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Em 2002, três crianças se cruzaram em Belo Horizonte, na Barragem Santa Lúcia, que separa um conjunto de favelas de um bairro de classe média alta. Mesmo morando tão perto, sempre foram tão distantes. Durante dois finais de semana, elas experimentaram vivenciar universos sociais completamente diferentes do que estavam acostumadas. Vinte anos depois, o que aconteceu com cada uma delas? Entre 2002 e 2022, o Brasil foi virado pelo avesso. E suas vidas também. Um filme sobre os encontros e desencontros da sociedade brasileira contemporânea.
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Como será o amanhã? Foi isso o que o Marcos Pimentel se perguntou ao filmar a vida de três crianças, Zé Thomaz, Christian e Julia, em 2002 e aguardar 20 anos para voltar a encontrá-las e filmar como tinha sido suas vidas até ali. Zé Thomaz é um menino branco da zona mais rica de Belo Horizonte, Christian e Julia são dois meninos pretos e pobres da favela próxima a uma represa da cidade. Conhecendo nosso país, algumas respostas a gente já poderia adivinhar, mas esta garrafa vazia lançada no futuro também poderia trazer surpresas. E foi nisso que o diretor apostou.
Leia a crítica completa aqui:
https://jornalnota.com.br/2024/02/29/amanha-2024-as-intermitencias-da-desigualdade-em-um-pais-dividido/
Ainda que o projeto não seja de todo inédito (pensamos na cinessérie "Up" ou em ANNA DOS6 AOS 18, para ficar em títulos imediatos), o diretor foi assertivo na união de crianças provenientes de classes sociais radicalmente distintas. Quando há o reencontro com os personagens reais, ficamos curiosos quanto às confirmações do que era possibilidade a partir do título, mas isso torna-se, gradualmente, uma constatação dos piores determinismos, sobretudo porque, numa atitude ousada (e contrária às suas realizadores anteriores), o diretor narra os eventos, adéqua o que é filmado às suas teses já confirmadas. Por uma lado, isso é válido, em âmbito político-sociológico, mas diminui o charme do documentário, no que tange à naturalidade dos eventos, afinal confirmada pela inteligência espontânea de Júlia e pelo carisma apaixonante de Cristian. Há algo de desagradavelmente paternalista, a partir de determinado momento, mas o projeto é bem realizado, ainda que o diretor relute em aceitar os caminhos inventivos que os percalços da realidade pareciam obrigá-lo: ele insiste em levar a cabo o que planejara e, a despeito de uma recusa "esperada", consegue fazê-lo. Funciona enquanto registro de um Brasil em confronto, após a ascensão do bolsonarismo. Mas sem aderir ao fatalismo: a união entre os dois irmãos é cativantes, mesmo quando eles se separam, eventualmente... (WPC>)