Últimas opiniões enviadas
Um B-movie família com A-quality.
"Tremors" tem várias características de um filme lado B: baixo orçamento, premissa estranha, personagens caricatos e humor inapropriado. O filme não tem vergonha de ser absurdo, mas com o diferencial de que ele também não trata a própria premissa como uma piada. Os personagens acreditam na ameaça, tentam entendê-la e desenvolvem estratégias cada vez mais sofisticadas para sobreviver. O absurdo tem uma lógica.
Kevin Bacon e Fred Ward são dois "faz-tudo" no sul dos EUA que se veem presos sob uma ameaça de vermes subterrâneos predatórios em uma cidade com uma população de 14 pessoas (sim). Ou seja, está todo mundo no mesmo barco.
A química entre Bacon e Ward é incrível, daquelas que sentimos que as personagens já tinham uma história antes do filme começar. Você percebe pela maneira como conversam, pelas provocações, pela divisão espontânea das tarefas, pelo modo como um sabe antecipadamente o que o outro vai fazer... E várias partidas de pedra-papel-tesoura haha
O microcosmo que eles preenchem é bem característico e nostálgico para quem aprecia a cultura norte-americana: o sotaque, o figurino, os "trucks", o comércio local, a relação entre os vizinhos... É tudo muito especial.
A descoberta da ameaça é gradual, assim como a evolução dos monstros, o que traz uma atmosfera efetivamente misteriosa, mesmo que no meio de (muitos) momentos de humor.
A evolução é um dos aspectos mais legais do filme, os vermes estudam o comportamento humano e se adaptam de uma forma digna de um xenomorfo.
A atuação da estudante de Ph.D também é ótima: uma mulher inteligente, que admira os milagres da natureza mas que ainda assim tem como objetivo sobreviver. A química dela com Bacon é ótima.
MENÇÃO HONROSA para o casal paranoico do bunker e a melhor frase do filme: "bunker antibombas, alimentos estocados, quarto de armas, gasolina... E NO FINAL OS FDP VIERAM DO SUBTERRÂNEO" kkkk
MENÇÃO HONROSA (2) para o dono da (única) loja da cidade cobrando 3 dólares para quem quisesse tirar foto com o primeiro verme morto. Bom demais.
Arrisco dizer que é um filme família. Não por ser infantil (apesar de ser bem PG-13), mas naquele sentido de um filme que quase qualquer pessoa pode assistir junto e todo mundo encontra alguma coisa para gostar.
O filme mais francês cosmopolita já feito na França cosmopolita.
Dois intelectuais desenvolvem uma belíssima amizade, com deliciosos passeios por Paris, cronogramas de lazer (diários) e conversas indulgentes sobre o mundo das artes e a sociedade (nesta ordem). Na primeira parte, a dupla de amigos é apresentada a Catherine, por quem ambos se apaixonam.
O início é composto de crônicas divertidíssimas, momentos hedonistas e uma história exacerbadamente apaixonada, com a cinematografia perfeita de Truffaut.
Então acontece uma importante passagem sobre a Primeira Guerra Mundial que carrega uma BOA dose de realidade para um filme tão "fantástico."
O universo das personagens nunca será o mesmo.
A partir deste momento, o longa muda de tom. A amizade torna-se mais complexa e o triângulo amoroso é estabelecido.
Os três amam um ao outro, trazendo um novo grau de complexidade ao conceito de relação afetiva (especialmente para a época). Paixão, renúncia, ciúmes, cumplicidade e comportamentos impulsivos giram em torno do astro maior que é Catherine: o paraíso e a espiral da loucura.
Catherine pode ser simultaneamente liberdade, desejo, felicidade, sofrimento, egoísmo e destruição, sem que uma categoria anule a outra. Nenhum comportamento é explicado, da mesma forma que as emoções humanas.
No fim, o carrossel fantástico torna-se fantasmagórico. Teria sido um futuro melhor só os parceiros Dom Quixote e Sancho Pança.
A câmera dinâmica de Truffaut projeta uma fluidez como se captasse em tempo real a movimentação dos atores, muitas vezes em planos longos e uma montagem veloz. As cenas cotidianas, os diálogos interpolados e a liberdade formal também remetem à Nouvelle Vague.
Porém, esse filme é menos experimental na forma e com um foco mais narrativo.
Últimos recados
O novo app do Filmow é oficial!
Olá, cinéfilo!
Depois de 2 meses em beta, o novo app do Filmow agora é oficial e 100% funcional.
Baixe aqui:
Android: https://filmow.s.gy/vIEnVo
iPhone: https://filmow.s.gy/esyxMU
Queremos ouvir você: gostou? O que falta? Como melhoramos?
Chama no WhatsApp +55 11 97103-8686 ou avalia direto na loja.
Bons filmes!
Equipe Filmow
Um pop-art noir poético e pirado
Assistir a um Godard em cores é outra experiência.
A premissa é uma promessa de film noir sobre uma mulher que investiga a morte de seu amante. Porém, apesar da linearidade, o comportamento das personagens e os diálogos dão lugar a fragmentação. Cenas repetidas, flashes poéticos, manipulação sonora, o cotidiano transformado em surreal; é uma linearidade com múltiplas linguagens próprias.
Há também a contestação política clássica de Godard, por vezes cruel e por vezes idealista.
O filme parece estar acontecendo dentro de uma revista pop dos anos 60. É como se Godard tivesse pegado o imaginário visual cultural da época e determinado: "faremos um filme inteiro disso." Os elementos visuais são personagens, não decoração ou simbolismo. Godard reverte a noção de "realismo" e a coloca como a imagem sendo parte integral de sua semântica.
Anna Karina é quase um elemento de direção de arte. Ela é parte da arquitetura cromática de cada enquadramento.
O longa parece tão cuidadosamente construído que você poderia congelar o filme em dezenas de momentos e provavelmente encontrar uma fotografia que funcionaria isoladamente.
Os elementos cênicos como o revólver e o trench coat adquirem muito mais uma função de objeto contemplativo do que algo essencial. Um tchotchke.
É como se a parte cenográfica tivesse sido desenvolvida pelo Pizzicato Five, haha
Inesperado, belo e emocionante (sem ser óbvio).