Escritor ingênuo faz amizade com malandro que lhe dá um vídeo sobre seita de adoradores do demônio. A partir do momento em que assiste o filme, a vida do escritor se transforma numa sucessão de tramas infernais.
Para o mês de agosto pedi indicações de filmes Trash, e peguei a dica do Tony Sarkis , que indicou esse filme 80s sobre um escritor que se muda pra outra cidade para tentar escrever seu romance. Lá ele conhece um tiozão marginal que entrega uma fita de video misteriosa e sobrenatural, e conhece também seu par romântico, uma mulher casca-grossa que trabalha numa videolocadora, fuma o tempo todo e vive em intrigas com um garotinho que tenta roubar fitas de conteúdo adulto. O filme é bem arrastado e sem pé nem cabeça; tem uma seita, um vhs com algum poder sobrenatural e praticamente nada de sangue e mortes, mas rende um bom passatempo 80s, ainda mais por boa parte do filme se passar dentro de uma videolocadora, com vários filmes que a gente tanto gosta na prateleira. Encontrei no YouTube, com dublagem em espanhol, com o titulo 'Telemensaje Mortal'. • YouTube
Eu costumo passar reto quando a sinopse de um filme descreve o personagem principal como escritor, muito por ter assistido pencas de outros filmes com esse mesmo tema e achar entediante o modo como essa premissa é recontada inúmeras vezes, como se a experiência da escrita fosse universal e super comum entre o público (não é). Dito isso, me peguei apertando o play neste que estava numa lista de "quero ver" sem ler a sinopse que eu já tinha lido e ignorado anteriormente. A viagem foi boa, com um ponto de partida mais "lugar comum" do que a profissão do personagem central, envolvendo o deslocamento do interior pra cidade grande, os anseios dessa mudança e a inabilidade de concentração pra se adaptar e cumprir seu objetivo.
A personagem feminina central não é a típica mulher rasa e indefesa como se costuma ver em terror oitentista de baixo orçamento, aqui a gata é por vezes grossa, direta, poucos papos, fuma o tempo todo e tem mais iniciativa do que o personagem masculino. Esse, por sua vez, é sensível, medroso, vulnerável e tenta se adaptar à agressividade da vida na cidade grande. O uso dessa inversão de papéis de gênero supera as expectativas do senso comum e usa o contraste dessas duas personalidades pra realçar as diferenças entre a criação interiorana e a dureza das metrópoles.
O enredo do filme se desenrola à partir dessa base bem construída e acaba chamando mais atenção pra esse viés humano do que pra seita satanista do vídeo cassete, o que pra mim foi vantagem, já que eu esperava o mesmo hocus-pocus-nonsense-pseudo-satanista-ruim que já foi explorado de maneira preguiçosa durante as décadas anteriores ao lançamento do filme.
Night Vision é um terror mais pessoal do que sobrenatural, mas ainda assim segura o mistério do VCR até o fim fazendo com que o expectador fique apreensivo pra entender como é que o toca fitas amaldiçoado se relaciona com a história.
Até que é legal, a personagem que trampa na videolocadora é bem engraçada, o protagonista é meio burraldo mas dá pra aturar essa trama tosca de um videocassete assombrado.
Para o mês de agosto pedi indicações de filmes Trash, e peguei a dica do Tony Sarkis , que indicou esse filme 80s sobre um escritor que se muda pra outra cidade para tentar escrever seu romance. Lá ele conhece um tiozão marginal que entrega uma fita de video misteriosa e sobrenatural, e conhece também seu par romântico, uma mulher casca-grossa que trabalha numa videolocadora, fuma o tempo todo e vive em intrigas com um garotinho que tenta roubar fitas de conteúdo adulto. O filme é bem arrastado e sem pé nem cabeça; tem uma seita, um vhs com algum poder sobrenatural e praticamente nada de sangue e mortes, mas rende um bom passatempo 80s, ainda mais por boa parte do filme se passar dentro de uma videolocadora, com vários filmes que a gente tanto gosta na prateleira. Encontrei no YouTube, com dublagem em espanhol, com o titulo 'Telemensaje Mortal'.
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*Dica: Sonhos Mortais (1988)
A capa/cartaz é mais interessante que o filme!
Eu costumo passar reto quando a sinopse de um filme descreve o personagem principal como escritor, muito por ter assistido pencas de outros filmes com esse mesmo tema e achar entediante o modo como essa premissa é recontada inúmeras vezes, como se a experiência da escrita fosse universal e super comum entre o público (não é). Dito isso, me peguei apertando o play neste que estava numa lista de "quero ver" sem ler a sinopse que eu já tinha lido e ignorado anteriormente. A viagem foi boa, com um ponto de partida mais "lugar comum" do que a profissão do personagem central, envolvendo o deslocamento do interior pra cidade grande, os anseios dessa mudança e a inabilidade de concentração pra se adaptar e cumprir seu objetivo.
A personagem feminina central não é a típica mulher rasa e indefesa como se costuma ver em terror oitentista de baixo orçamento, aqui a gata é por vezes grossa, direta, poucos papos, fuma o tempo todo e tem mais iniciativa do que o personagem masculino. Esse, por sua vez, é sensível, medroso, vulnerável e tenta se adaptar à agressividade da vida na cidade grande. O uso dessa inversão de papéis de gênero supera as expectativas do senso comum e usa o contraste dessas duas personalidades pra realçar as diferenças entre a criação interiorana e a dureza das metrópoles.
O enredo do filme se desenrola à partir dessa base bem construída e acaba chamando mais atenção pra esse viés humano do que pra seita satanista do vídeo cassete, o que pra mim foi vantagem, já que eu esperava o mesmo hocus-pocus-nonsense-pseudo-satanista-ruim que já foi explorado de maneira preguiçosa durante as décadas anteriores ao lançamento do filme.
Night Vision é um terror mais pessoal do que sobrenatural, mas ainda assim segura o mistério do VCR até o fim fazendo com que o expectador fique apreensivo pra entender como é que o toca fitas amaldiçoado se relaciona com a história.
Até que é legal, a personagem que trampa na videolocadora é bem engraçada, o protagonista é meio burraldo mas dá pra aturar essa trama tosca de um videocassete assombrado.