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"Maria Malibran possuía a voz de meio-soprano mais bela e mais intensa de seu tempo. Com sua voz que abrangia 8 oitavas, ela também dominava todas as grandes partes de soprano. A fascinação sombria de seu canto e sua beleza melancólica foram elogiadas por muitos dos autores de sua época." (Werner Schroeter). Segundo uma lenda, Malibran (1808-1836) morreu de tanto cantar. Schroeter não tem intenção alguma de recontar a história da cantora em seu filme. Pelo contrário, ela representa uma oportunidade para realizar uma montagem de peças musicais, imagens e pequenos melodramas.
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Boiei mas boiei tanto que fui parar na África. O grande problema de uma boa parte dos cineastas marginais é que eles não entediam que para que a radicalização funcionasse espera-se um mínimo de enredo e lógica, ou ao menos que se trabalhe simbologias de maneira factível. Não me parece o caso de Schroeter que entrega uma não-biografia ( não tem como chamar de outra coisa) no máximo afetada. Se não fosse imagens em movimentos não daria para chamar de cinema.
Há muito tempo que eu ansiava por conhecer a filmografia de Werner Schroeter. Comecei pelos curtas-metragens e, pitorescamente, desgostei justamente daquele que parecia um ensaio para este longa-metragem, NEURASIA. Como tal, fiquei bastante incomodado ao longo da sessão, querendo abandoná-la, inclusive. Não estava compreendendo nada, não conseguia prestar atenção ao que aparecia na tela, por mais lindas que fossem aquelas imagens. Como este filme é considerado uma obra-prima por amigos mui confiáveis, resolvi insistir - e não arrependi-me: ao final, é maravilhoso! Mas exige bastante de nós, intencionalmente: é um dos filmes mais difíceis que já vi, em razão de apoiar-se em dois elementos que intimidam-me bastante, a assincronia sonora em inúmeras seqüências e a falta de narrativa (compensada, de maneira irônica, em seu terço final). Não conhecia nada sobre a personagem real (que não chega a ser biografada em si), o que confundiu a minha percepção, mas mesmo isso parece ter sido intencional: o filme deseja que mergulhemos naquilo que ele oferece, não no que é prometido por sinopses assimilatórias. As atrizes são maravilhosas (dá para entender o porquê de Fassbinder amar tanto este cineasta contemporâneo de sua intensa produção) e a atmosfera um tanto 'camp' é magistral, de modo que o filme fascina inequivocamente o público homossexual. Os cenários são estupendos e a trilha musical operística é um tesouro, em suas misturas potentes. Há diálogos shakespeareanos e muitas outras referências eruditas. Um desafio fílmico de primeira grandeza. Uma aula de entrega e paixão! (WPC>)
Vi pouquíssimos filmes de Werner Schroeter, antes deste havia visto apenas 3 de suas obras, postado pela Medeia Filmes de Portugal em plena Pandemia de 2020 online, algumas obras de cineastas famosos e entre eles estava "Nuit de chien" (2008), "Deux" (2002) e "Der Rosenkönig" (1986). Portanto este é o quarto filme que vejo dele e "Der Tod der Maria Malibran" pode ser muito estranho para alguns mas a fotografia, a direção de arte, a iluminação e a maquiagem são de excelente qualidade. O filme cheio de belas imagens e trilha sonora agradável.
Maria Malibran aqui é apenas um pretexto para uma deriva de evocações dramáticas e egolombras de Schroeter, que só é mencionada en pasant quase no final da obra. Não apresenta mais que uma sucessão de contemplação facial em esquetes dispersas do que uma diegese que una os fragmentos, diferentemente de Der Rosenkonig, que de fato, é um filme incrível em toda sua estética da citação teatral e da tragédia, com toda virulência de rosas e fatalidades amorosas. Pelo que tenho visto, a obra de Schroeter é permeada pela recorrência de fragmentação narrativa, miríades de esquetes teatrais, fatalismo amoroso, pieguismo e apelo melodramático à estética clássica e acadêmica e das operas etc. Mas este filme sobre Maria Malibran só vai agradar a quem curte teatro filmado, ópera e transgeneridade, enfim mais pelo conteúdo, do que pela forma, porque de cinema mesmo, de uma câmera aliada a uma encenação cinematográfica, o filme não tem nada a surpreender no enredo além de um culto de uma geração de gays a uma estética piegas decadente da fêmea clássica desmaiando por qualquer motivo. É um filme de imersão teatral na maquiagem fechosa das divas da ópera, nada de mais. É o kitsch do clássico elevado a mil.
não tem como tirar os olhos da magdalena montezuma quando ela aparece deusolivre magnetismo inato