Na minha opinião, é a melhor adaptação live-action em longa-metragem de Resident Evil até agora e uma das que melhor consegue capturar a atmosfera de alguns jogos da franquia. Ainda assim, não supera aquele curta live-action lançado recentemente para divulgar o novo jogo.
Gostei muito dos movimentos de câmera, que frequentemente simulam a perspectiva de primeira ou terceira pessoa de um videogame. É um detalhe simples, mas que ajuda bastante na imersão e reforça a sensação de estar dentro de um jogo de video game. Os efeitos também estão ótimos e funcionaram muito bem para mim, embora os sommeliers de efeitos especiais provavelmente encontrem bastante coisa para reclamar.
O que quase me tirou do filme foram as piadinhas. Ficaram bem no limite e acho que poderiam ter reduzido bastante. Não chegou a estragar a experiência, mas entendo perfeitamente quem se incomodou mais com isso. Também senti falta de um pouco mais de desenvolvimento da Umbrella, embora, dentro da proposta deste filme, não considere exatamente um defeito.
No geral, gostei bastante. Finalmente uma adaptação em longa-metragem que parece entender melhor o que torna Resident Evil tão interessante.
Não acho que seja melhor que o primeiro, mas acerta e erra em coisas diferentes. Aqui, o foco está muito mais na ação e na aventura, com um arco de herói mais evidente para o protagonista. Não que isso seja bom ou ruim, mas funciona dentro da proposta desse filme.
A trama política que tentaram construir é interessante, mas achei superficial e pouco desenvolvida. Dá para sentir que talvez seja uma preparação para algo futuro na franquia, caso haja outro filme. Até porque algumas coisas ficaram em aberto, apesar de os principais plots terem sido concluídos. Os personagens que retornam também parecem estar ali mais para justificar a continuidade com o anterior do que porque eram realmente necessários.
Aqui dá para sentir certa proteção do roteiro sobre alguns personagens, o que diminui um pouco a preocupação real com eles. Em compensação, as situações criam bem um clima de urgência e mantêm a tensão funcionando.
No geral, gostei bastante. É mais ação e aventura, e menos sobrevivência e drama. E o gatinho fez falta, então meio ponto a menos em relação ao primeiro, hehe.
Está longe de figurar entre os melhores filmes de apocalipse zumbi, mas ganha muitos pontos por outras coisas, principalmente pelo carisma do protagonista e do seu gatinho. Outra coisa de que gosto muito é que não sinto o protagonista protegido pelo roteiro. Existe um medo real pelo destino dele, do gato e dos outros personagens, porque o filme não transmite aquela segurança típica de que tudo vai ficar bem pelo simples poder do protagonismo. Essa sensação de incerteza aumenta bastante a tensão. O filme também constrói boas motivações para a história continuar e tem cenas de ação que funcionam bem. No geral, é uma produção sólida, envolvente e que sabe criar tensão sem depender só dos zumbis.
PS: Revi agora, me preparando para assistir ao segundo, e acho que gostei ainda mais desta vez.
Muito bom!!! É um terror que explora muito bem a estranheza pelo contraste, construindo o mistério em torno dos acontecimentos e dos personagens e mantendo uma tensão latente do início ao fim. Para mim, funcionou demais. O filme tem uma identidade muito própria e brinca o tempo todo com essa sensação de segurança sendo contaminada aos poucos pelo bizarro e pelo perturbador. Acho que foi justamente essa mistura que me ganhou.
Digamos que Ryan Murphy conseguiu se superar, e não exatamente de um jeito bom. AHS abraçou a galhofa há muito tempo, mas nem é isso que me incomoda. O problema é que, desta vez, ele tinha tudo na mão para pirar de verdade. Poderia ter feito uma grande homenagem à própria obra e a essa série que sempre viveu entre alguns altos e muitos baixos. Tinha praticamente todos os personagens queridos que criou ao longo dos anos e conseguiu desperdiçar quase todos.
A temporada simplesmente não tem uma narrativa que sustente o conjunto. Não existe um pano de fundo forte, uma história principal ou um objetivo claro. O que sobra é um punhado de plots com personagens antigos ressurgindo, muitas vezes parecendo versões genéricas de si mesmos. E olha que eu nem me importaria se resolvessem enlouquecer de vez e fazer esses personagens agirem de formas inesperadas, desde que houvesse alguma ideia por trás disso. Mas não houve.
Faltou roteiro, faltou clímax, a direção estava mais confusa que o habitual e a montagem pareceu desleixada. Nem a conclusão entrega alguma recompensa por ter acompanhado tudo até ali. O que impede a temporada de ser ainda pior é o elenco, que é muito bom e já conhece perfeitamente tanto seus personagens quanto o tipo de narrativa que Ryan Murphy costuma construir.
Não posso dizer que não me diverti em alguns momentos, porque teve cena que funcionou. Mas, pensando bem, acho que boa parte dessa diversão veio mais do saudosismo de reencontrar aqueles personagens do que pelo que a temporada realmente estava oferecendo.
E aí volto naquela velha questão do “poderia ter sido”. Só que, como não foi, resta julgar aquilo que de fato entregaram. E foi muito pouco. Quase nada.
Uma ótima série! A trama é interessante e prende do início ao fim, os atores mandam muito bem e a produção está caprichada. Fotografia, ambientação e principalmente os efeitos práticos funcionam muito bem e ajudam bastante a construir o clima. Gostei também de como trabalharam o retcon. Não parecem simplesmente mudanças feitas por fazer, mas algo bem pensado, coerente com o período em que a história se passa e que se integra muito bem à mitologia da franquia. Mitologia essa que, convenhamos, nunca foi exatamente a coisa mais consistente do mundo, então existe bastante espaço para esse tipo de releitura. Tem ainda alguns acenos ótimos ao filme original, sem parecer apenas fan service jogado na tela. Por sinal, aproveitei para rever o primeiro Sexta-Feira 13 (1980) e continuo adorando. Acho que isso até fez algumas referências da série funcionarem melhor para mim. No geral, uma expansão muito bem-vinda desse universo e que conseguiu me deixar empolgado com a franquia novamente.
Não achei ruim. É aquele tipo de filme de tubarão bem clichê, mas que ainda consegue divertir justamente porque sabe trabalhar dentro da própria fórmula. Não tem grandes surpresas, mas funciona o suficiente para manter o interesse. Agora, o que realmente me impressionou foi a maquiagem da protagonista. Batom e rímel à prova de absolutamente tudo. água, desespero, caos... e ela impecável, rs. No geral, é simples e previsível, mas divertido.
Uma ficção científica com ação sensacional!!! Me surpreendeu muito positivamente e me prendeu do começo ao fim. Para quem não está acostumado com o cinema oriental, tem alguns exageros nas interpretações típicos de produções coreanas. Boa parte disso vem justamente do choque cultural mesmo, porque os personagens funcionam muito bem e são extremamente carismáticos. Os efeitos especiais também estão excelentes, apesar dos sommeliers de CGI estarem reclamando, porque sempre reclamam. Mas os efeitos funcionam perfeitamente dentro da proposta do filme. No geral, gostei praticamente de tudo. Tem cenas de ação de tirar o folego, personagens que funcionam e uma ficção científica que realmente me deixou curioso para ver mais desse universo. Ansioso por uma continuação!
Conseguiu, com um pastel e um caldo de cana, fazer o que nenhum grande estúdio conseguiu até agora: uma boa adaptação de Resident Evil. E quem diria que seguir a história do jogo, respeitar a atmosfera e entender minimamente o que faz aquele universo funcionar daria certo, né? Realmente surpreendente. É um curta, claramente feito com recursos limitados, mas tem mais identidade de Resident Evil do que muita produção milionária que carregou o nome da franquia. Às vezes não precisa reinventar tudo. Basta adaptar bem aquilo que já funcionava.
Um filme aterrorizante principalmente pelo momento em que estamos vivendo e pela sensação incômoda de que aquilo não parece tão distante da realidade. O horror aqui vem da percepção de como determinadas ideias podem se apresentar de forma aceitável antes de revelarem o que realmente são. É como o dito: “Quando o fascismo voltar, ele não dirá ‘eu sou o fascismo’. Ele dirá ‘eu sou a liberdade’”. No fim, a tal falsa “liberdade” vai se transformando em prisão, dor e angústia para muitos, enquanto serve ao conforto e ao deleite de poucos. E talvez seja justamente isso que torne o filme tão perturbador: perceber como esse caminho vem sendo pavimentado aos poucos no mundo, capturando a cognição das pessoas por meio de discursos rasos e odiosos, criando inimigos imaginários e transformando minorias e os verdadeiros libertários em alvos. O assustador é que nada disso precisa acontecer de uma vez. Basta ir normalizando um pouco de cada vez, exatamente conforme tem sido feito. A proposta do filme é concentrar tudo isso em um universo mais contido, e entendo essa escolha, mas acho que ele ganharia ainda mais força se mostrasse de forma mais explícita o que está acontecendo na sociedade ao redor.
Será que já dá para dizer, depois de dois episódios, que a Marvel acertou? Espero que sim. Gostei bastante do começo e, por enquanto, a série parece saber bem o que quer fazer. Mas também já conhecemos esse roteiro: começa muito bem, chega no meio e desanda. Então prefiro manter a empolgação sob controle. Por enquanto, gostei bastante. Agora é torcer para não estragarem no caminho.
A motivação para os acontecimentos do primeiro filme me pareceu muito mais plausível. Aqui, achei completamente absurda a ideia de a irmã de uma mulher que morreu depois de ficar dias presa no alto de uma antena, justamente durante uma aventura extrema, ir com uma pessoa que mal conhece, sem experiência em escalada, para subir uma montanha por uma trilha fechada, proibida e considerada uma das mais perigosas do mundo. É o tipo de decisão que já exige muita boa vontade do espectador antes mesmo de o filme começar de verdade. Apesar de os desafios aqui serem bem mais complexos do que no primeiro filme, o drama é ainda mais raso e pouco convincente, não que o anterior fosse exatamente profundo. Um problema maior é que o filme tem praticamente três personagens e só uma delas é realmente desenvolvida. Com isso, não criei nenhum apreço pelas outras e ainda fiquei com aquela sensação de segurança do protagonismo, o que tira um pouco da tensão. Por outro lado, o filme conseguiu despertar meu medo de altura novamente, então alguma coisa ele fez certo. A ação também é mais elaborada e as situações de perigo são maiores e mais variadas. No geral, é divertido e entrega o que se espera desse tipo de filme, mas achei bem mais água com açúcar que o primeiro. Tem desafios maiores e uma ação mais ambiciosa, mas faltou peso para que tudo isso tivesse impacto.
E o monstro? Bom, o monstro é praticamente um pano de fundo. “Afinal, essa série não é sobre um monstro, é sobre pessoas...” e blá-blá-blá. Imagino ser exatamente o tipo de justificativa que algum produtor daria.
O começo é até interessante, mas depois a série vai ficando cada vez mais chata e entediante. O que sobra é um drama familiar bastante raso, composto por várias tramas individuais desinteressantes e muitas vezes desconectadas entre si. Boa parte das atitudes dos personagens também não parece plausível, o que dificulta ainda mais criar qualquer envolvimento com a história.
A pouca profundidade que a série consegue ter vem principalmente dos atores, que são bons no geral. Inclusive, foi basicamente por causa deles que ainda aguentei quatro episódios inteiros e mais dois pulando várias partes. E, diga-se de passagem, não fizeram falta nenhuma para entender o final. Os “antagonistas”, se é que dá para chamá-los assim, são uma piada e parecem pertencer a outra série, completamente fora do tom dos demais personagens.
A história do próprio monstro é confusa, pouco desenvolvida e não se encaixa direito nos personagens, por mais que a série tente forçar essa ligação. No início, as ameaças provocadas por ele ainda criam alguma tensão e curiosidade, mas depois até isso se perde. No fim, tudo fica tão arrastado que nem o elemento que deveria diferenciar a série consegue despertar interesse. Se tirassem o monstro da história, sinceramente, talvez quase nada mudasse. Fiquei até com a impressão de que ele está ali mais para vender a série do que porque a história realmente precisava dele.
Uma premissa até batida, mas com potencial, soterrada por dramas rasos, decisões convenientes e uma história que não quis explorar aquilo que poderia torná-la interessante.
Se era para fazer isso, era melhor ter parado. Para mim, esse aqui conseguiu fazer o que nenhum outro filme da franquia tinha feito: praticamente acabar com qualquer empolgação que eu ainda tinha por V/H/S. Tudo é muito ruim. A sequência principal é facilmente a pior da franquia e nenhum dos curtas realmente funciona. O pior é que não tem nem aquele caso de um segmento ser péssimo, mas outro compensar. Aqui, meia hora depois, você já quase não lembra de nada do que viu. Não tem uma ideia realmente marcante, uma imagem que fique na cabeça ou pelo menos um curta que salve o conjunto. O estranhamento, que sempre foi uma das melhores coisas de V/H/S, aqui é só estranho mesmo. Falta aquela aura especial de bizarrice, desconforto e criatividade que fazia até os segmentos mais bagunçados da franquia terem alguma personalidade. As sequências são horrorosas, as ideias também e quase nada se salva. Nem tenho muito o que falar porque o filme não me deu muita coisa além de irritação e tédio. Uma pena. A franquia já teve altos e baixos, mas pelo menos quase sempre entregava alguma coisa divertida, absurda ou memorável. Aqui, para mim, não sobrou nada.
Desde uns dois filmes atrás, sinto que a franquia já não consegue sustentar aquele clima realmente assustador e sombrio que eu gostava tanto. Ainda existem boas ideias aqui. O demônio da vez é interessante, assim como o novo poder estabelecido dentro desse universo, mas acho que nenhum dos dois foi trabalhado tão bem quanto poderia. Atualmente, sinto que Insidious está caminhando cada vez mais para uma espécie de aventura sobrenatural, deixando de lado justamente aquilo que fazia a franquia funcionar melhor: medo, tensão e suspense. O filme acaba recorrendo demais a clichês e conveniências, e ainda traz de volta alguns personagens do Além que, para mim, não precisavam estar ali. Parecem mais acenos à franquia do que algo realmente necessário para a história, principalmente porque essa participação não se amarra ao restante. Nesse filme, achei que perderam uma ótima oportunidade de corrigir uma das maiores burradas que fizeram anteriormente na franquia. Com o novo poder estabelecido aqui, havia uma maneira bastante natural de fazer isso. Não aconteceu desta vez, mas agora que essa possibilidade existe dentro das regras desse universo, ainda dá para imaginar que façam isso mais para frente. No fim, continua expandindo a mitologia de Insidious, mas sinto cada vez mais falta daquela atmosfera perturbadora que fazia os primeiros filmes funcionarem tão bem.
Como esse personagem cresceu. Gostei bastante porque o filme explora uma característica muito recorrente do Peter nos quadrinhos e consegue aprofundar ainda mais o lado psicológico e emocional dele, mesmo depois de tantos filmes. Ainda é um filme dessa leva recente da Marvel, então a fórmula continua lá, mas já dá para sentir uma pitada de algo novo. Às vezes isso funciona, às vezes nem tanto. Aqui, para mim, encaixou muito bem em uma história mais leve, sem precisar transformar tudo em uma ameaça gigantesca para funcionar. É como sempre digo: para ser um bom filme de herói, não precisa ser sempre um Vingadores: Guerra Infinita. Às vezes basta entender bem o personagem, trabalhar seus conflitos e contar uma boa história. E ainda trouxe uma baita figura que deve ganhar novos contornos daqui para frente. Dessa parte, porém, ainda não sei se gostei tanto. Achei interessante, mas não é a mesma personagem que conhecemos. Nesse ponto, tudo vai depender dos rumos que a Marvel vai tomar daqui para frente.
Num “balanço geral” (rs), gostei bastante da história e dos personagens. Poderia ter sido mais enxuta e focada, mas os personagens e a história conseguiram me manter interessado até o fim.
O primeiro episódio não me pegou muito, mas a partir do segundo comecei a curtir . A série tem praticamente todos os problemas que as produções do Ryan Murphy costumam ter, mas também algumas das qualidades. Principalmente os personagens, que me cativaram bastante. Por sinal, isso é uma coisa que ele sabe fazer muito bem: criar personagens interessantes, mesmo quando a história ao redor deles começa a se perder. Todos os atores do núcleo principal estão muito bem. Alguns melhores até que o de costume.
O problema é que Ryan Murphy nunca parece saber a hora de parar. Tem uma trama paralela que achei completamente nada a ver e outra ambientada no passado que até gostei, mas que terminou meio “blá”. Nesse ponto, a série já estava começando a se arrastar e algumas coisas pareciam existir mais para preencher episódios do que porque realmente acrescentavam algo.
Aqui é difícil dizer que não existe certa romantização da figura da Lizzie, mas isso não me incomodou tanto. O caso real é cercado de dúvidas, versões conflitantes e acabou se transformando quase em uma lenda urbana americana, sendo reinterpretado inúmeras vezes ao longo do tempo. Nesse contexto, as liberdades tomadas pela série me pareceram parte da proposta, e não achei particularmente problemática a romantização do crime.
Série boa! Não fosse essa certa “enrolação”, que já virou quase uma característica do Ryan e da própria série Monstro, talvez seria 5 estrelas para mim.
É um ótimo documentário. Eu me lembrava vagamente de ter ouvido essa história muitos anos atrás, provavelmente na televisão ou em algum outro documentário, então foi interessante reencontrá-la agora de forma muito mais detalhada. Gostei principalmente da montagem dinâmica, que vai revelando aos poucos a complexidade do caso e mudando nossa percepção conforme novas informações aparecem. A história vai ganhando camadas gradualmente, sem entregar tudo de uma vez, o que ajuda bastante a manter o interesse até o fim. No geral, achei muito bem construído, envolvente e com um ritmo que funcionou bem para um caso tão cheio de detalhes e versões.
Às vezes me canso de ouvir, e até de dizer, que um filme poderia ter sido isso ou aquilo. Afinal, se a gente for avaliar uma obra apenas pelo que gostaria que ela tivesse sido, praticamente nenhuma vai escapar. Então, deixando de lado as minhas expectativas e olhando para o que o filme realmente entrega, achei uma aventura familiar água com açúcar, daquelas que passariam na Sessão da Tarde antigamente. O que realmente me incomodou foi o tom. Tem momentos em que o filme se leva a sério demais e outros em que cai completamente na galhofa. Certas vezes parecia que os acontecimentos foram decididos no dado e depois encaixados à força para que tudo desse convenientemente certo. A ideia central é sensacional e a produção tem seus méritos. Os atores convencem, os efeitos funcionam muito bem e gostei bastante dos dinossauros com uma aparência mais realista. Apesar de não transmitirem todo o peso que eu esperava, tanto a interação deles com os humanos quanto entre si ficou ótima. Em alguns momentos, o filme até me lembrou aquelas aventuras que misturam o cotidiano com o extraordinário, como Jurassic Park e Jumanji, embora esteja longe de alcançar o impacto desses clássicos. Considerando tudo fiquei com a sensação de ter assistido a uma aventura familiar bastante genérica construída em cima de uma ideia muito interessante. E olha eu aqui, de novo, pensando no que o filme poderia ter sido.
Um ótimo found footage que mistura muito bem o formato com uma pegada de falso documentário investigativo. A personagem principal é muito cativante e, mesmo quando toma decisões não exatamente inteligentes, elas parecem naturais porque ela foi bem construída. Não tive aquela sensação comum no gênero de que o personagem está fazendo alguma idiotice apenas porque o roteiro precisa que ele faça. Os outros personagens também conseguem transmitir bastante, mesmo aparecendo pouco. Dá para sentir o peso das histórias, das personalidades e das relações entre eles, o que ajuda muito a dar veracidade ao formato. O final não vem mastigadinho e gostei disso. O filme terminou, mas ficou na minha cabeça, então fui atrás de outras interpretações para ver se algumas das explicações que imaginei faziam sentido. E existem várias pistas espalhadas pelo filme que tornam algumas particularmente interessantes (no spoiler).
A explicação que mais me convenceu é que talvez não houvesse nada necessariamente sobrenatural na casa. Edward, o filho cujo corpo nunca foi encontrado, teria sido o responsável pelo massacre da própria família e continuado vivendo escondido ali durante todos aqueles anos.
Algumas das principais pistas aparecem nas entrevistas. A tia comenta que Edward (a criança menor), era uma criança problemática e fica claramente desconfortável quando fala sobre ele. Isso pode sugerir que havia comportamentos perturbadores que, olhando em retrospecto, talvez fossem sinais de algo muito mais sério.
Já a prima de Joseph (o pa) fala sobre como ele era paranoico, estranho e obcecado com a possibilidade de uma guerra nuclear. Esse detalhe parece bastante importante considerando que a família morreu em 1986, ainda durante a Guerra Fria. A teoria é que Joseph poderia ter construído um abrigo nuclear escondido sob a casa. Isso explicaria os barulhos recorrentes de batidas e arranhões e até a possibilidade de Edward se movimentar pela propriedade sem ser visto.
As evidências da cena do crime talvez sejam ainda mais fortes. Edward foi o único membro da família cujo corpo nunca apareceu e também é o único nome ausente da lista de vítimas encontrada na casa. A ideia seria que ele matou a própria família, amputou o braço para forjar a própria morte e passou décadas escondido naquele abrigo.
Isso também ajuda a explicar vários detalhes menores. As roupas femininas encontradas na casa, principalmente os vestidos de Rebecca, poderiam ser simplesmente o que restou para ele usar. Algumas inclusive estavam faltando dos cabides. Os alimentos abertos também poderiam indicar que alguém ainda vivia ali. Como a ideia é um abrigo nuclear, com certeza existiam alimentos para muitos anos lá. E, no final, quando Leah é arrastada para longe do carro, é possível ouvir algo parecido com uma porta de porão ou abrigo sendo aberta e fechada enquanto ela pergunta para onde está sendo levada.
Então minha leitura principal é basicamente essa: Edward já apresentava comportamentos perturbadores, matou a família, simulou a própria morte e passou todos aqueles anos escondido no abrigo construído pelo pai, matando quem se aproximava demais da verdade.
Mas ainda dentro dessa mesma explicação existe espaço para algo sobrenatural. Nada explica completamente a fixação do pai com aquela figura nem a possibilidade de ele realmente conseguir ver o futuro. Talvez ele de fato tivesse essa capacidade, mas tenha interpretado suas visões de forma equivocada e acabado criando um paradoxo: ao tentar evitar aquilo que viu, construiu justamente as condições para que aquela figura, que no futuro seria o próprio filho, viesse a existir.
Também existe a possibilidade de a figura ser uma assombração real e, de alguma forma, ter se apossado de Edward, fazendo com que todo o restante da teoria continuasse válido. Talvez até essas interpretações não sejam excludentes e possam coexistir.
Não sei se alguma dessas é necessariamente a explicação “correta”, mas é justamente isso que torna o final tão interessante. O filme abre espaço para diferentes leituras, mas não de maneira completamente aleatória. Existem pistas que permitem sustentar cada interpretação. É muito bom quando um filme deixa margem para discussão sem simplesmente abandonar o espectador diante de um final inexplicável.
Para um found footage todo passado em uma tela de computador, não é de todo ruim. Em vários momentos, a interação entre os personagens parece natural e ajuda bastante na imersão, dando a sensação de que estamos realmente acompanhando uma conversa entre duas pessoas. O problema é que, conforme a história avança, começam a surgir situações cada vez mais absurdas que não foram muito bem construídas nem executadas. Aí a naturalidade inicial vai se perdendo e o filme começa a exigir um pouco mais de boa vontade. O roteiro é fraco e não desenvolve tão bem as próprias ideias, mas a proposta funciona o suficiente para manter alguma curiosidade mesmo que limitada por uma história que não consegue acompanhar a própria premissa.
O que salva: os atores, incluindo o trabalho corporal dos figurantes como zumbis, e uma produção até competente para um filme de baixo orçamento. Tem uns efeitos de sangue que poderiam facilmente ter ficado péssimos, mas estranhamente achei charmosos, com uma estética meio retrô de videogame. De resto, quase nada funciona. O roteiro é bem fraco e a direção pouco inspirada. A história não cativa e, por mais que os atores se esforcem, fica difícil criar qualquer conexão com os personagens ou acreditar nas relações entre eles quando o próprio roteiro não oferece estofo suficiente para isso. No fim, parece um filme que tinha condições técnicas para ser bem melhor, mas foi o que teve pra hoje.
Achei excelente. Estranho, grotesco, incômodo e, ao mesmo tempo, muito humano. Um daqueles filmes em que o absurdo parte de algo bastante comum e vai revelando uma coisa muito mais sombria por baixo. O final não é exatamente aberto, mas bastante sugestivo, e cheguei a algumas possíveis explicações [no spoiler]. É um terror psicológico com elementos de body horror e terror sobrenatural, gêneros que não costumam andar juntos, mas que aqui se complementam muito bem, levando uma situação aparentemente banal a lugares quase inimagináveis. Gostei muito de como o filme consegue ficar cada vez mais absurdo sem perder a conexão com aquilo que foi apresentado no início. Quando você percebe onde aquela premissa chegou, é quase inacreditável, mas ainda faz sentido dentro da lógica construída.
Minha leitura é que aquele desejo da Hana já existia muito antes de ela tomar a pílula da Bertha. Ela já flertava com essa vontade, ainda que de forma menos explícita. A Bertha, então, talvez não tenha despertado aquela “fome”, mas feito justamente o contrário. Ou seja, direcionado essa compulsão para a comida como uma forma de impedir que Hana seguisse o desejo que realmente carregava. Lembrando que a amiga da Bertha disse que ela era boa. Quando Hana finalmente consegue se livrar da Bertha e recebe praticamente uma segunda chance de vida, ela não está apenas livre da entidade. Está também livre daquilo que mantinha esse desejo sob controle. E o final sugere que, dessa vez, ela decide vivê-lo sem amarras. Quando mostra ela se deleciando com a mulher, o olho dela aparece normal, indicando que era ela mesma. Se for essa a intenção, acho ainda mais perturbador, porque transforma boa parte do que vimos antes: talvez Bertha nunca tenha sido a pior coisa dentro dela.
Resident Evil
3.6 364 Assista AgoraNa minha opinião, é a melhor adaptação live-action em longa-metragem de Resident Evil até agora e uma das que melhor consegue capturar a atmosfera de alguns jogos da franquia. Ainda assim, não supera aquele curta live-action lançado recentemente para divulgar o novo jogo.
Gostei muito dos movimentos de câmera, que frequentemente simulam a perspectiva de primeira ou terceira pessoa de um videogame. É um detalhe simples, mas que ajuda bastante na imersão e reforça a sensação de estar dentro de um jogo de video game. Os efeitos também estão ótimos e funcionaram muito bem para mim, embora os sommeliers de efeitos especiais provavelmente encontrem bastante coisa para reclamar.
O que quase me tirou do filme foram as piadinhas. Ficaram bem no limite e acho que poderiam ter reduzido bastante. Não chegou a estragar a experiência, mas entendo perfeitamente quem se incomodou mais com isso. Também senti falta de um pouco mais de desenvolvimento da Umbrella, embora, dentro da proposta deste filme, não considere exatamente um defeito.
No geral, gostei bastante. Finalmente uma adaptação em longa-metragem que parece entender melhor o que torna Resident Evil tão interessante.
Apocalipse Z: Novo Mundo
2.4 27Não acho que seja melhor que o primeiro, mas acerta e erra em coisas diferentes. Aqui, o foco está muito mais na ação e na aventura, com um arco de herói mais evidente para o protagonista. Não que isso seja bom ou ruim, mas funciona dentro da proposta desse filme.
A trama política que tentaram construir é interessante, mas achei superficial e pouco desenvolvida. Dá para sentir que talvez seja uma preparação para algo futuro na franquia, caso haja outro filme. Até porque algumas coisas ficaram em aberto, apesar de os principais plots terem sido concluídos. Os personagens que retornam também parecem estar ali mais para justificar a continuidade com o anterior do que porque eram realmente necessários.
Aqui dá para sentir certa proteção do roteiro sobre alguns personagens, o que diminui um pouco a preocupação real com eles. Em compensação, as situações criam bem um clima de urgência e mantêm a tensão funcionando.
No geral, gostei bastante. É mais ação e aventura, e menos sobrevivência e drama. E o gatinho fez falta, então meio ponto a menos em relação ao primeiro, hehe.
Apocalipse Z: O Princípio do Fim
3.0 232 Assista AgoraEstá longe de figurar entre os melhores filmes de apocalipse zumbi, mas ganha muitos pontos por outras coisas, principalmente pelo carisma do protagonista e do seu gatinho. Outra coisa de que gosto muito é que não sinto o protagonista protegido pelo roteiro. Existe um medo real pelo destino dele, do gato e dos outros personagens, porque o filme não transmite aquela segurança típica de que tudo vai ficar bem pelo simples poder do protagonismo. Essa sensação de incerteza aumenta bastante a tensão. O filme também constrói boas motivações para a história continuar e tem cenas de ação que funcionam bem. No geral, é uma produção sólida, envolvente e que sabe criar tensão sem depender só dos zumbis.
PS: Revi agora, me preparando para assistir ao segundo, e acho que gostei ainda mais desta vez.
Buddy
3.2 79Muito bom!!! É um terror que explora muito bem a estranheza pelo contraste, construindo o mistério em torno dos acontecimentos e dos personagens e mantendo uma tensão latente do início ao fim. Para mim, funcionou demais. O filme tem uma identidade muito própria e brinca o tempo todo com essa sensação de segurança sendo contaminada aos poucos pelo bizarro e pelo perturbador. Acho que foi justamente essa mistura que me ganhou.
American Horror Story: 13 (13ª Temporada)
1.7 46 Assista AgoraDigamos que Ryan Murphy conseguiu se superar, e não exatamente de um jeito bom. AHS abraçou a galhofa há muito tempo, mas nem é isso que me incomoda. O problema é que, desta vez, ele tinha tudo na mão para pirar de verdade. Poderia ter feito uma grande homenagem à própria obra e a essa série que sempre viveu entre alguns altos e muitos baixos. Tinha praticamente todos os personagens queridos que criou ao longo dos anos e conseguiu desperdiçar quase todos.
A temporada simplesmente não tem uma narrativa que sustente o conjunto. Não existe um pano de fundo forte, uma história principal ou um objetivo claro. O que sobra é um punhado de plots com personagens antigos ressurgindo, muitas vezes parecendo versões genéricas de si mesmos. E olha que eu nem me importaria se resolvessem enlouquecer de vez e fazer esses personagens agirem de formas inesperadas, desde que houvesse alguma ideia por trás disso. Mas não houve.
Faltou roteiro, faltou clímax, a direção estava mais confusa que o habitual e a montagem pareceu desleixada. Nem a conclusão entrega alguma recompensa por ter acompanhado tudo até ali. O que impede a temporada de ser ainda pior é o elenco, que é muito bom e já conhece perfeitamente tanto seus personagens quanto o tipo de narrativa que Ryan Murphy costuma construir.
Não posso dizer que não me diverti em alguns momentos, porque teve cena que funcionou. Mas, pensando bem, acho que boa parte dessa diversão veio mais do saudosismo de reencontrar aqueles personagens do que pelo que a temporada realmente estava oferecendo.
E aí volto naquela velha questão do “poderia ter sido”. Só que, como não foi, resta julgar aquilo que de fato entregaram. E foi muito pouco. Quase nada.
Crystal Lake (1ª Temporada)
3.8 103 Assista AgoraUma ótima série! A trama é interessante e prende do início ao fim, os atores mandam muito bem e a produção está caprichada. Fotografia, ambientação e principalmente os efeitos práticos funcionam muito bem e ajudam bastante a construir o clima.
Gostei também de como trabalharam o retcon. Não parecem simplesmente mudanças feitas por fazer, mas algo bem pensado, coerente com o período em que a história se passa e que se integra muito bem à mitologia da franquia. Mitologia essa que, convenhamos, nunca foi exatamente a coisa mais consistente do mundo, então existe bastante espaço para esse tipo de releitura.
Tem ainda alguns acenos ótimos ao filme original, sem parecer apenas fan service jogado na tela. Por sinal, aproveitei para rever o primeiro Sexta-Feira 13 (1980) e continuo adorando. Acho que isso até fez algumas referências da série funcionarem melhor para mim. No geral, uma expansão muito bem-vinda desse universo e que conseguiu me deixar empolgado com a franquia novamente.
A Boca do Diabo
2.1 115 Assista AgoraNão achei ruim. É aquele tipo de filme de tubarão bem clichê, mas que ainda consegue divertir justamente porque sabe trabalhar dentro da própria fórmula. Não tem grandes surpresas, mas funciona o suficiente para manter o interesse.
Agora, o que realmente me impressionou foi a maquiagem da protagonista. Batom e rímel à prova de absolutamente tudo. água, desespero, caos... e ela impecável, rs. No geral, é simples e previsível, mas divertido.
Hope: O Primeiro Impacto
3.1 126Uma ficção científica com ação sensacional!!! Me surpreendeu muito positivamente e me prendeu do começo ao fim. Para quem não está acostumado com o cinema oriental, tem alguns exageros nas interpretações típicos de produções coreanas. Boa parte disso vem justamente do choque cultural mesmo, porque os personagens funcionam muito bem e são extremamente carismáticos. Os efeitos especiais também estão excelentes, apesar dos sommeliers de CGI estarem reclamando, porque sempre reclamam. Mas os efeitos funcionam perfeitamente dentro da proposta do filme. No geral, gostei praticamente de tudo. Tem cenas de ação de tirar o folego, personagens que funcionam e uma ficção científica que realmente me deixou curioso para ver mais desse universo. Ansioso por uma continuação!
Biohazard
4.5 5Conseguiu, com um pastel e um caldo de cana, fazer o que nenhum grande estúdio conseguiu até agora: uma boa adaptação de Resident Evil.
E quem diria que seguir a história do jogo, respeitar a atmosfera e entender minimamente o que faz aquele universo funcionar daria certo, né? Realmente surpreendente.
É um curta, claramente feito com recursos limitados, mas tem mais identidade de Resident Evil do que muita produção milionária que carregou o nome da franquia. Às vezes não precisa reinventar tudo. Basta adaptar bem aquilo que já funcionava.
O Aniversário
3.7 247 Assista AgoraUm filme aterrorizante principalmente pelo momento em que estamos vivendo e pela sensação incômoda de que aquilo não parece tão distante da realidade. O horror aqui vem da percepção de como determinadas ideias podem se apresentar de forma aceitável antes de revelarem o que realmente são. É como o dito: “Quando o fascismo voltar, ele não dirá ‘eu sou o fascismo’. Ele dirá ‘eu sou a liberdade’”. No fim, a tal falsa “liberdade” vai se transformando em prisão, dor e angústia para muitos, enquanto serve ao conforto e ao deleite de poucos. E talvez seja justamente isso que torne o filme tão perturbador: perceber como esse caminho vem sendo pavimentado aos poucos no mundo, capturando a cognição das pessoas por meio de discursos rasos e odiosos, criando inimigos imaginários e transformando minorias e os verdadeiros libertários em alvos. O assustador é que nada disso precisa acontecer de uma vez. Basta ir normalizando um pouco de cada vez, exatamente conforme tem sido feito. A proposta do filme é concentrar tudo isso em um universo mais contido, e entendo essa escolha, mas acho que ele ganharia ainda mais força se mostrasse de forma mais explícita o que está acontecendo na sociedade ao redor.
VisionQuest
3.8 12 Assista AgoraSerá que já dá para dizer, depois de dois episódios, que a Marvel acertou? Espero que sim. Gostei bastante do começo e, por enquanto, a série parece saber bem o que quer fazer. Mas também já conhecemos esse roteiro: começa muito bem, chega no meio e desanda. Então prefiro manter a empolgação sob controle. Por enquanto, gostei bastante. Agora é torcer para não estragarem no caminho.
A Queda 2: No Limite
2.3 59A motivação para os acontecimentos do primeiro filme me pareceu muito mais plausível. Aqui, achei completamente absurda a ideia de a irmã de uma mulher que morreu depois de ficar dias presa no alto de uma antena, justamente durante uma aventura extrema, ir com uma pessoa que mal conhece, sem experiência em escalada, para subir uma montanha por uma trilha fechada, proibida e considerada uma das mais perigosas do mundo. É o tipo de decisão que já exige muita boa vontade do espectador antes mesmo de o filme começar de verdade.
Apesar de os desafios aqui serem bem mais complexos do que no primeiro filme, o drama é ainda mais raso e pouco convincente, não que o anterior fosse exatamente profundo. Um problema maior é que o filme tem praticamente três personagens e só uma delas é realmente desenvolvida. Com isso, não criei nenhum apreço pelas outras e ainda fiquei com aquela sensação de segurança do protagonismo, o que tira um pouco da tensão.
Por outro lado, o filme conseguiu despertar meu medo de altura novamente, então alguma coisa ele fez certo. A ação também é mais elaborada e as situações de perigo são maiores e mais variadas. No geral, é divertido e entrega o que se espera desse tipo de filme, mas achei bem mais água com açúcar que o primeiro. Tem desafios maiores e uma ação mais ambiciosa, mas faltou peso para que tudo isso tivesse impacto.
Profundezas
2.7 70 Assista AgoraE o monstro? Bom, o monstro é praticamente um pano de fundo. “Afinal, essa série não é sobre um monstro, é sobre pessoas...” e blá-blá-blá. Imagino ser exatamente o tipo de justificativa que algum produtor daria.
O começo é até interessante, mas depois a série vai ficando cada vez mais chata e entediante. O que sobra é um drama familiar bastante raso, composto por várias tramas individuais desinteressantes e muitas vezes desconectadas entre si. Boa parte das atitudes dos personagens também não parece plausível, o que dificulta ainda mais criar qualquer envolvimento com a história.
A pouca profundidade que a série consegue ter vem principalmente dos atores, que são bons no geral. Inclusive, foi basicamente por causa deles que ainda aguentei quatro episódios inteiros e mais dois pulando várias partes. E, diga-se de passagem, não fizeram falta nenhuma para entender o final. Os “antagonistas”, se é que dá para chamá-los assim, são uma piada e parecem pertencer a outra série, completamente fora do tom dos demais personagens.
A história do próprio monstro é confusa, pouco desenvolvida e não se encaixa direito nos personagens, por mais que a série tente forçar essa ligação. No início, as ameaças provocadas por ele ainda criam alguma tensão e curiosidade, mas depois até isso se perde. No fim, tudo fica tão arrastado que nem o elemento que deveria diferenciar a série consegue despertar interesse. Se tirassem o monstro da história, sinceramente, talvez quase nada mudasse. Fiquei até com a impressão de que ele está ali mais para vender a série do que porque a história realmente precisava dele.
Uma premissa até batida, mas com potencial, soterrada por dramas rasos, decisões convenientes e uma história que não quis explorar aquilo que poderia torná-la interessante.
V/H/S/Mixtape
1.9 18Se era para fazer isso, era melhor ter parado. Para mim, esse aqui conseguiu fazer o que nenhum outro filme da franquia tinha feito: praticamente acabar com qualquer empolgação que eu ainda tinha por V/H/S.
Tudo é muito ruim. A sequência principal é facilmente a pior da franquia e nenhum dos curtas realmente funciona. O pior é que não tem nem aquele caso de um segmento ser péssimo, mas outro compensar. Aqui, meia hora depois, você já quase não lembra de nada do que viu. Não tem uma ideia realmente marcante, uma imagem que fique na cabeça ou pelo menos um curta que salve o conjunto.
O estranhamento, que sempre foi uma das melhores coisas de V/H/S, aqui é só estranho mesmo. Falta aquela aura especial de bizarrice, desconforto e criatividade que fazia até os segmentos mais bagunçados da franquia terem alguma personalidade. As sequências são horrorosas, as ideias também e quase nada se salva. Nem tenho muito o que falar porque o filme não me deu muita coisa além de irritação e tédio.
Uma pena. A franquia já teve altos e baixos, mas pelo menos quase sempre entregava alguma coisa divertida, absurda ou memorável. Aqui, para mim, não sobrou nada.
Sobrenatural: Agora Entre Nós
2.9 125 Assista AgoraDesde uns dois filmes atrás, sinto que a franquia já não consegue sustentar aquele clima realmente assustador e sombrio que eu gostava tanto. Ainda existem boas ideias aqui. O demônio da vez é interessante, assim como o novo poder estabelecido dentro desse universo, mas acho que nenhum dos dois foi trabalhado tão bem quanto poderia. Atualmente, sinto que Insidious está caminhando cada vez mais para uma espécie de aventura sobrenatural, deixando de lado justamente aquilo que fazia a franquia funcionar melhor: medo, tensão e suspense.
O filme acaba recorrendo demais a clichês e conveniências, e ainda traz de volta alguns personagens do Além que, para mim, não precisavam estar ali. Parecem mais acenos à franquia do que algo realmente necessário para a história, principalmente porque essa participação não se amarra ao restante.
Nesse filme, achei que perderam uma ótima oportunidade de corrigir uma das maiores burradas que fizeram anteriormente na franquia. Com o novo poder estabelecido aqui, havia uma maneira bastante natural de fazer isso. Não aconteceu desta vez, mas agora que essa possibilidade existe dentro das regras desse universo, ainda dá para imaginar que façam isso mais para frente. No fim, continua expandindo a mitologia de Insidious, mas sinto cada vez mais falta daquela atmosfera perturbadora que fazia os primeiros filmes funcionarem tão bem.
Get Away
2.6 30 Assista AgoraAchei meio obvio logo no ínicio, mas acaba ainda sendo divertido pelo bizarramente nonsense!
Homem-Aranha: Um Novo Dia
4.0 507 Assista AgoraComo esse personagem cresceu. Gostei bastante porque o filme explora uma característica muito recorrente do Peter nos quadrinhos e consegue aprofundar ainda mais o lado psicológico e emocional dele, mesmo depois de tantos filmes. Ainda é um filme dessa leva recente da Marvel, então a fórmula continua lá, mas já dá para sentir uma pitada de algo novo. Às vezes isso funciona, às vezes nem tanto. Aqui, para mim, encaixou muito bem em uma história mais leve, sem precisar transformar tudo em uma ameaça gigantesca para funcionar. É como sempre digo: para ser um bom filme de herói, não precisa ser sempre um Vingadores: Guerra Infinita. Às vezes basta entender bem o personagem, trabalhar seus conflitos e contar uma boa história. E ainda trouxe uma baita figura que deve ganhar novos contornos daqui para frente. Dessa parte, porém, ainda não sei se gostei tanto. Achei interessante, mas não é a mesma personagem que conhecemos. Nesse ponto, tudo vai depender dos rumos que a Marvel vai tomar daqui para frente.
Monstro (4ª Temporada) - A História de Lizzie Borden
3.2 108 Assista AgoraNum “balanço geral” (rs), gostei bastante da história e dos personagens. Poderia ter sido mais enxuta e focada, mas os personagens e a história conseguiram me manter interessado até o fim.
O primeiro episódio não me pegou muito, mas a partir do segundo comecei a curtir . A série tem praticamente todos os problemas que as produções do Ryan Murphy costumam ter, mas também algumas das qualidades. Principalmente os personagens, que me cativaram bastante. Por sinal, isso é uma coisa que ele sabe fazer muito bem: criar personagens interessantes, mesmo quando a história ao redor deles começa a se perder. Todos os atores do núcleo principal estão muito bem. Alguns melhores até que o de costume.
O problema é que Ryan Murphy nunca parece saber a hora de parar. Tem uma trama paralela que achei completamente nada a ver e outra ambientada no passado que até gostei, mas que terminou meio “blá”. Nesse ponto, a série já estava começando a se arrastar e algumas coisas pareciam existir mais para preencher episódios do que porque realmente acrescentavam algo.
Aqui é difícil dizer que não existe certa romantização da figura da Lizzie, mas isso não me incomodou tanto. O caso real é cercado de dúvidas, versões conflitantes e acabou se transformando quase em uma lenda urbana americana, sendo reinterpretado inúmeras vezes ao longo do tempo. Nesse contexto, as liberdades tomadas pela série me pareceram parte da proposta, e não achei particularmente problemática a romantização do crime.
Série boa! Não fosse essa certa “enrolação”, que já virou quase uma característica do Ryan e da própria série Monstro, talvez seria 5 estrelas para mim.
Morte e Mistério na Amazônia
3.7 8É um ótimo documentário. Eu me lembrava vagamente de ter ouvido essa história muitos anos atrás, provavelmente na televisão ou em algum outro documentário, então foi interessante reencontrá-la agora de forma muito mais detalhada.
Gostei principalmente da montagem dinâmica, que vai revelando aos poucos a complexidade do caso e mudando nossa percepção conforme novas informações aparecem. A história vai ganhando camadas gradualmente, sem entregar tudo de uma vez, o que ajuda bastante a manter o interesse até o fim.
No geral, achei muito bem construído, envolvente e com um ritmo que funcionou bem para um caso tão cheio de detalhes e versões.
O Fim da Rua
3.0 336 Assista AgoraÀs vezes me canso de ouvir, e até de dizer, que um filme poderia ter sido isso ou aquilo. Afinal, se a gente for avaliar uma obra apenas pelo que gostaria que ela tivesse sido, praticamente nenhuma vai escapar. Então, deixando de lado as minhas expectativas e olhando para o que o filme realmente entrega, achei uma aventura familiar água com açúcar, daquelas que passariam na Sessão da Tarde antigamente.
O que realmente me incomodou foi o tom. Tem momentos em que o filme se leva a sério demais e outros em que cai completamente na galhofa. Certas vezes parecia que os acontecimentos foram decididos no dado e depois encaixados à força para que tudo desse convenientemente certo.
A ideia central é sensacional e a produção tem seus méritos. Os atores convencem, os efeitos funcionam muito bem e gostei bastante dos dinossauros com uma aparência mais realista. Apesar de não transmitirem todo o peso que eu esperava, tanto a interação deles com os humanos quanto entre si ficou ótima. Em alguns momentos, o filme até me lembrou aquelas aventuras que misturam o cotidiano com o extraordinário, como Jurassic Park e Jumanji, embora esteja longe de alcançar o impacto desses clássicos.
Considerando tudo fiquei com a sensação de ter assistido a uma aventura familiar bastante genérica construída em cima de uma ideia muito interessante. E olha eu aqui, de novo, pensando no que o filme poderia ter sido.
The Lost Footage of Leah Sullivan
2.8 4 Assista AgoraUm ótimo found footage que mistura muito bem o formato com uma pegada de falso documentário investigativo. A personagem principal é muito cativante e, mesmo quando toma decisões não exatamente inteligentes, elas parecem naturais porque ela foi bem construída. Não tive aquela sensação comum no gênero de que o personagem está fazendo alguma idiotice apenas porque o roteiro precisa que ele faça. Os outros personagens também conseguem transmitir bastante, mesmo aparecendo pouco. Dá para sentir o peso das histórias, das personalidades e das relações entre eles, o que ajuda muito a dar veracidade ao formato. O final não vem mastigadinho e gostei disso. O filme terminou, mas ficou na minha cabeça, então fui atrás de outras interpretações para ver se algumas das explicações que imaginei faziam sentido. E existem várias pistas espalhadas pelo filme que tornam algumas particularmente interessantes (no spoiler).
A explicação que mais me convenceu é que talvez não houvesse nada necessariamente sobrenatural na casa. Edward, o filho cujo corpo nunca foi encontrado, teria sido o responsável pelo massacre da própria família e continuado vivendo escondido ali durante todos aqueles anos.
Algumas das principais pistas aparecem nas entrevistas. A tia comenta que Edward (a criança menor), era uma criança problemática e fica claramente desconfortável quando fala sobre ele. Isso pode sugerir que havia comportamentos perturbadores que, olhando em retrospecto, talvez fossem sinais de algo muito mais sério.
Já a prima de Joseph (o pa) fala sobre como ele era paranoico, estranho e obcecado com a possibilidade de uma guerra nuclear. Esse detalhe parece bastante importante considerando que a família morreu em 1986, ainda durante a Guerra Fria. A teoria é que Joseph poderia ter construído um abrigo nuclear escondido sob a casa. Isso explicaria os barulhos recorrentes de batidas e arranhões e até a possibilidade de Edward se movimentar pela propriedade sem ser visto.
As evidências da cena do crime talvez sejam ainda mais fortes. Edward foi o único membro da família cujo corpo nunca apareceu e também é o único nome ausente da lista de vítimas encontrada na casa. A ideia seria que ele matou a própria família, amputou o braço para forjar a própria morte e passou décadas escondido naquele abrigo.
Isso também ajuda a explicar vários detalhes menores. As roupas femininas encontradas na casa, principalmente os vestidos de Rebecca, poderiam ser simplesmente o que restou para ele usar. Algumas inclusive estavam faltando dos cabides. Os alimentos abertos também poderiam indicar que alguém ainda vivia ali. Como a ideia é um abrigo nuclear, com certeza existiam alimentos para muitos anos lá. E, no final, quando Leah é arrastada para longe do carro, é possível ouvir algo parecido com uma porta de porão ou abrigo sendo aberta e fechada enquanto ela pergunta para onde está sendo levada.
Então minha leitura principal é basicamente essa: Edward já apresentava comportamentos perturbadores, matou a família, simulou a própria morte e passou todos aqueles anos escondido no abrigo construído pelo pai, matando quem se aproximava demais da verdade.
Mas ainda dentro dessa mesma explicação existe espaço para algo sobrenatural. Nada explica completamente a fixação do pai com aquela figura nem a possibilidade de ele realmente conseguir ver o futuro. Talvez ele de fato tivesse essa capacidade, mas tenha interpretado suas visões de forma equivocada e acabado criando um paradoxo: ao tentar evitar aquilo que viu, construiu justamente as condições para que aquela figura, que no futuro seria o próprio filho, viesse a existir.
Também existe a possibilidade de a figura ser uma assombração real e, de alguma forma, ter se apossado de Edward, fazendo com que todo o restante da teoria continuasse válido. Talvez até essas interpretações não sejam excludentes e possam coexistir.
Não sei se alguma dessas é necessariamente a explicação “correta”, mas é justamente isso que torna o final tão interessante. O filme abre espaço para diferentes leituras, mas não de maneira completamente aleatória. Existem pistas que permitem sustentar cada interpretação. É muito bom quando um filme deixa margem para discussão sem simplesmente abandonar o espectador diante de um final inexplicável.
Deadware
2.2 9 Assista AgoraPara um found footage todo passado em uma tela de computador, não é de todo ruim. Em vários momentos, a interação entre os personagens parece natural e ajuda bastante na imersão, dando a sensação de que estamos realmente acompanhando uma conversa entre duas pessoas. O problema é que, conforme a história avança, começam a surgir situações cada vez mais absurdas que não foram muito bem construídas nem executadas. Aí a naturalidade inicial vai se perdendo e o filme começa a exigir um pouco mais de boa vontade. O roteiro é fraco e não desenvolve tão bem as próprias ideias, mas a proposta funciona o suficiente para manter alguma curiosidade mesmo que limitada por uma história que não consegue acompanhar a própria premissa.
Perseguição Zumbi
1.7 30 Assista AgoraO que salva: os atores, incluindo o trabalho corporal dos figurantes como zumbis, e uma produção até competente para um filme de baixo orçamento. Tem uns efeitos de sangue que poderiam facilmente ter ficado péssimos, mas estranhamente achei charmosos, com uma estética meio retrô de videogame. De resto, quase nada funciona. O roteiro é bem fraco e a direção pouco inspirada. A história não cativa e, por mais que os atores se esforcem, fica difícil criar qualquer conexão com os personagens ou acreditar nas relações entre eles quando o próprio roteiro não oferece estofo suficiente para isso. No fim, parece um filme que tinha condições técnicas para ser bem melhor, mas foi o que teve pra hoje.
Insaciável
3.0 96Achei excelente. Estranho, grotesco, incômodo e, ao mesmo tempo, muito humano. Um daqueles filmes em que o absurdo parte de algo bastante comum e vai revelando uma coisa muito mais sombria por baixo. O final não é exatamente aberto, mas bastante sugestivo, e cheguei a algumas possíveis explicações [no spoiler]. É um terror psicológico com elementos de body horror e terror sobrenatural, gêneros que não costumam andar juntos, mas que aqui se complementam muito bem, levando uma situação aparentemente banal a lugares quase inimagináveis. Gostei muito de como o filme consegue ficar cada vez mais absurdo sem perder a conexão com aquilo que foi apresentado no início. Quando você percebe onde aquela premissa chegou, é quase inacreditável, mas ainda faz sentido dentro da lógica construída.
Minha leitura é que aquele desejo da Hana já existia muito antes de ela tomar a pílula da Bertha. Ela já flertava com essa vontade, ainda que de forma menos explícita. A Bertha, então, talvez não tenha despertado aquela “fome”, mas feito justamente o contrário. Ou seja, direcionado essa compulsão para a comida como uma forma de impedir que Hana seguisse o desejo que realmente carregava. Lembrando que a amiga da Bertha disse que ela era boa. Quando Hana finalmente consegue se livrar da Bertha e recebe praticamente uma segunda chance de vida, ela não está apenas livre da entidade. Está também livre daquilo que mantinha esse desejo sob controle. E o final sugere que, dessa vez, ela decide vivê-lo sem amarras. Quando mostra ela se deleciando com a mulher, o olho dela aparece normal, indicando que era ela mesma. Se for essa a intenção, acho ainda mais perturbador, porque transforma boa parte do que vimos antes: talvez Bertha nunca tenha sido a pior coisa dentro dela.