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Últimas opiniões enviadas

Posto 24h
2 semanas atrás

O filme mais francês cosmopolita já feito na França cosmopolita.
Dois intelectuais desenvolvem uma belíssima amizade, com deliciosos passeios por Paris, cronogramas de lazer (diários) e conversas indulgentes sobre o mundo das artes e a sociedade (nesta ordem). Na primeira parte, a dupla de amigos é apresentada a Catherine, por quem ambos se apaixonam.
O início é composto de crônicas divertidíssimas, momentos hedonistas e uma história exacerbadamente apaixonada, com a cinematografia perfeita de Truffaut.

Então acontece uma importante passagem sobre a Primeira Guerra Mundial que carrega uma BOA dose de realidade para um filme tão "fantástico."
O universo das personagens nunca será o mesmo.

A partir deste momento, o longa muda de tom. A amizade torna-se mais complexa e o triângulo amoroso é estabelecido.
Os três amam um ao outro, trazendo um novo grau de complexidade ao conceito de relação afetiva (especialmente para a época). Paixão, renúncia, ciúmes, cumplicidade e comportamentos impulsivos giram em torno do astro maior que é Catherine: o paraíso e a espiral da loucura.
Catherine pode ser simultaneamente liberdade, desejo, felicidade, sofrimento, egoísmo e destruição, sem que uma categoria anule a outra. Nenhum comportamento é explicado, da mesma forma que as emoções humanas.

No fim, o carrossel fantástico torna-se fantasmagórico. Teria sido um futuro melhor só os parceiros Dom Quixote e Sancho Pança.

A câmera dinâmica de Truffaut projeta uma fluidez como se captasse em tempo real a movimentação dos atores, muitas vezes em planos longos e uma montagem veloz. As cenas cotidianas, os diálogos interpolados e a liberdade formal também remetem à Nouvelle Vague.
Porém, esse filme é menos experimental na forma e com um foco mais narrativo.

Posto 24h
½
2 semanas atrás

Zach Cregger tem um jeito muito particular de fazer terror.
O terror tenso, cauteloso e carregado de emoção de Resident Evil permanece intacto, porém dotado de uma boa dose de humor e sem um minuto de descanso.
A atuação do protagonista é impecável. O verdadeiro herói é aquele que enfrenta o inferno e não recebe menção honrosa. No caso, é um (millennial) sobrevivente.
Existem várias menções aos jogos em momentos e detalhes, mas em um universo expandido. Como se trata da origem da disseminação, a margem para interpretação era bem ampla. Com relação aos monstros; os humanos são uma introdução para os humanóides que são uma introdução para as aberrações biológicas. É como uma escalada de desfamiliarização corporal, digna de Cronenberg.
Inumeráveis momentos de clímax. Cada cenário é um pequeno arco (sem puzzles, infelizmente) cheio de mistérios e novos monstros e situações. Como alguns críticos disseram, existe uma mudança atmosférica da primeira parte (mais tensa, silenciosa e baseada em descobertas) para a segunda metade (mais ação e mais monstros). Particularmente não vi problema nessa transição, pois estamos falando de uma adaptação que começa em uma estrada no meio do nada e passa para o coração de Raccoon City. É uma mudança natural. O filme mantém suas características essenciais do terror atmosférico de ação em ambos os momentos.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Meus momentos favoritos foram "os monstros se jogando dos prédios e espatifando no chão aos montes" e a cena dele contemplando o berçário contaminado. O contato com o primeiro cachorro foi ótimo também, e ajudou a ditar o tom do filme.


Ótima ambientação sonora. Cinematografia muito boa, algumas vezes lembrando os jogos em modo terceira pessoa.
Eu adorei o filme, um meio termo entre fidelidade e liberdade criativa que deu certo!
Raccoon City continua um caos e Umbrella continua sendo Umbrella.

Posto 24h
4 semanas atrás

O filme é mais um exercício experimental conceitual do que uma narrativa linear, embora seja dotado de enredo. É uma representação das relações humanas, da caoticidade do meio urbano e do completo absurdismo tecnológico.
O experimentalismo aumenta conforme o filme progride.
Existe uma forte crítica à dominação antiética da tecnologia, à sobreposição do lucro ao orgânico e também à corrupção, além de valorização do intelecto acima de quaisquer outros preceitos mesmo em momentos de crise.
Muito metal, ruído, violência, sexo, tecnologia e colapso psicológico juntos.

A cena do supermercado é um clássico. A primeira manifestação de Pinocchio como ser humano.
A incessante repetição maternal dos comportamentos de Himiko para com Pinocchio é comicamente didática e a atuação beira o teatral. É muito bonita. A casa de Himiko assemelha-se a um palco onde vemos a dinâmica dos dois florescer.
A câmera em perspectiva faz o espectador sentir-se na própria Tóquio. Eu sempre acho o máximo filmagens no meio de transeuntes, ainda mais quando apresentado dessa forma visceral como no filme haha
Contribui pro aspecto teatral, agora de intervenção.
Mais apoio pela freneticidade visual e ângulos desfavoráveis nos rostos de atores, por favor!
A estética anos 90 com o "cyberpunk retail store" deixa tudo muito charmoso, da melhor forma possível.

A atriz que interpreta Himiko faz um overacting que ao mesmo tempo é muito convincente. Todos os personagens deste "teatro dos absurdos" são caricatos, porém de uma forma muito honesta para com o filme. O ator que interpreta o "Pinocchio" é absurdamente cru e visceral. Nem imagino o quão desgastante foram as filmagens.
O melhor exemplo dessa abordagem de atuação é a famosa cena de Himiko na estação de metrô.

O humor me lembrou o (bem mais recente) absurdismo de Shintaro Kago.
Tem uma influência violenta de Cronenberg também.
Quem é habituado ao nansensu japonês vai se deliciar. Tá todo mundo loco.
Façam um favor a si mesmos: vejam as cenas dos créditos, haha

  • Filmow 3 semanas atrás

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