Baseado livremente na obra "A Fera na Selva" de Henry James. Durante 25 anos em uma enorme boate, um homem e uma mulher esperam por um evento desconhecido. De 1979 a 2004, acompanhamos a evolução da discoteca para a música techno, a história de um amor, a história de uma obsessão. Eventualmente, essa "coisa" se manifesta, mas assume uma forma muito mais trágica do que o esperado.
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Maçante, apenas.
Foi dureza acompanhar um filme com um robô sustentando todo o filme. Sério! Tinha momentos que o cara tava se segurando pra não soltar um peido, tentando atuar.
Se em "Meia noite em Paris" o Allen nos presenteia com a eterna insatisfação do presente retornando ao passado, sempre muito mais belo pela nostalgia, aqui o looping se dá sem sair do lugar, ou o que é pior, avançando mais ainda na idade, e se era para ficarmos mais experientes e mais maduros, a vida nos faz justamente o oposto.
A câmera vai acompanhando a dupla principal que flertam com um romance, claro, mas o filme em nenhum momento é um romance no sentido clássico. É existencialista ao extremo, fazendo os personagens, a todo instante, se perguntarem o que andam fazendo de suas vidas vazias.
Não há respostas fáceis, não há caminhos que possam dizer qual melhor atitude tomar. Não há carruagens que nos levem à Belle Époque, e por mais que a carruagem tivesse, não se trata de um contexto exterior: é o mundo interior que respira niilismo. Belo, mas muito seco.
Ao término da sessão, fiquei muito curioso para comparar esta adaptação à obra literária original: o casal central é muito bom (como não se encantar pelo taciturno Tom Mercier?), mas é a narradora Béatrice Dalle quem mais fascina e chama a nossa atenção. As seqüências de dança, ao fundo das conversas, são ótimas, bem como a trilha musical específica, que emula as mudanças de tendência 'disco'/eletrônicas da "vida real". Os segmentos sobre o esvaziamento urbano provocado pela AIDS são ótimos e o desfecho é belíssimo. É estranha e fascinante a maneira como os personagens falam sobre "a coisa" que pode acontecer a qualquer momento, mas isso também favorece a nossa identificação emocional, pois podemos projetar inúmeras sensações, sentimentos e situações em relação a este conceito tão geral. Muito bonito! (WPC>)