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O filme A Estação conta a história de Sofia, uma mulher misteriosa que chega caminhando à Estação “Vila Clemência” na esperança de pegar um trem, pois o comboio no qual estava quebrou. A estação fica em um lugar isolado e parece estar parada há muito tempo. Como o trem não aparece, Sofia é obrigada a se hospedar na pensão que a Companhia Ferroviária Nacional oferece aos passageiros que, por acaso, chegam até ali. Assim inicia-se a sua saga que consiste em tentar sair daquele lugar para ir atrás de seu marido, que a abandonou por uma outra mulher. Vemos o convívio dela com os outros passageiros que ali moram, alguns deles há muito tempo, e, como ela, cada um lida com a espera de um trem que pode passar várias vezes ao ano ou pode ficar mais de 10 anos sem passar. São pessoas solitárias que estão juntas pelo acaso e aguardam que em algum momento o comboio apareça e que assim possam tomar outros rumos.
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Em sua estreia no cinema ficcional, a diretora mineira Cristina Maure faz uma viagem ao universo feminino ao retratar dias na vida de uma mulher que chega a uma estação para pegar um trem, que nunca aparece. Ela está em busca do marido que a abandonou. Enquanto isso, fica hospedada numa pensão e cruza com pessoas estranhas, o que a faz relembrar velhos fatos. Nessa fita independente, coprodução Brasil e Uruguai, rodada durante a pandemia e finalizada somente agora, a diretora escala um elenco misto, como atores do teatro mineiro e a atriz uruguaia Jimena Castiglioni, radicada no Brasil. Conta com uma bela fotografia em preto-e-branca que evoca o passado, de um vilarejo e de uma mulher estacionados no tempo, criando uma atmosfera de sonho e realidade, que beiram o absurdo e surrealismo. Exibido no Festival de Tiradentes desse ano, o filme está nos cinemas pela Vaca Amarela. POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
Antes de ver o filme, li diversos comentários negativos sobre ele, de maneira que adentrei a sessão preparado para me decepcionar. Porém, desde o início fui arrebatado pela bela fotografia em preto e branco e pela trilha musical acordeonista. A interpretação de Jimena Castiglioni é ótima e ela domina muito bem o tempo em que está sozinha em cena. Minha mãe via o filme comigo, e ficou intrigada quanto às perspectivas sobrenaturais da narrativa, que combinam uma espécie de descrição do purgatório (ou umbral espírita, em versão campestre) com algo escrito pelo Samuel Beckett. Eu estava fascinado pelo enigma, tanto quanto um espectador da série "Lost", mas, quando outros personagens começam a ganhar o primeiro plano tramático, depois que Sofia se recolhe, provisoriamente, o filme perde um tantinho de seu interesse. Mas não de seu charme. Gostei muito de como termina e, por mais que o enredo seja existencialmente previsível, ele ocupa bem o nosso tempo de audiência: eu e minha mãe achamos uma delícia! (WPC>)