Todo mês de agosto, quando os termômetros passam 40ºC, os madrilenos fogem da capital espanhola com destino às praias do Atlântico e do Mediterrâneo. Eva, uma das poucas pessoas locais decidi ficar e enfrentar os dias mais quentes da cidade. Ela aluga um apartamento para o mês e experimenta sua cidade natal de maneiras completamente novas, graças a uma série de interações com velhos amigos e novos conhecidos. Ao tentar ajudar essas pessoas, no entanto, ela aprende que precisa primeiro se ajudar.
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Uma das coisas mais incríveis ao se experimentar numa sessão de cinema é a completa identificação com a problemática em questão vivida pela personagem. Tentar se descobrir, conhecer e reinventar numa metrópole cosmopolita, lugar onde por definição, se você é jovem e classe média, não deveria ser alguém solitário/sozinho, é uma tarefa árdua.
Não é um chamado a se jogar de cabeça no delírio de verão madrilenho, ou lançar-se em relações esporádicas e frívolas, mas é um deleite de se acompanhar a personagem alternando momentos de desfrutar sua própria companhia, e ter prazer com isso, e de encontros casuais com muita vontade e interesse.
É como se a todo momento a narrativa, através das intersecções que pontuam os dias, fizesse questão de afirmar a necessidade Eva estar, viver e ser seu momento presente. Talvez seja o caso do filme tocar de forma diferente e muito íntima de pessoa pra pessoa, - provavelmente vai ser um desses casos perdidos no meio de tantos lançamentos anuais, um one hit wonder de festivais ao redor do mundo - e aqui há a subjetividade de me relacionar profundamente com a temática já que vivo em uma metrópole própria, o Rio de Janeiro, passando por uma solidão compartilhada bem típica. Sem dúvida alguma, a personagem de Itsaso Arana é alguém que você adoraria ter por perto.