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Data de lançamento
1 Junho 2016Duração
Coreia do Sul, anos 1930. Durante a ocupação japonesa, a jovem Sookee (Kim Tae-ri) é contratada para trabalhar para uma herdeira nipônica, Hideko (Kim Min-Hee), que leva uma vida isolada ao lado do tio autoritário. Só que Sookee guarda um segredo: ela e um vigarista planejam desposar a herdeira, roubar sua fortuna e trancafiá-la em um sanatório. Tudo corre bem com o plano, até que Sookee aos poucos começa a compreender as motivações de Hideko.
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Chatíssimo.
Uma trama bem interessante, meio que contada sob 3 perspectivas distintas de acordo com os protagonistas. A sensualidade e o romance das meninas, dão uma pitada adocicada ao enredo.
Reparem como a figura do polvo aparece em vários momentos importantes do filme.
O polvo permanece escondido durante quase toda a narrativa, assim como os abusos que acontecem dentro da mansão. Ele funciona como uma representação física do terror que domina a casa de Kouzuki. Diversos estudiosos do filme observam que o animal está ligado à exploração de Hideko, aos traumas da tia e ao ambiente de violência sexual criado pelo tio.
1- A exploração sexual das mulheres (tem até cenas de livros eróticos na biblioteca com o povo enforcando e estuprando com seus tentáculos)
2- O domínio colonial japonês sobre a Coreia (o polvo é uma metáfora usada em propaganda colonial desde os tempos imperiais, o filme se passa na época do domínio japonês sobre a Coreia, um ser com muitos tentáculos que domina tudo ao redor de várias formas diferentes)
3- Os tentáculos do poder masculino que tentam controlar Hideko e Sook-hee
No final do filme enquanto as duas mulheres fogem junta elas escapam do aquário (porão) que as aprisionava, as forças do mal devoram uma a outra no porão e nesse mesmo porão vemos o polvo aprisionado em um aquário, simbolizando o fim da tirania, embora os tentáculos dele ainda se movem pra fora do aquário, mas não podem alcançar nenhum destino.
Outro fato que gostei muito é como as cenas eróticas foram conduzidas com maestria, na primeira onde ambas se relacionam usando a figura do Conde por se sentirem erradas em se darem prazer sem pensarem na figura dominante, até a última cena de sexo onde o diretor por exemplo não usa os sinos apenas como um elemento erótico adicionado igual alguns críticos reclamaram. Eles servem para mostrar que aquilo que antes era um instrumento de opressão foi transformado em um símbolo de autonomia e liberdade das protagonistas, ressignificando suas dores e o badalar dos sinos também sugere um novo começo.
Direção de arte maravilhosa e ótimas atuações em um filme que respira em todos os instantes o amor pelo cinema, embora ele seja um bom e velho novelão de máfia coreano com seus exageros típicos, é muito bem feitinho.
O filme prova que o prazer feminino é a única força revolucionária que importa. O filme coloca a sexualidade da mulher em um patamar inalcançável para os homens que tentam controlá-la. Na visão de Park Chan-wook, os homens são apenas ruídos irrelevantes.
O diretor usa o male gaze como uma armadilha. Enquanto os homens se acham poderosos observando e colecionando fetiches, eles apenas atestam a própria impotência. Enquanto isso, as mulheres usam esse tempo e o sexo para destruir o sistema por dentro e conquistar a liberdade real.
A cinematografia de Park Chan-wook não é apenas bonita, ela é parte fundamental do plano de fuga. Existe um contraste visual gritante entre os interiores opressores da mansão e a luz natural dos espaços abertos. A câmera isola os homens em enquadramentos rígidos, mas se torna fluida e íntima quando foca no toque entre as duas mulheres. A textura e a iluminação transformam o erotismo em algo sagrado.
Hideko e Sook-hee têm uma conexão sublime, enquanto os homens são figuras cruéis e limitadas por desejos vazios. Eles acreditam ter o controle, mas são descartáveis diante da inteligência de mulheres que decidiram se pertencer. O prazer aqui é um ato de guerra. O mundo é delas. Os homens são só o cenário que elas decidiram queimar.
Achei um pouco arrastado, mas as cenas compensam, principalmente a partir do III ato.