Adaptação da obra de Beatriz Guido, o filme foi o representante argentino no Festival de Berlim em 1959. Uma jovem se muda para a capital Buenos Aires para estudar e se hospeda em uma pensão que é comandada pelos filhos da dona. “A Queda” se propõe fazer um ou vários retratos da sociedade, retratos cruéis sem retoques moralizadores ou lineares.
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Aliada à ótima trilha ♫ de Zé Carlos Paz, as contra-plongées no que Albertina sobe as escadas apresentam uma baita estória.
O Citroën DS 19 observa calmo, no quarteirão que vira na Corrientes, um Zé María Indarlegui de advogado misterioso; volta na pensão, surge impactante a Emma Bernal; e aí cê tem algumas semelhanças com 'La Mano En la Trampa' ou 'La Terraza', ambos de Torre Nilsson.
Ainda o fenomenal López Monet como o imparável Gustavo, xará do que fizera em 'El Secuestrador'; a presença firme de Lautaro Murúa; e o interessante bar onde tocavam ♫s cajun ou jazz.
Impressionante o clima de extremo terror psicológico do filme, tanto no que diz respeito à crueldade das crianças quanto à submissão da protagonista. O roteiro, inclusive, tal qual as demais colaborações entre marido diretor e esposa roteirista, surpreende pelas conotações sub-reptícias: a partir de situações morais (aparentemente triviais), um retrato das mazelas econômicas subdesenvolvimentistas é apresentado em sua faceta mais assustadora. Pena que, em seu quartel final, o enredo se atropele e a chegada do irmão das crianças interrompa a firmeza do clima sombrio que tinha sido erigido até então. Mas é um filmaço, sem dúvidas! (WPC>)