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Data de lançamento
16 Março 2021Duração
Situada em 1893. A grávida Molly Johnson, com seus filhos, luta para sobreviver à fome e aos elementos selvagens. Ela forma um vínculo com Yadaka, um aborígene fugitivo que a ajuda no nascimento e no enterro de seu bebê natimorto. Quando o sargento Nate Clintoff descobre que o marido de Molly está desaparecido, ele envia seu assistente Trooper Leslie para investigar, desencadeando uma cadeia de eventos brutais.
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Western australiano.
Disponível no Amazon Prime Vídeo.
Seguindo o modelo tradicional do western dramático, “A Bravura de Molly” reveste-se de uma saudável contemporaneidade ao abrir duas importantes frentes de discussão: a do racismo, através de um aborígene injustamente preso em função de sua pele; e a do feminismo, imaginando os primórdios de uma imprensa direcionada às mulheres.
“A Bravura de Molly” marca a estreia na direção e roteirização de longas ficcionais de Leah Purcell, conhecida na Austrália como atriz e escritora/diretora de curtas, documentários e seriados de TV.
A própria Leah se destaca como a protagonista-título da trama, numa performance marcante e singular.
O longa é baseado no conto “The Drover’s Wife: The Legend of Molly Johnson”, de Henry Lawson, considerado um dos principais cronistas da Austrália colonial. O material já havia rendido um telefilme australiano nos anos 1960, e ressurge agora com uma nova roupagem que enfatiza a luta feminista da personagem título.
Sobre a qualidade da produção, vale ressaltar a bonita fotografia e impecável ambientação das filmagens. O elenco de apoio é vigoroso. No contexto geral, "A Bravura de Molly", é um arrojado western feminista australiano que merece ser apreciado pelos amantes do gênero. Muito bom!
Interessante, em partes, mas maçante em outras. Produção modesta, tanto que economizaram até nas balas, visualmente as montanhas do continente australiano captada com a câmera ficaram caprichadas, um western com poucos tiros e muito drama. O protagonismo feminino foi essencial e consegue dar voz a mensagem que o filme quer passar.
É sempre bom ver um western subvertendo os personagens típicos dessas produções, de "Brokeback Mountain" a "Ataque dos cães", é delicioso perceber que há espaço para boas histórias com personagens dissidentes. Molly, então, acaba sendo um personagem que reforça o lado bom para quebrar estereótipos.
Ainda que sua figura reforça certos padrões, como o apego à feminilidade, à obediência ao marido, ao instinto maternal pelos filhos, ela o faz com certo grau de independência e força, que fica impossível não perceber o limiar entre a mulher condescendente e a mulher aguerrida que está sendo.
Confesso que esperava um pouco mais do roteiro, que basicamente se concentra na pequena casa dela, que entra em contato até mesmo com um negro fugitivo (em uma brecha para se discutir a escravidão do século XIX), mas o filme, por uma razão que não sei bem definir, não consegue engrenar.
Claro que a presença de Leah Purcell, que dirige e atua, salta a tela, e é uma grata surpresa ver um trabalho com alma e tecnicamente satisfatório.
Ainda assim é tudo muito quadrado e tradicional, lembra de longe "três anúncios para um crime" mas feito de forma conservadora. Acredito que temos em Leah uma cineasta promissora, o que se pode falar desta obra é que está longe de ser ruim, mas também precisaria de um gás e um tempero para tornar-se mais marcante.
A paisagem australiana ajuda? mto, mas a direção de fotografia soube enquadrar bem as imagens e fez um ótimo trabalho.