Três momentos, todos eles sensuais, definem a vida de Ana. Sua procura carnal oscila entre a realidade e fantasias coloridas que se tornam cada vez mais opressivas. Uma mão a previne de gritar. O vento levanta o seu vestido e acaricia suas coxas. Uma navalha passa por sua pele. Aonde essa caótica e carnívora jornada a levará?
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O filme é uma grande ode ao gênero italiano "giallo" e apresenta um sequenciamento de estudos estéticos a partir de diferentes abordagens e características que marcaram o movimento. Mais que uma narrativa linear, é um exercício de semiótica montado de forma fragmentada.
A passagem de Ana criança talvez seja para muitos o ápice do filme, embora eu prefira a segunda parte. Na anterior, testemunhamos Ana entrar em conflito com seres fantásticos, desenvolver traumas e processar o luto de seu avô. Cortes curtos, rápidos e multicromáticos acompanham a jovem lutando por sua integridade. Tudo muito barulhento, com ranger de portas e olhares atrás de fechaduras despertando a sensação de vigilância constante (que não inibem a jovem). Ana está sendo observada e simultaneamente aprendendo a observar.
A cena de Ana (agora adulta) caminhando com sua mãe é um show à parte. Ilustram as embaraçadas linhas afetuosas e os chamados individuais da carne. Tudo sendo filmado como um comercial de perfume da Ralph Lauren. O filme todo exala e emana "desejo".
Existe a total dominância do olhar sobre tudo, como se a visão fosse quase um estudo sociológico. Habilidade essa, que Anna adquiriu ainda na infância e é compartilhada pelas outras personagens.
Existe um certo primitivismo também que beira o frenético.
Ânsia do que?
Tudo é fisiológico. Tudo é tentação (e proteção e libertação).
Até um pente fino vira organismo vivo.
Há uma cena de percurso em um automóvel com as janelas abertas e Ana sentada em bancos de couro. Mais um comercial, dessa vez filmado por Kenneth Anger.
Os cortes presentes nas cenas com Ana refletem-se da infância para a vida adulta transmitindo uma constante lembrança. Lembrança da rigidez do solo, das roupas ao vento e a iluminação multi cromática.
Focos diretos e delimitados a fim de expressar tais estados de espírito.
Violência muito delicada.
Êxtase natural (e estético).
Ótimo filme sensorial mesmo! Viajado, não dá pra entender nada mas eh isso aí! A cena do gilete vai se fuder, paia pakassssss (leia se bem feita)
- segundo filme que vejo da dupla, esse primeiro, assim como o outro é uma verdadeira experiência visual e sonora
- mega closes, edição frenética e muito imaginativa, que conta a história só pelos cortes e a captação de som é inacreditável
- a cena da navalha, pqp total excruciante
curti esse aqui. a direção tomou umas decisões bem únicas e impares, mas gostei do resultado e acho que casa bem com a proposta. o primeiro ato é um pouco longo demais, mas serve de alicerce para o restante. o roteiro é mt foda e gosto de como todas as cenas caminham juntas pra formar um texto maior, único e coeso, quase uma alegoria (pende um pouco mais pro literal). mt foda
Experiência sensorial q não me fez sentir nada