The Mother and the Whore - Estados Unidos da América
Sinopse
Um parisiense aparenta manter um relacionamento aberto ideal com sua namorada, mas acaba se apaixonando por uma enfermeira, que se orgulha de sua vida casual. Um triângulo amoroso se estabelece na tentativa de formar um ménage-a-trois.
"La Maman Et La Putain", de Jean Eustache, é uma verdadeira obra-prima restaurada em 2022, que pode ser apreciada agora, mais de 50 anos após seu lançamento. O filme é como um espelho rachado da juventude pós-maio de 68, quando os ideais de liberdade colidiram com os abismos afetivos e a emancipação reivindicou seus limites emocionais.
Alexandre (Jean-Pierre Léaud), o protagonista, encarna o espírito livre: fala de amor não convencional, de revolução, de desapego, mas à sua volta mantém duas mulheres das quais tem ciúmes: Marie (Bernadette Lafont) e Veronika (Françoise Lebrun) que, em meio àquela estranha forma de relacionamento, revelam que o coração não obedece às utopias.
Com longos diálogos e silêncios incômodos, Jean Eustache não busca agradar, mas sim inquietar. Assistindo às 3h38 de projeção, um pensamento me pareceu resumir o dilema central da história: o espírito é livre, mas o coração não. O tempo acaba criando laços afetivos nos relacionamentos, ainda que eles inicialmente sejam casuais e bem resolvidos, podendo levar os amantes a uma encruzilhada ou a um abismo.
Outro elemento provocador é o título "La Maman Et La Putain", mas assistindo ao filme conseguimos compreendê-lo bem. Essa cisão simbólica do corpo feminino, entre a mãe e a puta, denuncia a hipocrisia entre a liberdade sexual e a representação do papel social da mulher. O sexo, dependendo de sua finalidade, pode transformar a mulher em objeto de desejo ou em símbolo de amor legítimo.
Eustache não oferece respostas, apenas expõe a ferida.
É um filme que se retrai em sua própria formalidade, onde a palavra – especialmente a do flerte e da confissão – transita entre o prazer, a submissão e a humilhação. Um triângulo amoroso que não é tanto sobre afeto, mas sobre arrogância e punição, em uma dinâmica onde cada personagem carrega uma culpa que jamais será redimida. É interessante como esse tom formal de literatura impregna as confissões dos protagonistas, uma geração à sombra do Maio de 68, incapaz de se comprometer com qualquer ideal ou responsabilidade discursiva, que a vida real pede. Tudo é ao mesmo tempo intenso e vazio, essa tensão entre o desejo e o desencanto numa sociedade que deixou de acreditar nos próprios manifestos.
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"La Maman Et La Putain", de Jean Eustache, é uma verdadeira obra-prima restaurada em 2022, que pode ser apreciada agora, mais
de 50 anos após seu lançamento. O filme é como um espelho rachado da juventude pós-maio de 68, quando os ideais de liberdade colidiram com os abismos afetivos e a emancipação reivindicou seus limites emocionais.
Alexandre (Jean-Pierre Léaud), o protagonista, encarna o espírito livre: fala de amor não convencional, de revolução, de desapego, mas à sua volta mantém duas mulheres das quais tem ciúmes: Marie (Bernadette Lafont) e Veronika (Françoise Lebrun) que, em meio àquela estranha forma de relacionamento, revelam que o coração não obedece às utopias.
Com longos diálogos e silêncios incômodos, Jean Eustache não busca agradar, mas sim inquietar. Assistindo às 3h38 de projeção, um pensamento me pareceu resumir o dilema central da história: o espírito é livre, mas o coração não. O tempo acaba criando laços afetivos nos relacionamentos, ainda que eles inicialmente sejam casuais e bem resolvidos, podendo levar os amantes a uma encruzilhada ou a um abismo.
Outro elemento provocador é o título "La Maman Et La Putain", mas assistindo ao filme conseguimos compreendê-lo bem. Essa cisão simbólica do corpo feminino, entre a mãe e a puta, denuncia a hipocrisia entre a liberdade sexual e a representação do papel social da mulher. O sexo, dependendo de sua finalidade, pode transformar a mulher em objeto de desejo ou em símbolo de amor legítimo.
Eustache não oferece respostas, apenas expõe a ferida.
É um filme que se retrai em sua própria formalidade, onde a palavra – especialmente a do flerte e da confissão – transita entre o prazer, a submissão e a humilhação. Um triângulo amoroso que não é tanto sobre afeto, mas sobre arrogância e punição, em uma dinâmica onde cada personagem carrega uma culpa que jamais será redimida. É interessante como esse tom formal de literatura impregna as confissões dos protagonistas, uma geração à sombra do Maio de 68, incapaz de se comprometer com qualquer ideal ou responsabilidade discursiva, que a vida real pede. Tudo é ao mesmo tempo intenso e vazio, essa tensão entre o desejo e o desencanto numa sociedade que deixou de acreditar nos próprios manifestos.
"Como todas as imitadoras, é melhor que a original. Não tem o próprio mito a atrapalhando".
Vi que o filme tem boas notas, mas não achei isso tudo não...