Dirigido por
Data de lançamento
7 Out. 2016Duração
Escravidão. Criminalização. Elos de uma corrente de segregação racial forjada por motivos políticos e econômicos. Estudiosos, ativistas e políticos analisam a correlação entre a criminalização da população negra dos EUA e o boom do sistema prisional do país.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
13th pega uma ferida histórica – a escravidão nos Estados Unidos – e mostra que, na verdade, ela nunca cicatrizou: só trocou de roupa, de nome e de discurso. Ava DuVernay traça uma linha direta entre o passado das plantations e o presente das prisões privadas, revelando que a indústria carcerária é mais um capítulo de uma mesma narrativa: a opressão lucrativa.
É perturbador perceber como, de Nixon a Trump, passando por republicanos e democratas, o mantra da “guerra às drogas” e do “combate ao crime” serviu de pretexto para inflar estatísticas de encarceramento e alimentar um sistema que, literalmente, lucra com corpos aprisionados. É quase cínico: a democracia mais celebrada do mundo mantém, silenciosamente, um motor econômico baseado na privação de liberdade – e, como sempre, a população negra é o combustível.
DuVernay não grita; ela deixa que os fatos falem, que as estatísticas pesem, que as vozes – de Angela Davis a ativistas contemporâneos – costurem um discurso impossível de ignorar. Um dos momentos mais emblemáticos é quando o documentário expõe a ALEC, uma organização que une congressistas e grandes corporações para redigir leis que fortalecem o encarceramento em massa. Para falar em defesa da instituição, surge um empresário que, diante das perguntas e dos fatos, se mostra visivelmente desconfortável – quase patético. É um contraste gritante: enquanto ativistas como Angela Davis articulam análises contundentes, ele tropeça nas palavras, incapaz de justificar o injustificável.
E então chega aquela fala final, que engole a gente por dentro: “A gente gosta de imaginar que teria sido corajoso no passado. Que teria se revoltado na época da escravidão, das leis de Jim Crow, da segregação aberta e violenta.” Condenar o ontem é fácil, porque ele já virou história. Difícil é encarar que ainda vivemos versões atualizadas da mesma brutalidade – menos explícitas, mas igualmente devastadoras.
A história americana gosta de contar que superou seus piores capítulos. Mas 13th nos lembra que o passado não desaparece – ele apenas se disfarça de presente. A escravidão virou encarceramento. A segregação virou política criminal. A opressão mudou de uniforme, mas continua lá. É interessante perceber que a história não é uma linha reta, mas um ciclo – e que talvez estejamos apenas vivendo mais um giro.
- a escravização nunca acabou, só mudou de nome e de métodos
- quase 10 anos depois desse documentário, nada mudou, se mudou foi pra pior, tivemos a reeleição do desgraçado do trump, o assassinato de george floyd e dezenas de casos semelhantes, lá e aqui no brasil
- as balas perdidas da policia sempre tem preferência em quem vão parar, a diferença de tratamento da polícia e de todo o sistema com uma pessoa branca e com uma negra é gritante. o sistema foi feito para ser assim, e para perpetuar isso, porque quem sempre esteve no poder e projetou esse sistema são brancos ricos
- revoltante os fatos narrados pelo documentário, como a política sempre trabalha para um lado e sempre faz tudo piorar para o outro, e ainda tem arrombado que acha que é exagero
Usuário temporariamente bloqueado por infringir os termos de uso do Filmow.
É um bom documentário.
Brilhante e elucidativo documentário, que não toma em nenhum momento ares de dramaticidade ou vitimismo, mas sim, explana de forma objetiva como o sistema da terra da liberdade funciona para prejudicar a parcela não-branca da população.