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Data de lançamento
16 Março 1960Duração
Homem rouba um carro e mata um policial antes de seguir para Paris. Lá, ele se esconde na casa de uma mulher, que tem o desejo de ser engravidada por ele. Quando ele perde a consciência e comete alguns pequenos delitos, dá também a brecha para os policiais o acharem e darem início a sua perseguição final.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Que belo triângulo amoroso entre Michel, Patrícia e o cigarro.
O anti-herói vivido por Jean-Paul Belmondo é carismático, mas precisa ser visto como fruto do seu tempo. O filme como um todo, aliás. <br/>O romance entre os protagonistas é divertido e é curioso ver os filmes do início da nouvelle vague. Não envelheceu como vinho, mas é divertido e provocador.
Um filme interessante, quando você assiste obras tradicionais daquele periodo e de repente coloca um filme da Nouvelle Vague, nota-se a diferença abruta na narrativa, no estilo.
Acossado foi o primeiro trabalho do Godard que assisti e gostei bastante, tem uma coisa ou outra que é um pouco datada, mas entendendo o contexto da época, é uma obra solida que mudou o cinema.
Eu tenho birra com o cinema francês e, aparentemente tudo que eu não gosto nele é culpa dessa tal nouvelle vague (neorrealismo italiano dá de dez a zero). Maaaaas, embora este daqui seja um dos fundadores do movimento, até gostei, na medida do possível. Uma das coisas que mais me incomoda nesse cinema é o quanto ele é pretencioso, metido, pomposo, repleto de frases filosóficas e profundas mal colocadas e de criatividade pela criatividade, sem ser orgânico à narrativa, além dos finais que sempre deixam aquela sensação de que a experiência de ver o filme foi puro tempo perdido. Bem, esse daqui não soa pretencioso, o que é quase um milagre, já que é um filme do Goddard. Não só isso, como as razões que o colocaram como um dos filmes mais influentes de sua época o foram por quase puro acaso, e não por tentativa de ser vanguardista.
Acossado é mais um daqueles filmes em que há um exagero na minha visão sobre suas inovações. O próprio termo inovação não tem muito sentido aqui. Na maioria esmagadora das vezes esses filmes não foram os pioneiros nas técnicas, e sim os que, pelo contexto da época ou outro acaso qualquer, são os que popularizaram elas. A quebra de quarta parede já era muito usada na época do cinema mudo. O personagem à deriva já tem suas bases, a meu ver, no neorrealismo italiano.
Os jump cuts sim foram (até onde consegui perseguir) uma grande inovação, embora tenham sido usados não pelo estilo ou por inventividade, mas sim para enxutar a duração do filme. Inclusive, pelo que pesquisei, mudou o tom de grande parte das cenas, sendo que o filme originalmente tinha uma dinâmica bem diferente.
E, bem, ainda não é aquele jump cut que estamos acostumados. Aquele em que são mostradas rapidamente várias ações sequenciais, e que moldou a edição impecável de Scott Pilgrim, um dos meus filmes preferidos. E sem Acossado, sem Scott Pilgrim, então dessa questão do jump cut eu realmente gostei.
Não só o jump cut, como várias outras das ditas inovações foram resultado do baixo orçamento da produção, moldando muito do estilo do cinema europeu na década seguinte. Agora, outra coisa mais inovadora que gostei foi o protagonista como vilão. Não era algo muito comum colocar vilões como protagonistas, no máximo anti-heróis ou personagens dúbios. O livro Lolita mesmo é um dos primeiros exemplares de vilão protagonista que eu tenho notícia, sendo lançado em 1955, então Acossado deve ser um dos primeiros exemplares cinematográficos disso. Nesse sentido, aliás, é quase como se fosse a parte 1 e O Demônio das Onze Horas fosse uma parte 2, pela semelhança de tema.
Agora, sobre o filme em si, deixando de lado suas influências, não achei tão extraordinário mas, como já disse, é até aceitável se comparado com outros exemplares do cinema francês. Não tem diálogos tão pretenciosos, na verdade são conversas que soam na maior parte do tempo como duas pessoas normais falando, ao invés daquela falação pretenciosa de um Demônio das Onze Horas, por exemplo. E, bem, isso acaba gerando outro problema, já que as falas também não são tão interessantes. Claro, foram importantes até mesmo como enorme influência no cinema de Tarantino, por exemplo, como a longa cena do quarto. O problema, como já disse, é que acaba sendo meio desinteressante, mesmo com a boa premissa.
E, curiosamente, é apenas desinteressante mas em nenhum momento em um filme chato. Talvez o jump cut tenha um papel nisso, já que este é um dos pontos mais interessante do longa. Mas, no fim, a cena que achei realmente boa foi a da entrevista. Mesmo que não tenha tanto função na narrativa (a não ser que eu tenha perdido algo), é a melhor do longa na minha opinião. E, como costumo dizer, quando a melhor cena não tem muita função, temos um problema.
Nota: 7.8.
Revolucionário em suas técnicas.
Imagino o impacto lá em 1960, com quebra da quarta parede, inúmeras referências ao cinema clássico americano e uma história contada pelo ponto de vista do bandido. Visto hoje, é perceptível o machismo intrínseco da época, que incomoda.
Vale pela importância na história do cinema, na mudança de paradigmas, e pela beleza de Jean Seberg, que preenche cada cena.