Se era para fazer isso, era melhor ter parado. Para mim, esse aqui conseguiu fazer o que nenhum outro filme da franquia tinha feito: praticamente acabar com qualquer empolgação que eu ainda tinha por V/H/S. Tudo é muito ruim. A sequência principal é facilmente a pior da franquia e nenhum dos curtas realmente funciona. O pior é que não tem nem aquele caso de um segmento ser péssimo, mas outro compensar. Aqui, meia hora depois, você já quase não lembra de nada do que viu. Não tem uma ideia realmente marcante, uma imagem que fique na cabeça ou pelo menos um curta que salve o conjunto. O estranhamento, que sempre foi uma das melhores coisas de V/H/S, aqui é só estranho mesmo. Falta aquela aura especial de bizarrice, desconforto e criatividade que fazia até os segmentos mais bagunçados da franquia terem alguma personalidade. As sequências são horrorosas, as ideias também e quase nada se salva. Nem tenho muito o que falar porque o filme não me deu muita coisa além de irritação e tédio. Uma pena. A franquia já teve altos e baixos, mas pelo menos quase sempre entregava alguma coisa divertida, absurda ou memorável. Aqui, para mim, não sobrou nada.
Desde uns dois filmes atrás, sinto que a franquia já não consegue sustentar aquele clima realmente assustador e sombrio que eu gostava tanto. Ainda existem boas ideias aqui. O demônio da vez é interessante, assim como o novo poder estabelecido dentro desse universo, mas acho que nenhum dos dois foi trabalhado tão bem quanto poderia. Atualmente, sinto que Insidious está caminhando cada vez mais para uma espécie de aventura sobrenatural, deixando de lado justamente aquilo que fazia a franquia funcionar melhor: medo, tensão e suspense. O filme acaba recorrendo demais a clichês e conveniências, e ainda traz de volta alguns personagens do Além que, para mim, não precisavam estar ali. Parecem mais acenos à franquia do que algo realmente necessário para a história, principalmente porque essa participação não se amarra ao restante. Nesse filme, achei que perderam uma ótima oportunidade de corrigir uma das maiores burradas que fizeram anteriormente na franquia. Com o novo poder estabelecido aqui, havia uma maneira bastante natural de fazer isso. Não aconteceu desta vez, mas agora que essa possibilidade existe dentro das regras desse universo, ainda dá para imaginar que façam isso mais para frente. No fim, continua expandindo a mitologia de Insidious, mas sinto cada vez mais falta daquela atmosfera perturbadora que fazia os primeiros filmes funcionarem tão bem.
Como esse personagem cresceu. Gostei bastante porque o filme explora uma característica muito recorrente do Peter nos quadrinhos e consegue aprofundar ainda mais o lado psicológico e emocional dele, mesmo depois de tantos filmes. Ainda é um filme dessa leva recente da Marvel, então a fórmula continua lá, mas já dá para sentir uma pitada de algo novo. Às vezes isso funciona, às vezes nem tanto. Aqui, para mim, encaixou muito bem em uma história mais leve, sem precisar transformar tudo em uma ameaça gigantesca para funcionar. É como sempre digo: para ser um bom filme de herói, não precisa ser sempre um Vingadores: Guerra Infinita. Às vezes basta entender bem o personagem, trabalhar seus conflitos e contar uma boa história. E ainda trouxe uma baita figura que deve ganhar novos contornos daqui para frente. Dessa parte, porém, ainda não sei se gostei tanto. Achei interessante, mas não é a mesma personagem que conhecemos. Nesse ponto, tudo vai depender dos rumos que a Marvel vai tomar daqui para frente.
Num “balanço geral” (rs), gostei bastante da história e dos personagens. Poderia ter sido mais enxuta e focada, mas os personagens e a história conseguiram me manter interessado até o fim.
O primeiro episódio não me pegou muito, mas a partir do segundo comecei a curtir . A série tem praticamente todos os problemas que as produções do Ryan Murphy costumam ter, mas também algumas das qualidades. Principalmente os personagens, que me cativaram bastante. Por sinal, isso é uma coisa que ele sabe fazer muito bem: criar personagens interessantes, mesmo quando a história ao redor deles começa a se perder. Todos os atores do núcleo principal estão muito bem. Alguns melhores até que o de costume.
O problema é que Ryan Murphy nunca parece saber a hora de parar. Tem uma trama paralela que achei completamente nada a ver e outra ambientada no passado que até gostei, mas que terminou meio “blá”. Nesse ponto, a série já estava começando a se arrastar e algumas coisas pareciam existir mais para preencher episódios do que porque realmente acrescentavam algo.
Aqui é difícil dizer que não existe certa romantização da figura da Lizzie, mas isso não me incomodou tanto. O caso real é cercado de dúvidas, versões conflitantes e acabou se transformando quase em uma lenda urbana americana, sendo reinterpretado inúmeras vezes ao longo do tempo. Nesse contexto, as liberdades tomadas pela série me pareceram parte da proposta, e não achei particularmente problemática a romantização do crime.
Série boa! Não fosse essa certa “enrolação”, que já virou quase uma característica do Ryan e da própria série Monstro, talvez seria 5 estrelas para mim.
É um ótimo documentário. Eu me lembrava vagamente de ter ouvido essa história muitos anos atrás, provavelmente na televisão ou em algum outro documentário, então foi interessante reencontrá-la agora de forma muito mais detalhada. Gostei principalmente da montagem dinâmica, que vai revelando aos poucos a complexidade do caso e mudando nossa percepção conforme novas informações aparecem. A história vai ganhando camadas gradualmente, sem entregar tudo de uma vez, o que ajuda bastante a manter o interesse até o fim. No geral, achei muito bem construído, envolvente e com um ritmo que funcionou bem para um caso tão cheio de detalhes e versões.
Às vezes me canso de ouvir, e até de dizer, que um filme poderia ter sido isso ou aquilo. Afinal, se a gente for avaliar uma obra apenas pelo que gostaria que ela tivesse sido, praticamente nenhuma vai escapar. Então, deixando de lado as minhas expectativas e olhando para o que o filme realmente entrega, achei uma aventura familiar água com açúcar, daquelas que passariam na Sessão da Tarde antigamente. O que realmente me incomodou foi o tom. Tem momentos em que o filme se leva a sério demais e outros em que cai completamente na galhofa. Certas vezes parecia que os acontecimentos foram decididos no dado e depois encaixados à força para que tudo desse convenientemente certo. A ideia central é sensacional e a produção tem seus méritos. Os atores convencem, os efeitos funcionam muito bem e gostei bastante dos dinossauros com uma aparência mais realista. Apesar de não transmitirem todo o peso que eu esperava, tanto a interação deles com os humanos quanto entre si ficou ótima. Em alguns momentos, o filme até me lembrou aquelas aventuras que misturam o cotidiano com o extraordinário, como Jurassic Park e Jumanji, embora esteja longe de alcançar o impacto desses clássicos. Considerando tudo fiquei com a sensação de ter assistido a uma aventura familiar bastante genérica construída em cima de uma ideia muito interessante. E olha eu aqui, de novo, pensando no que o filme poderia ter sido.
Um ótimo found footage que mistura muito bem o formato com uma pegada de falso documentário investigativo. A personagem principal é muito cativante e, mesmo quando toma decisões não exatamente inteligentes, elas parecem naturais porque ela foi bem construída. Não tive aquela sensação comum no gênero de que o personagem está fazendo alguma idiotice apenas porque o roteiro precisa que ele faça. Os outros personagens também conseguem transmitir bastante, mesmo aparecendo pouco. Dá para sentir o peso das histórias, das personalidades e das relações entre eles, o que ajuda muito a dar veracidade ao formato. O final não vem mastigadinho e gostei disso. O filme terminou, mas ficou na minha cabeça, então fui atrás de outras interpretações para ver se algumas das explicações que imaginei faziam sentido. E existem várias pistas espalhadas pelo filme que tornam algumas particularmente interessantes (no spoiler).
A explicação que mais me convenceu é que talvez não houvesse nada necessariamente sobrenatural na casa. Edward, o filho cujo corpo nunca foi encontrado, teria sido o responsável pelo massacre da própria família e continuado vivendo escondido ali durante todos aqueles anos.
Algumas das principais pistas aparecem nas entrevistas. A tia comenta que Edward (a criança menor), era uma criança problemática e fica claramente desconfortável quando fala sobre ele. Isso pode sugerir que havia comportamentos perturbadores que, olhando em retrospecto, talvez fossem sinais de algo muito mais sério.
Já a prima de Joseph (o pa) fala sobre como ele era paranoico, estranho e obcecado com a possibilidade de uma guerra nuclear. Esse detalhe parece bastante importante considerando que a família morreu em 1986, ainda durante a Guerra Fria. A teoria é que Joseph poderia ter construído um abrigo nuclear escondido sob a casa. Isso explicaria os barulhos recorrentes de batidas e arranhões e até a possibilidade de Edward se movimentar pela propriedade sem ser visto.
As evidências da cena do crime talvez sejam ainda mais fortes. Edward foi o único membro da família cujo corpo nunca apareceu e também é o único nome ausente da lista de vítimas encontrada na casa. A ideia seria que ele matou a própria família, amputou o braço para forjar a própria morte e passou décadas escondido naquele abrigo.
Isso também ajuda a explicar vários detalhes menores. As roupas femininas encontradas na casa, principalmente os vestidos de Rebecca, poderiam ser simplesmente o que restou para ele usar. Algumas inclusive estavam faltando dos cabides. Os alimentos abertos também poderiam indicar que alguém ainda vivia ali. Como a ideia é um abrigo nuclear, com certeza existiam alimentos para muitos anos lá. E, no final, quando Leah é arrastada para longe do carro, é possível ouvir algo parecido com uma porta de porão ou abrigo sendo aberta e fechada enquanto ela pergunta para onde está sendo levada.
Então minha leitura principal é basicamente essa: Edward já apresentava comportamentos perturbadores, matou a família, simulou a própria morte e passou todos aqueles anos escondido no abrigo construído pelo pai, matando quem se aproximava demais da verdade.
Mas ainda dentro dessa mesma explicação existe espaço para algo sobrenatural. Nada explica completamente a fixação do pai com aquela figura nem a possibilidade de ele realmente conseguir ver o futuro. Talvez ele de fato tivesse essa capacidade, mas tenha interpretado suas visões de forma equivocada e acabado criando um paradoxo: ao tentar evitar aquilo que viu, construiu justamente as condições para que aquela figura, que no futuro seria o próprio filho, viesse a existir.
Também existe a possibilidade de a figura ser uma assombração real e, de alguma forma, ter se apossado de Edward, fazendo com que todo o restante da teoria continuasse válido. Talvez até essas interpretações não sejam excludentes e possam coexistir.
Não sei se alguma dessas é necessariamente a explicação “correta”, mas é justamente isso que torna o final tão interessante. O filme abre espaço para diferentes leituras, mas não de maneira completamente aleatória. Existem pistas que permitem sustentar cada interpretação. É muito bom quando um filme deixa margem para discussão sem simplesmente abandonar o espectador diante de um final inexplicável.
Para um found footage todo passado em uma tela de computador, não é de todo ruim. Em vários momentos, a interação entre os personagens parece natural e ajuda bastante na imersão, dando a sensação de que estamos realmente acompanhando uma conversa entre duas pessoas. O problema é que, conforme a história avança, começam a surgir situações cada vez mais absurdas que não foram muito bem construídas nem executadas. Aí a naturalidade inicial vai se perdendo e o filme começa a exigir um pouco mais de boa vontade. O roteiro é fraco e não desenvolve tão bem as próprias ideias, mas a proposta funciona o suficiente para manter alguma curiosidade mesmo que limitada por uma história que não consegue acompanhar a própria premissa.
O que salva: os atores, incluindo o trabalho corporal dos figurantes como zumbis, e uma produção até competente para um filme de baixo orçamento. Tem uns efeitos de sangue que poderiam facilmente ter ficado péssimos, mas estranhamente achei charmosos, com uma estética meio retrô de videogame. De resto, quase nada funciona. O roteiro é bem fraco e a direção pouco inspirada. A história não cativa e, por mais que os atores se esforcem, fica difícil criar qualquer conexão com os personagens ou acreditar nas relações entre eles quando o próprio roteiro não oferece estofo suficiente para isso. No fim, parece um filme que tinha condições técnicas para ser bem melhor, mas foi o que teve pra hoje.
Achei excelente. Estranho, grotesco, incômodo e, ao mesmo tempo, muito humano. Um daqueles filmes em que o absurdo parte de algo bastante comum e vai revelando uma coisa muito mais sombria por baixo. O final não é exatamente aberto, mas bastante sugestivo, e cheguei a algumas possíveis explicações [no spoiler]. É um terror psicológico com elementos de body horror e terror sobrenatural, gêneros que não costumam andar juntos, mas que aqui se complementam muito bem, levando uma situação aparentemente banal a lugares quase inimagináveis. Gostei muito de como o filme consegue ficar cada vez mais absurdo sem perder a conexão com aquilo que foi apresentado no início. Quando você percebe onde aquela premissa chegou, é quase inacreditável, mas ainda faz sentido dentro da lógica construída.
Minha leitura é que aquele desejo da Hana já existia muito antes de ela tomar a pílula da Bertha. Ela já flertava com essa vontade, ainda que de forma menos explícita. A Bertha, então, talvez não tenha despertado aquela “fome”, mas feito justamente o contrário. Ou seja, direcionado essa compulsão para a comida como uma forma de impedir que Hana seguisse o desejo que realmente carregava. Lembrando que a amiga da Bertha disse que ela era boa. Quando Hana finalmente consegue se livrar da Bertha e recebe praticamente uma segunda chance de vida, ela não está apenas livre da entidade. Está também livre daquilo que mantinha esse desejo sob controle. E o final sugere que, dessa vez, ela decide vivê-lo sem amarras. Quando mostra ela se deleciando com a mulher, o olho dela aparece normal, indicando que era ela mesma. Se for essa a intenção, acho ainda mais perturbador, porque transforma boa parte do que vimos antes: talvez Bertha nunca tenha sido a pior coisa dentro dela.
Essa série é sensacional! Ainda acho que os três primeiros episódios desta temporada são praticamente irrelevantes e poderiam ser resumidos em uns 20 minutos. A história da perda de memória me pareceu claramente uma forma de atrasar a trama e encher episódios. Isso também acontece com outros plots, como o do Lukas e os túneis. Depois inventaram mais um personagem para completar praticamente a mesma linha narrativa. Algumas decisões parecem existir mais para esticar a série do que porque a história realmente precisava delas. Mas, tirando essas barrigadinhas que praticamente toda série acaba tendo, Silo continua excelente. A produção é muito boa, os atores seguram muito bem seus personagens, o elenco é cativante e os mistérios continuam interessantes o suficiente para me deixar querendo saber cada vez mais sobre aquele mundo. Mesmo quando enrola, ainda consegue me prender. Para mim, segue sendo uma das melhores séries de ficção científica atuais. Ansioso pela próxima temporada.
Amei. Me prendeu do começo ao fim, tanto pela história quanto pela forma como vai revelando suas ideias aos poucos. Ryan Gosling é um baita ator. Ele carrega o filme com carisma, vulnerabilidade, tensão e humor muito bem equilibrados, mesmo em momentos absurdos, sem transformar tudo em piada. Gostei também de como a ciência entra na narrativa de forma ficcional, mas divertida. Só confesso que a parte científica às vezes me dava um pequeno nervoso justamente porque conheço algumas daquelas coisas na prática. Em determinado momento, por exemplo, ele coloca dois tubos do mesmo lado de uma centrífuga e meu cérebro imediatamente saiu do filme para pensar: “vai desbalancear esse negócio!” hehe. É uma bobagem, mas quem já trabalhou com isso sabe que é uma situação bem real. E, sinceramente, é impressionante um filme conseguir me fazer chorar por causa de uma pedra. Isso diz muito sobre como a relação entre os personagens é bem construída. Para mim, funcionou praticamente em tudo. Fácil um dos melhores filmes que vi esse ano.
É um filme de terror psicológico com elementos de terror cósmico e existencial. Tem um ritmo lento, contemplativo e com pouca ação. Quem gosta de muita coisa acontecendo provavelmente vai sofrer um pouco aqui. O conceito é bem original, a fotografia funciona muito bem e achei especialmente inteligente a divisão da narrativa. Mais do que pelo que o filme é, e ele é muito bom, o principal problema, para mim, está no que ele poderia ter sido. A partir do segundo ato, perde força com diálogos que vão se tornando pouco relevantes para aquilo que vinha sendo construído, justamente quando parecia abrir espaço para aprofundar melhor suas ideias, teorias e temas. Ali havia uma ótima oportunidade de aprofundar algumas das teorias que o próprio filme começa a sugerir e trabalhar melhor com questões de perda de identidade, paranoia e percepção da realidade. Ainda assim, assistir a It Ends foi uma experiência bastante curiosa e criativa. É um filme que desperdiça parte do próprio potencial, mas tem ideias boas o suficiente para continuar reverberando depois que termina.
Até o episódio 6 da 3ª temporada de Silo, o que mais me incomodou foi a inconsistência com algumas regras estabelecidas nas temporadas anteriores. Durante as duas primeiras temporadas, era repetido que quem entrava nas minas não saía mais. O caso do Lukas Kyle, inclusive, foi tratado como uma exceção justamente porque ninguém tinha visto alguém voltar de lá. Agora descobrimos que o pai do Knox entrava e saía das minas aparentemente sem grandes problemas. E, se elas eram realmente tão perigosas quanto sempre deram a entender, fica estranho ver todo mundo entrando e saindo de boa. Outra coisa que não fecha para mim é o caso do próprio Lukas. Ele ficou nas minas por apenas um dia, até o Bernard tirá-lo de lá. Então não faz muito sentido agora tratarem como se ele tivesse descoberto toda aquela história dos túneis durante o período em que esteve lá. A menos que ainda exista alguma informação que não foi revelada, parece uma contradição com o que a própria série havia estabelecido.
É um filme de monstro com alma noventista, divertido e sem muita preocupação em ser sofisticado. Tem aquela mistura de gore, humor, personagens caricatos e situações absurdas que funciona justamente porque o filme abraça completamente a própria proposta.
Vi o desenho há muito tempo e já não me lembro tão bem dos detalhes, mas tive a impressão de que essa temporada acena muito mais para a história e o espírito da obra original. Eu gostei bastante. É uma pena que aparentemente não esteja tendo a audiência esperada. E acho curioso que parte da resistência venha justamente dos próprios fãs da animação original. Existe uma parcela do fandom que parece ter uma relação tão rígida com a obra que qualquer mudança é um problema. Fica difícil uma adaptação encontrar espaço para existir por conta própria. Para mim, pelo menos, funcionou. Não preciso que seja uma cópia perfeita da animação, desde que respeite sua essência e consiga construir algo interessante a partir dela, como acho que está sendo feito aqui. Ainda mais considerando as limitações de uma adaptação live-action, inclusive tecnológicas e orçamentárias. Nesse aspecto, aliás, acho que a série entrega muito bem o que se propõe.
É uma produção simples e de orçamento claramente limitado, mas que soube trabalhar muito bem com o que tinha. O que realmente sustenta o filme é a dinâmica entre os dois protagonistas, que consegue manter tudo interessante mesmo quando não está acontecendo muita coisa. Os atores mandam bem e ajudam bastante nisso. Até os zumbis funcionam pela simplicidade. Parecem menos “monstros de filme de zumbi” e mais pessoas que morreram recentemente e simplesmente voltaram a andar por aí. A maquiagem é quase inexistente e o trabalho corporal não tem nada de muito elaborado, mas, estranhamente, me convenceu. Não traz praticamente nada de novo para o gênero, mas consegue ter uma personalidade própria que me cativou.
Tem que ver na língua original com legenda. A versão dublada perde muito. É um bom filme de desastre/apocalipse e, sinceramente, não fica devendo nada para muita produção americana média do gênero. A escala da destruição funciona, os efeitos cumprem bem seu papel e o filme consegue transmitir aquela sensação de caos crescente que eu espero desse tipo de produção. A parte emocional, principalmente envolvendo as relações familiares, achei um pouco desajeitada e às vezes até forçada. Mas reconheço que tenho pouca paciência para esse tipo de drama em filmes de desastre. Não reinventa absolutamente nada, mas entrega bem o que se propõe. Gostei.
Acho que adaptar Backrooms para um longa já é complicado por natureza. O lado positivo é que seu próprio criador está completamente envolvido no filme e conseguiu fazer mais do que um simples aceno aos curtas, dando início à construção de um universo um pouco mais "coerente" em meio a toda a mitologia que foi se expandindo pela internet. O filme preserva bastante da atmosfera dos curtas, mas tive a sensação de que tenta explicar demais através dos diálogos e pouco pela própria narrativa. Os curtas sempre tiveram seus absurdos, mas parte do que foi construído aqui, principalmente em torno do monstro, não funcionou muito para mim. Algumas explicações e acontecimentos acabam diminuindo justamente a estranheza, e nem tudo que foi acrescentado à mitologia me pareceu necessário. Ainda assim, gostei.
É um filme bem legal, na linha de Casamento Sangrento, misturando terror, gore, comédia e ação de forma bastante equilibrada. O filme abraça o absurdo sem tentar se levar a sério demais, criando situações cada vez mais exageradas. A história não é nenhuma revolução no gênero, mas também nem precisa ser. Sabe quando fazer graça, quando partir para a violência e quando simplesmente deixar o caos tomar conta. No fim, é aquele tipo de filme que sabe exatamente o que quer ser e entrega a proposta sem muita enrolação. Violento, absurdo, engraçado e muito divertido. Me ganhou justamente por isso.
Gostei, mas de todos dessa fase mais recente da franquia, achei esse o mais fraco. E ser o pior entre filmes bons ainda está longe de significar que seja ruim. Tem tudo que espero de Evil Dead: violência exagerada, muito sangue, possessões grotescas, humor macabro e aquela completa falta de medo de passar do limite. O problema é que, dessa vez, senti tudo um pouco mais mecânico. Ainda assim, me diverti. Os efeitos práticos continuam sendo um dos grandes prazeres dessa franquia e quando o filme resolve abraçar o caos, funciona muito bem. Talvez eu esteja cobrando demais porque os anteriores elevaram muito a régua. No fim, é um bom Evil Dead, só não achei um ótimo Evil Dead. E 3,5 para o que considero o mais fraco dessa nova fase diz bastante sobre o quanto essa franquia ainda consegue me ganhar.
A proposta parece ser uma espécie de Hitman com zumbis, inclusive sem sutileza, já que The Hitman: Undead é um dos títulos alternativos do filme. O ator principal me tirou completamente do filme. A atuação é muito ruim e, considerando que praticamente toda a história depende dele, fica difícil salvar alguma coisa. A história também não ajuda: é genérica, clichê e batida tanto para filmes de zumbi quanto para qualquer pós-apocalíptico. Mas o que mais me incomodou foi a narração em pensamento do protagonista o tempo inteiro. Parece que, como o ator e as próprias cenas não conseguem transmitir sentimentos, o roteiro precisa literalmente contar para o espectador cada emoção, pensamento e motivação. E isso só evidencia ainda mais a falta de emoção tornando tudo cansativo e muito chato. É aquele clássico problema do "contar em vez de mostrar". Foi um filme difícil de terminar aff.
Hungerford 2 / The Darkest Dawn (2016) a “continuação” de Hungerford (2014), agora com outros personagens, parece ter uma produção um pouco mais caprichada, mas acaba seguindo praticamente pelo mesmo caminho do primeiro. Tem boas ideias e até parece que vai aproveitar melhor a premissa, mas o resultado continua aquém do potencial. Daria umas 2,5 estrelas tranquilamente, mas dei um pouco mais só para ajudar a subir essa média, porque também não merece estar abaixo de 2.
V/H/S/Mixtape
2.1 6Se era para fazer isso, era melhor ter parado. Para mim, esse aqui conseguiu fazer o que nenhum outro filme da franquia tinha feito: praticamente acabar com qualquer empolgação que eu ainda tinha por V/H/S.
Tudo é muito ruim. A sequência principal é facilmente a pior da franquia e nenhum dos curtas realmente funciona. O pior é que não tem nem aquele caso de um segmento ser péssimo, mas outro compensar. Aqui, meia hora depois, você já quase não lembra de nada do que viu. Não tem uma ideia realmente marcante, uma imagem que fique na cabeça ou pelo menos um curta que salve o conjunto.
O estranhamento, que sempre foi uma das melhores coisas de V/H/S, aqui é só estranho mesmo. Falta aquela aura especial de bizarrice, desconforto e criatividade que fazia até os segmentos mais bagunçados da franquia terem alguma personalidade. As sequências são horrorosas, as ideias também e quase nada se salva. Nem tenho muito o que falar porque o filme não me deu muita coisa além de irritação e tédio.
Uma pena. A franquia já teve altos e baixos, mas pelo menos quase sempre entregava alguma coisa divertida, absurda ou memorável. Aqui, para mim, não sobrou nada.
Sobrenatural: Agora Entre Nós
3.0 88 Assista AgoraDesde uns dois filmes atrás, sinto que a franquia já não consegue sustentar aquele clima realmente assustador e sombrio que eu gostava tanto. Ainda existem boas ideias aqui. O demônio da vez é interessante, assim como o novo poder estabelecido dentro desse universo, mas acho que nenhum dos dois foi trabalhado tão bem quanto poderia. Atualmente, sinto que Insidious está caminhando cada vez mais para uma espécie de aventura sobrenatural, deixando de lado justamente aquilo que fazia a franquia funcionar melhor: medo, tensão e suspense.
O filme acaba recorrendo demais a clichês e conveniências, e ainda traz de volta alguns personagens do Além que, para mim, não precisavam estar ali. Parecem mais acenos à franquia do que algo realmente necessário para a história, principalmente porque essa participação não se amarra ao restante.
Nesse filme, achei que perderam uma ótima oportunidade de corrigir uma das maiores burradas que fizeram anteriormente na franquia. Com o novo poder estabelecido aqui, havia uma maneira bastante natural de fazer isso. Não aconteceu desta vez, mas agora que essa possibilidade existe dentro das regras desse universo, ainda dá para imaginar que façam isso mais para frente. No fim, continua expandindo a mitologia de Insidious, mas sinto cada vez mais falta daquela atmosfera perturbadora que fazia os primeiros filmes funcionarem tão bem.
Get Away
2.6 26 Assista AgoraAchei meio obvio logo no ínicio, mas acaba ainda sendo divertido pelo bizarramente nonsense!
Homem-Aranha: Um Novo Dia
4.0 453 Assista AgoraComo esse personagem cresceu. Gostei bastante porque o filme explora uma característica muito recorrente do Peter nos quadrinhos e consegue aprofundar ainda mais o lado psicológico e emocional dele, mesmo depois de tantos filmes. Ainda é um filme dessa leva recente da Marvel, então a fórmula continua lá, mas já dá para sentir uma pitada de algo novo. Às vezes isso funciona, às vezes nem tanto. Aqui, para mim, encaixou muito bem em uma história mais leve, sem precisar transformar tudo em uma ameaça gigantesca para funcionar. É como sempre digo: para ser um bom filme de herói, não precisa ser sempre um Vingadores: Guerra Infinita. Às vezes basta entender bem o personagem, trabalhar seus conflitos e contar uma boa história. E ainda trouxe uma baita figura que deve ganhar novos contornos daqui para frente. Dessa parte, porém, ainda não sei se gostei tanto. Achei interessante, mas não é a mesma personagem que conhecemos. Nesse ponto, tudo vai depender dos rumos que a Marvel vai tomar daqui para frente.
Monstro (4ª Temporada) - A História de Lizzie Borden
3.3 97 Assista AgoraNum “balanço geral” (rs), gostei bastante da história e dos personagens. Poderia ter sido mais enxuta e focada, mas os personagens e a história conseguiram me manter interessado até o fim.
O primeiro episódio não me pegou muito, mas a partir do segundo comecei a curtir . A série tem praticamente todos os problemas que as produções do Ryan Murphy costumam ter, mas também algumas das qualidades. Principalmente os personagens, que me cativaram bastante. Por sinal, isso é uma coisa que ele sabe fazer muito bem: criar personagens interessantes, mesmo quando a história ao redor deles começa a se perder. Todos os atores do núcleo principal estão muito bem. Alguns melhores até que o de costume.
O problema é que Ryan Murphy nunca parece saber a hora de parar. Tem uma trama paralela que achei completamente nada a ver e outra ambientada no passado que até gostei, mas que terminou meio “blá”. Nesse ponto, a série já estava começando a se arrastar e algumas coisas pareciam existir mais para preencher episódios do que porque realmente acrescentavam algo.
Aqui é difícil dizer que não existe certa romantização da figura da Lizzie, mas isso não me incomodou tanto. O caso real é cercado de dúvidas, versões conflitantes e acabou se transformando quase em uma lenda urbana americana, sendo reinterpretado inúmeras vezes ao longo do tempo. Nesse contexto, as liberdades tomadas pela série me pareceram parte da proposta, e não achei particularmente problemática a romantização do crime.
Série boa! Não fosse essa certa “enrolação”, que já virou quase uma característica do Ryan e da própria série Monstro, talvez seria 5 estrelas para mim.
Morte e Mistério na Amazônia
3.8 5É um ótimo documentário. Eu me lembrava vagamente de ter ouvido essa história muitos anos atrás, provavelmente na televisão ou em algum outro documentário, então foi interessante reencontrá-la agora de forma muito mais detalhada.
Gostei principalmente da montagem dinâmica, que vai revelando aos poucos a complexidade do caso e mudando nossa percepção conforme novas informações aparecem. A história vai ganhando camadas gradualmente, sem entregar tudo de uma vez, o que ajuda bastante a manter o interesse até o fim.
No geral, achei muito bem construído, envolvente e com um ritmo que funcionou bem para um caso tão cheio de detalhes e versões.
O Fim da Rua
3.0 306 Assista AgoraÀs vezes me canso de ouvir, e até de dizer, que um filme poderia ter sido isso ou aquilo. Afinal, se a gente for avaliar uma obra apenas pelo que gostaria que ela tivesse sido, praticamente nenhuma vai escapar. Então, deixando de lado as minhas expectativas e olhando para o que o filme realmente entrega, achei uma aventura familiar água com açúcar, daquelas que passariam na Sessão da Tarde antigamente.
O que realmente me incomodou foi o tom. Tem momentos em que o filme se leva a sério demais e outros em que cai completamente na galhofa. Certas vezes parecia que os acontecimentos foram decididos no dado e depois encaixados à força para que tudo desse convenientemente certo.
A ideia central é sensacional e a produção tem seus méritos. Os atores convencem, os efeitos funcionam muito bem e gostei bastante dos dinossauros com uma aparência mais realista. Apesar de não transmitirem todo o peso que eu esperava, tanto a interação deles com os humanos quanto entre si ficou ótima. Em alguns momentos, o filme até me lembrou aquelas aventuras que misturam o cotidiano com o extraordinário, como Jurassic Park e Jumanji, embora esteja longe de alcançar o impacto desses clássicos.
Considerando tudo fiquei com a sensação de ter assistido a uma aventura familiar bastante genérica construída em cima de uma ideia muito interessante. E olha eu aqui, de novo, pensando no que o filme poderia ter sido.
The Lost Footage of Leah Sullivan
2.8 4 Assista AgoraUm ótimo found footage que mistura muito bem o formato com uma pegada de falso documentário investigativo. A personagem principal é muito cativante e, mesmo quando toma decisões não exatamente inteligentes, elas parecem naturais porque ela foi bem construída. Não tive aquela sensação comum no gênero de que o personagem está fazendo alguma idiotice apenas porque o roteiro precisa que ele faça. Os outros personagens também conseguem transmitir bastante, mesmo aparecendo pouco. Dá para sentir o peso das histórias, das personalidades e das relações entre eles, o que ajuda muito a dar veracidade ao formato. O final não vem mastigadinho e gostei disso. O filme terminou, mas ficou na minha cabeça, então fui atrás de outras interpretações para ver se algumas das explicações que imaginei faziam sentido. E existem várias pistas espalhadas pelo filme que tornam algumas particularmente interessantes (no spoiler).
A explicação que mais me convenceu é que talvez não houvesse nada necessariamente sobrenatural na casa. Edward, o filho cujo corpo nunca foi encontrado, teria sido o responsável pelo massacre da própria família e continuado vivendo escondido ali durante todos aqueles anos.
Algumas das principais pistas aparecem nas entrevistas. A tia comenta que Edward (a criança menor), era uma criança problemática e fica claramente desconfortável quando fala sobre ele. Isso pode sugerir que havia comportamentos perturbadores que, olhando em retrospecto, talvez fossem sinais de algo muito mais sério.
Já a prima de Joseph (o pa) fala sobre como ele era paranoico, estranho e obcecado com a possibilidade de uma guerra nuclear. Esse detalhe parece bastante importante considerando que a família morreu em 1986, ainda durante a Guerra Fria. A teoria é que Joseph poderia ter construído um abrigo nuclear escondido sob a casa. Isso explicaria os barulhos recorrentes de batidas e arranhões e até a possibilidade de Edward se movimentar pela propriedade sem ser visto.
As evidências da cena do crime talvez sejam ainda mais fortes. Edward foi o único membro da família cujo corpo nunca apareceu e também é o único nome ausente da lista de vítimas encontrada na casa. A ideia seria que ele matou a própria família, amputou o braço para forjar a própria morte e passou décadas escondido naquele abrigo.
Isso também ajuda a explicar vários detalhes menores. As roupas femininas encontradas na casa, principalmente os vestidos de Rebecca, poderiam ser simplesmente o que restou para ele usar. Algumas inclusive estavam faltando dos cabides. Os alimentos abertos também poderiam indicar que alguém ainda vivia ali. Como a ideia é um abrigo nuclear, com certeza existiam alimentos para muitos anos lá. E, no final, quando Leah é arrastada para longe do carro, é possível ouvir algo parecido com uma porta de porão ou abrigo sendo aberta e fechada enquanto ela pergunta para onde está sendo levada.
Então minha leitura principal é basicamente essa: Edward já apresentava comportamentos perturbadores, matou a família, simulou a própria morte e passou todos aqueles anos escondido no abrigo construído pelo pai, matando quem se aproximava demais da verdade.
Mas ainda dentro dessa mesma explicação existe espaço para algo sobrenatural. Nada explica completamente a fixação do pai com aquela figura nem a possibilidade de ele realmente conseguir ver o futuro. Talvez ele de fato tivesse essa capacidade, mas tenha interpretado suas visões de forma equivocada e acabado criando um paradoxo: ao tentar evitar aquilo que viu, construiu justamente as condições para que aquela figura, que no futuro seria o próprio filho, viesse a existir.
Também existe a possibilidade de a figura ser uma assombração real e, de alguma forma, ter se apossado de Edward, fazendo com que todo o restante da teoria continuasse válido. Talvez até essas interpretações não sejam excludentes e possam coexistir.
Não sei se alguma dessas é necessariamente a explicação “correta”, mas é justamente isso que torna o final tão interessante. O filme abre espaço para diferentes leituras, mas não de maneira completamente aleatória. Existem pistas que permitem sustentar cada interpretação. É muito bom quando um filme deixa margem para discussão sem simplesmente abandonar o espectador diante de um final inexplicável.
Deadware
2.2 9 Assista AgoraPara um found footage todo passado em uma tela de computador, não é de todo ruim. Em vários momentos, a interação entre os personagens parece natural e ajuda bastante na imersão, dando a sensação de que estamos realmente acompanhando uma conversa entre duas pessoas. O problema é que, conforme a história avança, começam a surgir situações cada vez mais absurdas que não foram muito bem construídas nem executadas. Aí a naturalidade inicial vai se perdendo e o filme começa a exigir um pouco mais de boa vontade. O roteiro é fraco e não desenvolve tão bem as próprias ideias, mas a proposta funciona o suficiente para manter alguma curiosidade mesmo que limitada por uma história que não consegue acompanhar a própria premissa.
Perseguição Zumbi
1.7 30 Assista AgoraO que salva: os atores, incluindo o trabalho corporal dos figurantes como zumbis, e uma produção até competente para um filme de baixo orçamento. Tem uns efeitos de sangue que poderiam facilmente ter ficado péssimos, mas estranhamente achei charmosos, com uma estética meio retrô de videogame. De resto, quase nada funciona. O roteiro é bem fraco e a direção pouco inspirada. A história não cativa e, por mais que os atores se esforcem, fica difícil criar qualquer conexão com os personagens ou acreditar nas relações entre eles quando o próprio roteiro não oferece estofo suficiente para isso. No fim, parece um filme que tinha condições técnicas para ser bem melhor, mas foi o que teve pra hoje.
Insaciável
3.0 85 Assista AgoraAchei excelente. Estranho, grotesco, incômodo e, ao mesmo tempo, muito humano. Um daqueles filmes em que o absurdo parte de algo bastante comum e vai revelando uma coisa muito mais sombria por baixo. O final não é exatamente aberto, mas bastante sugestivo, e cheguei a algumas possíveis explicações [no spoiler]. É um terror psicológico com elementos de body horror e terror sobrenatural, gêneros que não costumam andar juntos, mas que aqui se complementam muito bem, levando uma situação aparentemente banal a lugares quase inimagináveis. Gostei muito de como o filme consegue ficar cada vez mais absurdo sem perder a conexão com aquilo que foi apresentado no início. Quando você percebe onde aquela premissa chegou, é quase inacreditável, mas ainda faz sentido dentro da lógica construída.
Minha leitura é que aquele desejo da Hana já existia muito antes de ela tomar a pílula da Bertha. Ela já flertava com essa vontade, ainda que de forma menos explícita. A Bertha, então, talvez não tenha despertado aquela “fome”, mas feito justamente o contrário. Ou seja, direcionado essa compulsão para a comida como uma forma de impedir que Hana seguisse o desejo que realmente carregava. Lembrando que a amiga da Bertha disse que ela era boa. Quando Hana finalmente consegue se livrar da Bertha e recebe praticamente uma segunda chance de vida, ela não está apenas livre da entidade. Está também livre daquilo que mantinha esse desejo sob controle. E o final sugere que, dessa vez, ela decide vivê-lo sem amarras. Quando mostra ela se deleciando com a mulher, o olho dela aparece normal, indicando que era ela mesma. Se for essa a intenção, acho ainda mais perturbador, porque transforma boa parte do que vimos antes: talvez Bertha nunca tenha sido a pior coisa dentro dela.
Silo (3ª Temporada)
4.1 85 Assista AgoraEssa série é sensacional! Ainda acho que os três primeiros episódios desta temporada são praticamente irrelevantes e poderiam ser resumidos em uns 20 minutos. A história da perda de memória me pareceu claramente uma forma de atrasar a trama e encher episódios. Isso também acontece com outros plots, como o do Lukas e os túneis. Depois inventaram mais um personagem para completar praticamente a mesma linha narrativa. Algumas decisões parecem existir mais para esticar a série do que porque a história realmente precisava delas. Mas, tirando essas barrigadinhas que praticamente toda série acaba tendo, Silo continua excelente. A produção é muito boa, os atores seguram muito bem seus personagens, o elenco é cativante e os mistérios continuam interessantes o suficiente para me deixar querendo saber cada vez mais sobre aquele mundo. Mesmo quando enrola, ainda consegue me prender. Para mim, segue sendo uma das melhores séries de ficção científica atuais. Ansioso pela próxima temporada.
Devoradores de Estrelas
4.0 814 Assista AgoraAmei. Me prendeu do começo ao fim, tanto pela história quanto pela forma como vai revelando suas ideias aos poucos. Ryan Gosling é um baita ator. Ele carrega o filme com carisma, vulnerabilidade, tensão e humor muito bem equilibrados, mesmo em momentos absurdos, sem transformar tudo em piada. Gostei também de como a ciência entra na narrativa de forma ficcional, mas divertida. Só confesso que a parte científica às vezes me dava um pequeno nervoso justamente porque conheço algumas daquelas coisas na prática. Em determinado momento, por exemplo, ele coloca dois tubos do mesmo lado de uma centrífuga e meu cérebro imediatamente saiu do filme para pensar: “vai desbalancear esse negócio!” hehe. É uma bobagem, mas quem já trabalhou com isso sabe que é uma situação bem real. E, sinceramente, é impressionante um filme conseguir me fazer chorar por causa de uma pedra. Isso diz muito sobre como a relação entre os personagens é bem construída. Para mim, funcionou praticamente em tudo. Fácil um dos melhores filmes que vi esse ano.
It Ends
2.5 42É um filme de terror psicológico com elementos de terror cósmico e existencial. Tem um ritmo lento, contemplativo e com pouca ação. Quem gosta de muita coisa acontecendo provavelmente vai sofrer um pouco aqui. O conceito é bem original, a fotografia funciona muito bem e achei especialmente inteligente a divisão da narrativa. Mais do que pelo que o filme é, e ele é muito bom, o principal problema, para mim, está no que ele poderia ter sido. A partir do segundo ato, perde força com diálogos que vão se tornando pouco relevantes para aquilo que vinha sendo construído, justamente quando parecia abrir espaço para aprofundar melhor suas ideias, teorias e temas. Ali havia uma ótima oportunidade de aprofundar algumas das teorias que o próprio filme começa a sugerir e trabalhar melhor com questões de perda de identidade, paranoia e percepção da realidade. Ainda assim, assistir a It Ends foi uma experiência bastante curiosa e criativa. É um filme que desperdiça parte do próprio potencial, mas tem ideias boas o suficiente para continuar reverberando depois que termina.
Silo (3ª Temporada)
4.1 85 Assista AgoraAté o episódio 6 da 3ª temporada de Silo, o que mais me incomodou foi a inconsistência com algumas regras estabelecidas nas temporadas anteriores. Durante as duas primeiras temporadas, era repetido que quem entrava nas minas não saía mais. O caso do Lukas Kyle, inclusive, foi tratado como uma exceção justamente porque ninguém tinha visto alguém voltar de lá. Agora descobrimos que o pai do Knox entrava e saía das minas aparentemente sem grandes problemas. E, se elas eram realmente tão perigosas quanto sempre deram a entender, fica estranho ver todo mundo entrando e saindo de boa. Outra coisa que não fecha para mim é o caso do próprio Lukas. Ele ficou nas minas por apenas um dia, até o Bernard tirá-lo de lá. Então não faz muito sentido agora tratarem como se ele tivesse descoberto toda aquela história dos túneis durante o período em que esteve lá. A menos que ainda exista alguma informação que não foi revelada, parece uma contradição com o que a própria série havia estabelecido.
Banquete no Inferno
2.9 198 Assista AgoraÉ um filme de monstro com alma noventista, divertido e sem muita preocupação em ser sofisticado. Tem aquela mistura de gore, humor, personagens caricatos e situações absurdas que funciona justamente porque o filme abraça completamente a própria proposta.
Avatar: O Último Mestre do Ar (2ª Temporada)
3.6 38 Assista AgoraVi o desenho há muito tempo e já não me lembro tão bem dos detalhes, mas tive a impressão de que essa temporada acena muito mais para a história e o espírito da obra original. Eu gostei bastante. É uma pena que aparentemente não esteja tendo a audiência esperada. E acho curioso que parte da resistência venha justamente dos próprios fãs da animação original. Existe uma parcela do fandom que parece ter uma relação tão rígida com a obra que qualquer mudança é um problema. Fica difícil uma adaptação encontrar espaço para existir por conta própria. Para mim, pelo menos, funcionou. Não preciso que seja uma cópia perfeita da animação, desde que respeite sua essência e consiga construir algo interessante a partir dela, como acho que está sendo feito aqui. Ainda mais considerando as limitações de uma adaptação live-action, inclusive tecnológicas e orçamentárias. Nesse aspecto, aliás, acho que a série entrega muito bem o que se propõe.
Ben & Mickey Contra os Mortos
3.2 78 Assista AgoraÉ uma produção simples e de orçamento claramente limitado, mas que soube trabalhar muito bem com o que tinha. O que realmente sustenta o filme é a dinâmica entre os dois protagonistas, que consegue manter tudo interessante mesmo quando não está acontecendo muita coisa. Os atores mandam bem e ajudam bastante nisso. Até os zumbis funcionam pela simplicidade. Parecem menos “monstros de filme de zumbi” e mais pessoas que morreram recentemente e simplesmente voltaram a andar por aí. A maquiagem é quase inexistente e o trabalho corporal não tem nada de muito elaborado, mas, estranhamente, me convenceu. Não traz praticamente nada de novo para o gênero, mas consegue ter uma personalidade própria que me cativou.
12 Horas Para o Fim do Mundo
2.5 36 Assista AgoraTem que ver na língua original com legenda. A versão dublada perde muito. É um bom filme de desastre/apocalipse e, sinceramente, não fica devendo nada para muita produção americana média do gênero. A escala da destruição funciona, os efeitos cumprem bem seu papel e o filme consegue transmitir aquela sensação de caos crescente que eu espero desse tipo de produção. A parte emocional, principalmente envolvendo as relações familiares, achei um pouco desajeitada e às vezes até forçada. Mas reconheço que tenho pouca paciência para esse tipo de drama em filmes de desastre. Não reinventa absolutamente nada, mas entrega bem o que se propõe. Gostei.
Backrooms: Um Não-Lugar
3.2 478 Assista AgoraAcho que adaptar Backrooms para um longa já é complicado por natureza. O lado positivo é que seu próprio criador está completamente envolvido no filme e conseguiu fazer mais do que um simples aceno aos curtas, dando início à construção de um universo um pouco mais "coerente" em meio a toda a mitologia que foi se expandindo pela internet. O filme preserva bastante da atmosfera dos curtas, mas tive a sensação de que tenta explicar demais através dos diálogos e pouco pela própria narrativa. Os curtas sempre tiveram seus absurdos, mas parte do que foi construído aqui, principalmente em torno do monstro, não funcionou muito para mim. Algumas explicações e acontecimentos acabam diminuindo justamente a estranheza, e nem tudo que foi acrescentado à mitologia me pareceu necessário. Ainda assim, gostei.
Eles Vão Te Matar
3.1 281 Assista AgoraÉ um filme bem legal, na linha de Casamento Sangrento, misturando terror, gore, comédia e ação de forma bastante equilibrada. O filme abraça o absurdo sem tentar se levar a sério demais, criando situações cada vez mais exageradas.
A história não é nenhuma revolução no gênero, mas também nem precisa ser. Sabe quando fazer graça, quando partir para a violência e quando simplesmente deixar o caos tomar conta. No fim, é aquele tipo de filme que sabe exatamente o que quer ser e entrega a proposta sem muita enrolação. Violento, absurdo, engraçado e muito divertido. Me ganhou justamente por isso.
A Morte do Demônio: Em Chamas
3.1 309 Assista AgoraGostei, mas de todos dessa fase mais recente da franquia, achei esse o mais fraco. E ser o pior entre filmes bons ainda está longe de significar que seja ruim. Tem tudo que espero de Evil Dead: violência exagerada, muito sangue, possessões grotescas, humor macabro e aquela completa falta de medo de passar do limite. O problema é que, dessa vez, senti tudo um pouco mais mecânico. Ainda assim, me diverti. Os efeitos práticos continuam sendo um dos grandes prazeres dessa franquia e quando o filme resolve abraçar o caos, funciona muito bem. Talvez eu esteja cobrando demais porque os anteriores elevaram muito a régua. No fim, é um bom Evil Dead, só não achei um ótimo Evil Dead. E 3,5 para o que considero o mais fraco dessa nova fase diz bastante sobre o quanto essa franquia ainda consegue me ganhar.
O Motorista
1.7 23 Assista AgoraA proposta parece ser uma espécie de Hitman com zumbis, inclusive sem sutileza, já que The Hitman: Undead é um dos títulos alternativos do filme. O ator principal me tirou completamente do filme. A atuação é muito ruim e, considerando que praticamente toda a história depende dele, fica difícil salvar alguma coisa. A história também não ajuda: é genérica, clichê e batida tanto para filmes de zumbi quanto para qualquer pós-apocalíptico. Mas o que mais me incomodou foi a narração em pensamento do protagonista o tempo inteiro. Parece que, como o ator e as próprias cenas não conseguem transmitir sentimentos, o roteiro precisa literalmente contar para o espectador cada emoção, pensamento e motivação. E isso só evidencia ainda mais a falta de emoção tornando tudo cansativo e muito chato. É aquele clássico problema do "contar em vez de mostrar". Foi um filme difícil de terminar aff.
O Amanhecer Mais Escuro
1.7 34Hungerford 2 / The Darkest Dawn (2016) a “continuação” de Hungerford (2014), agora com outros personagens, parece ter uma produção um pouco mais caprichada, mas acaba seguindo praticamente pelo mesmo caminho do primeiro. Tem boas ideias e até parece que vai aproveitar melhor a premissa, mas o resultado continua aquém do potencial. Daria umas 2,5 estrelas tranquilamente, mas dei um pouco mais só para ajudar a subir essa média, porque também não merece estar abaixo de 2.