto.
As evidências da cena do crime talvez sejam ainda mais fortes. Edward foi o único membro da família cujo corpo nunca apareceu e também é o único nome ausente da lista de vítimas encontrada na casa. A ideia seria que ele matou a própria família, amputou o braço para forjar a própria morte e passou décadas escondido naquele abrigo.
Isso também ajuda a explicar vários detalhes menores. As roupas femininas encontradas na casa, principalmente os vestidos de Rebecca, poderiam ser simplesmente o que restou para ele usar. Algumas inclusive estavam faltando dos cabides. Os alimentos abertos também poderiam indicar que alguém ainda vivia ali. Como a ideia é um abrigo nuclear, com certeza existiam alimentos para muitos anos lá. E, no final, quando Leah é arrastada para longe do carro, é possível ouvir algo parecido com uma porta de porão ou abrigo sendo aberta e fechada enquanto ela pergunta para onde está sendo levada.
Então minha leitura principal é basicamente essa: Edward já apresentava comportamentos perturbadores, matou a família, simulou a própria morte e passou todos aqueles anos escondido no abrigo construído pelo pai, matando quem se aproximava demais da verdade.
Mas ainda dentro dessa mesma explicação existe espaço para algo sobrenatural. Nada explica completamente a fixação do pai com aquela figura nem a possibilidade de ele realmente conseguir ver o futuro. Talvez ele de fato tivesse essa capacidade, mas tenha interpretado suas visões de forma equivocada e acabado criando um paradoxo: ao tentar evitar aquilo que viu, construiu justamente as condições para que aquela figura, que no futuro seria o próprio filho, viesse a existir.
Também existe a possibilidade de a figura ser uma assombração real e, de alguma forma, ter se apossado de Edward, fazendo com que todo o restante da teoria continuasse válido. Talvez até essas interpretações não sejam excludentes e possam coexistir.
Não sei se alguma dessas é necessariamente a explicação “correta”, mas é justamente isso que torna o final tão interessante. O filme abre espaço para diferentes leituras, mas não de maneira completamente aleatória. Existem pistas que permitem sustentar cada interpretação. É muito bom quando um filme deixa margem para discussão sem simplesmente abandonar o espectador diante de um final inexplicável.
Deadware
2.2 9 Assista AgoraPara um found footage todo passado em uma tela de computador, não é de todo ruim. Em vários momentos, a interação entre os personagens parece natural e ajuda bastante na imersão, dando a sensação de que estamos realmente acompanhando uma conversa entre duas pessoas. O problema é que, conforme a história avança, começam a surgir situações cada vez mais absurdas que não foram muito bem construídas nem executadas. Aí a naturalidade inicial vai se perdendo e o filme começa a exigir um pouco mais de boa vontade. O roteiro é fraco e não desenvolve tão bem as próprias ideias, mas a proposta funciona o suficiente para manter alguma curiosidade mesmo que limitada por uma história que não consegue acompanhar a própria premissa.
Perseguição Zumbi
1.7 28 Assista AgoraO que salva: os atores, incluindo o trabalho corporal dos figurantes como zumbis, e uma produção até competente para um filme de baixo orçamento. Tem uns efeitos de sangue que poderiam facilmente ter ficado péssimos, mas estranhamente achei charmosos, com uma estética meio retrô de videogame. De resto, quase nada funciona. O roteiro é bem fraco e a direção pouco inspirada. A história não cativa e, por mais que os atores se esforcem, fica difícil criar qualquer conexão com os personagens ou acreditar nas relações entre eles quando o próprio roteiro não oferece estofo suficiente para isso. No fim, parece um filme que tinha condições técnicas para ser bem melhor, mas foi o que teve pra hoje.
Insaciável
3.0 68Achei excelente. Estranho, grotesco, incômodo e, ao mesmo tempo, muito humano. Um daqueles filmes em que o absurdo parte de algo bastante comum e vai revelando uma coisa muito mais sombria por baixo. O final não é exatamente aberto, mas bastante sugestivo, e cheguei a algumas possíveis explicações [no spoiler]. É um terror psicológico com elementos de body horror e terror sobrenatural, gêneros que não costumam andar juntos, mas que aqui se complementam muito bem, levando uma situação aparentemente banal a lugares quase inimagináveis. Gostei muito de como o filme consegue ficar cada vez mais absurdo sem perder a conexão com aquilo que foi apresentado no início. Quando você percebe onde aquela premissa chegou, é quase inacreditável, mas ainda faz sentido dentro da lógica construída.
Minha leitura é que aquele desejo da Hana já existia muito antes de ela tomar a pílula da Bertha. Ela já flertava com essa vontade, ainda que de forma menos explícita. A Bertha, então, talvez não tenha despertado aquela “fome”, mas feito justamente o contrário. Ou seja, direcionado essa compulsão para a comida como uma forma de impedir que Hana seguisse o desejo que realmente carregava. Lembrando que a amiga da Bertha disse que ela era boa. Quando Hana finalmente consegue se livrar da Bertha e recebe praticamente uma segunda chance de vida, ela não está apenas livre da entidade. Está também livre daquilo que mantinha esse desejo sob controle. E o final sugere que, dessa vez, ela decide vivê-lo sem amarras. Quando mostra ela se deleciando com a mulher, o olho dela aparece normal, indicando que era ela mesma. Se for essa a intenção, acho ainda mais perturbador, porque transforma boa parte do que vimos antes: talvez Bertha nunca tenha sido a pior coisa dentro dela.
Silo (3ª Temporada)
4.1 75 Assista AgoraEssa série é sensacional! Ainda acho que os três primeiros episódios desta temporada são praticamente irrelevantes e poderiam ser resumidos em uns 20 minutos. A história da perda de memória me pareceu claramente uma forma de atrasar a trama e encher episódios. Isso também acontece com outros plots, como o do Lukas e os túneis. Depois inventaram mais um personagem para completar praticamente a mesma linha narrativa. Algumas decisões parecem existir mais para esticar a série do que porque a história realmente precisava delas. Mas, tirando essas barrigadinhas que praticamente toda série acaba tendo, Silo continua excelente. A produção é muito boa, os atores seguram muito bem seus personagens, o elenco é cativante e os mistérios continuam interessantes o suficiente para me deixar querendo saber cada vez mais sobre aquele mundo. Mesmo quando enrola, ainda consegue me prender. Para mim, segue sendo uma das melhores séries de ficção científica atuais. Ansioso pela próxima temporada.
Devoradores de Estrelas
4.0 798 Assista AgoraAmei. Me prendeu do começo ao fim, tanto pela história quanto pela forma como vai revelando suas ideias aos poucos. Ryan Gosling é um baita ator. Ele carrega o filme com carisma, vulnerabilidade, tensão e humor muito bem equilibrados, mesmo em momentos absurdos, sem transformar tudo em piada. Gostei também de como a ciência entra na narrativa de forma ficcional, mas divertida. Só confesso que a parte científica às vezes me dava um pequeno nervoso justamente porque conheço algumas daquelas coisas na prática. Em determinado momento, por exemplo, ele coloca dois tubos do mesmo lado de uma centrífuga e meu cérebro imediatamente saiu do filme para pensar: “vai desbalancear esse negócio!” hehe. É uma bobagem, mas quem já trabalhou com isso sabe que é uma situação bem real. E, sinceramente, é impressionante um filme conseguir me fazer chorar por causa de uma pedra. Isso diz muito sobre como a relação entre os personagens é bem construída. Para mim, funcionou praticamente em tudo. Fácil um dos melhores filmes que vi esse ano.
It Ends
2.5 40É um filme de terror psicológico com elementos de terror cósmico e existencial. Tem um ritmo lento, contemplativo e com pouca ação. Quem gosta de muita coisa acontecendo provavelmente vai sofrer um pouco aqui. O conceito é bem original, a fotografia funciona muito bem e achei especialmente inteligente a divisão da narrativa. Mais do que pelo que o filme é, e ele é muito bom, o principal problema, para mim, está no que ele poderia ter sido. A partir do segundo ato, perde força com diálogos que vão se tornando pouco relevantes para aquilo que vinha sendo construído, justamente quando parecia abrir espaço para aprofundar melhor suas ideias, teorias e temas. Ali havia uma ótima oportunidade de aprofundar algumas das teorias que o próprio filme começa a sugerir e trabalhar melhor com questões de perda de identidade, paranoia e percepção da realidade. Ainda assim, assistir a It Ends foi uma experiência bastante curiosa e criativa. É um filme que desperdiça parte do próprio potencial, mas tem ideias boas o suficiente para continuar reverberando depois que termina.
Silo (3ª Temporada)
4.1 75 Assista AgoraAté o episódio 6 da 3ª temporada de Silo, o que mais me incomodou foi a inconsistência com algumas regras estabelecidas nas temporadas anteriores. Durante as duas primeiras temporadas, era repetido que quem entrava nas minas não saía mais. O caso do Lukas Kyle, inclusive, foi tratado como uma exceção justamente porque ninguém tinha visto alguém voltar de lá. Agora descobrimos que o pai do Knox entrava e saía das minas aparentemente sem grandes problemas. E, se elas eram realmente tão perigosas quanto sempre deram a entender, fica estranho ver todo mundo entrando e saindo de boa. Outra coisa que não fecha para mim é o caso do próprio Lukas. Ele ficou nas minas por apenas um dia, até o Bernard tirá-lo de lá. Então não faz muito sentido agora tratarem como se ele tivesse descoberto toda aquela história dos túneis durante o período em que esteve lá. A menos que ainda exista alguma informação que não foi revelada, parece uma contradição com o que a própria série havia estabelecido.
Banquete no Inferno
2.9 197 Assista AgoraÉ um filme de monstro com alma noventista, divertido e sem muita preocupação em ser sofisticado. Tem aquela mistura de gore, humor, personagens caricatos e situações absurdas que funciona justamente porque o filme abraça completamente a própria proposta.
Avatar: O Último Mestre do Ar (2ª Temporada)
3.6 38 Assista AgoraVi o desenho há muito tempo e já não me lembro tão bem dos detalhes, mas tive a impressão de que essa temporada acena muito mais para a história e o espírito da obra original. Eu gostei bastante. É uma pena que aparentemente não esteja tendo a audiência esperada. E acho curioso que parte da resistência venha justamente dos próprios fãs da animação original. Existe uma parcela do fandom que parece ter uma relação tão rígida com a obra que qualquer mudança é um problema. Fica difícil uma adaptação encontrar espaço para existir por conta própria. Para mim, pelo menos, funcionou. Não preciso que seja uma cópia perfeita da animação, desde que respeite sua essência e consiga construir algo interessante a partir dela, como acho que está sendo feito aqui. Ainda mais considerando as limitações de uma adaptação live-action, inclusive tecnológicas e orçamentárias. Nesse aspecto, aliás, acho que a série entrega muito bem o que se propõe.
Ben & Mickey Contra os Mortos
3.2 78 Assista AgoraÉ uma produção simples e de orçamento claramente limitado, mas que soube trabalhar muito bem com o que tinha. O que realmente sustenta o filme é a dinâmica entre os dois protagonistas, que consegue manter tudo interessante mesmo quando não está acontecendo muita coisa. Os atores mandam bem e ajudam bastante nisso. Até os zumbis funcionam pela simplicidade. Parecem menos “monstros de filme de zumbi” e mais pessoas que morreram recentemente e simplesmente voltaram a andar por aí. A maquiagem é quase inexistente e o trabalho corporal não tem nada de muito elaborado, mas, estranhamente, me convenceu. Não traz praticamente nada de novo para o gênero, mas consegue ter uma personalidade própria que me cativou.
12 Horas Para o Fim do Mundo
2.5 35 Assista AgoraTem que ver na língua original com legenda. A versão dublada perde muito. É um bom filme de desastre/apocalipse e, sinceramente, não fica devendo nada para muita produção americana média do gênero. A escala da destruição funciona, os efeitos cumprem bem seu papel e o filme consegue transmitir aquela sensação de caos crescente que eu espero desse tipo de produção. A parte emocional, principalmente envolvendo as relações familiares, achei um pouco desajeitada e às vezes até forçada. Mas reconheço que tenho pouca paciência para esse tipo de drama em filmes de desastre. Não reinventa absolutamente nada, mas entrega bem o que se propõe. Gostei.
Backrooms: Um Não-Lugar
3.2 460 Assista AgoraAcho que adaptar Backrooms para um longa já é complicado por natureza. O lado positivo é que seu próprio criador está completamente envolvido no filme e conseguiu fazer mais do que um simples aceno aos curtas, dando início à construção de um universo um pouco mais "coerente" em meio a toda a mitologia que foi se expandindo pela internet. O filme preserva bastante da atmosfera dos curtas, mas tive a sensação de que tenta explicar demais através dos diálogos e pouco pela própria narrativa. Os curtas sempre tiveram seus absurdos, mas parte do que foi construído aqui, principalmente em torno do monstro, não funcionou muito para mim. Algumas explicações e acontecimentos acabam diminuindo justamente a estranheza, e nem tudo que foi acrescentado à mitologia me pareceu necessário. Ainda assim, gostei.
Eles Vão Te Matar
3.1 274 Assista AgoraÉ um filme bem legal, na linha de Casamento Sangrento, misturando terror, gore, comédia e ação de forma bastante equilibrada. O filme abraça o absurdo sem tentar se levar a sério demais, criando situações cada vez mais exageradas.
A história não é nenhuma revolução no gênero, mas também nem precisa ser. Sabe quando fazer graça, quando partir para a violência e quando simplesmente deixar o caos tomar conta. No fim, é aquele tipo de filme que sabe exatamente o que quer ser e entrega a proposta sem muita enrolação. Violento, absurdo, engraçado e muito divertido. Me ganhou justamente por isso.
A Morte do Demônio: Em Chamas
3.2 285 Assista AgoraGostei, mas de todos dessa fase mais recente da franquia, achei esse o mais fraco. E ser o pior entre filmes bons ainda está longe de significar que seja ruim. Tem tudo que espero de Evil Dead: violência exagerada, muito sangue, possessões grotescas, humor macabro e aquela completa falta de medo de passar do limite. O problema é que, dessa vez, senti tudo um pouco mais mecânico. Ainda assim, me diverti. Os efeitos práticos continuam sendo um dos grandes prazeres dessa franquia e quando o filme resolve abraçar o caos, funciona muito bem. Talvez eu esteja cobrando demais porque os anteriores elevaram muito a régua. No fim, é um bom Evil Dead, só não achei um ótimo Evil Dead. E 3,5 para o que considero o mais fraco dessa nova fase diz bastante sobre o quanto essa franquia ainda consegue me ganhar.
O Motorista
1.7 23 Assista AgoraA proposta parece ser uma espécie de Hitman com zumbis, inclusive sem sutileza, já que The Hitman: Undead é um dos títulos alternativos do filme. O ator principal me tirou completamente do filme. A atuação é muito ruim e, considerando que praticamente toda a história depende dele, fica difícil salvar alguma coisa. A história também não ajuda: é genérica, clichê e batida tanto para filmes de zumbi quanto para qualquer pós-apocalíptico. Mas o que mais me incomodou foi a narração em pensamento do protagonista o tempo inteiro. Parece que, como o ator e as próprias cenas não conseguem transmitir sentimentos, o roteiro precisa literalmente contar para o espectador cada emoção, pensamento e motivação. E isso só evidencia ainda mais a falta de emoção tornando tudo cansativo e muito chato. É aquele clássico problema do "contar em vez de mostrar". Foi um filme difícil de terminar aff.
O Amanhecer Mais Escuro
1.7 34Hungerford 2 / The Darkest Dawn (2016) a “continuação” de Hungerford (2014), agora com outros personagens, parece ter uma produção um pouco mais caprichada, mas acaba seguindo praticamente pelo mesmo caminho do primeiro. Tem boas ideias e até parece que vai aproveitar melhor a premissa, mas o resultado continua aquém do potencial. Daria umas 2,5 estrelas tranquilamente, mas dei um pouco mais só para ajudar a subir essa média, porque também não merece estar abaixo de 2.
Hungerford
1.6 44Uma coleção de boas ideias soltas, perdidas em uma produção que parece ter custado um pastel com caldo de cana. Considerando as enormes limitações de orçamento e a época em que foi feito, até que bastante coisa funciona. Os atores não são ruins, a direção não é ruim e a história também não é ruim. O problema é que, quando tudo isso se junta, o resultado final simplesmente não ficou lá essas coisas. Talvez seja justamente por isso que dá uma certa frustração, porque existe potencial. Com um orçamento um pouco maior, efeitos melhores e alguns bons ajustes no roteiro, essa mesma premissa poderia render um filme mais interessante hoje. Daria umas 2,5 estrelas tranquilamente, mas dei um pouco mais só para ajudar a subir essa média, porque também não merece estar abaixo de 2.
A Casa do Dragão (3ª Temporada)
3.7 156 Assista AgoraPra mim essa foi a melhor temporada. O último episódio foi execelente.
A Última Casa
2.6 384 Assista AgoraVi alguém dizendo em algum lugar que um filme pode até deixar algumas perguntas sem resposta, mas precisa necessariamente chegar a algum lugar. Acho que esse é um bom exemplo de que isso nem sempre é verdade. De fato é um filme bastante contemplativo, que não parece preocupado em entregar respostas ou amarrar tudo, mas em explorar uma situação e as pessoas inseridas nela. Gostei bastante da estrutura e da maneira como aborda a sobrevivência em um cenário restrito, mas familiar e ao mesmo tempo caótico. Famílias tentando sobreviver em meio ao "fim do mundo" não são exatamente uma novidade, mas o filme encontra um jeito próprio de trabalhar esse tema, principalmente ao colocar o foco menos no acontecimento em si e mais nas relações, escolhas e consequências da sobrevivência. E Wagner Moura está excelente! Ele consegue carregar muito do peso emocional do filme e mostra mais uma vez o baita ator que é. Dá orgulho de ver um brasileiro entregando uma atuação desse nível em uma produção assim.
Passageiro do Mal
2.4 131É um terror de estrada meio clichê, com clara inspiração em 'Olhos Famintos' e filmes do estilo. A premissa, que à primeira vista parece interessante, perde força logo nos primeiros minutos. O maior problema é a construção do próprio universo. O filme estabelece regras confusas e muito dispersas, que mudam conforme a conveniência do roteiro. Em um momento algo é tratado como uma regra absoluta; no seguinte, já "não era bem assim". Essa falta de consistência faz com que a ameaça perca impacto e a narrativa deixe de ser fluída. No fim das contas, as perseguições acontecem porque o roteiro precisa que aconteça. Os personagens descobrem informações porque o roteiro quer, escapam porque o roteiro quer e tomam decisões que raramente parecem motivadas pelo que está acontecendo. Fica a sensação de que os acontecimentos não são consequência das escolhas dos personagens, mas apenas engrenagens movidas para levar a história até o próximo ponto. O resultado é um filme que tinha uma ideia razoável, mas não consegue desenvolvê-la de forma convincente.
Zona Zero
3.3 50Não é um filme horroroso. Dito isso, sofre do mesmo problema de muitas produções de zumbi: boas ideias que se diluem em um roteiro mal executado e uma direção sem personalidade. O mais curioso é que estamos falando do mesmo diretor de Train to Busan, um dos melhores filmes de zumbi já feitos na minha opinião. Para mim, os efeitos até funcionam bem. Já os someliers de CGI provavelmente vão detestar. O elenco também entrega boas atuações e, em vários momentos, é o que sustenta o filme quando tudo começa a desandar da metade para o final. O maior problema é que o roteiro perde completamente a mão. As decisões dos personagens ficam cada vez mais difíceis de comprar, a montagem parece entrar em colapso, com cenas que claramente fariam mais sentido se estivessem em outra ordem, e a narrativa vai perdendo toda a tensão que havia construído. A ação desenfreada do último ato, que tinha potencial para ser o ponto alto do filme, acaba se tornando irrelevante diante da bagunça e do vazio em que a história já havia se transformado. No fim, fica a sensação de que existia um filme muito melhor escondido ali. Ainda assim, está longe de ser o desastre que algumas pessoas estão pintando. Para quem gosta de filmes de zumbi, continua rendendo uma sessão divertida, mesmo que fique bem abaixo do potencial que sua premissa e seu diretor sugeriam.
The Unbinding
2.8 6Gostei bastante. É um documentário sobrenatural que, assim como a série Hellier, 2019 (do mesmo casal de "caça fantasmas"), funciona pela atmosfera e pelo acompanhamento de uma investigação paranormal, e não pela necessidade de convencer o espectador de que tudo aquilo é real. Achei esse doc melhor do que a série citada anteriormente. Os envolvidos são carismáticos, a investigação flui de forma natural e a curiosidade em descobrir o que realmente está acontecendo me prendeu do início ao fim. A produção trata o tema com seriedade, sem cair no sensacionalismo, o que tornou a experiência muito mais envolvente para mim. Aqui o caso leva a exploração de aspectos psicológicos e culturais do suposto item assombrado. Em vez de oferecer respostas prontas, levanta perguntas e abre espaço para diferentes interpretações. Quem busca uma comprovação definitiva provavelmente vai se frustrar, mas quem gosta de acompanhar investigações sobre o desconhecido deve aproveitar bastante. Independentemente de acreditar ou não nas conclusões, achei uma experiência muito interessante e um ótimo documentário para quem gosta de investigações paranormais e mistérios rechados de simbologias.