American Tragedy

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American Tragedy (2000)
American Tragedy
Média do filme: 3.0 de 5 — baseado em 1 votos
MÉDIAFILMOW
3.0
1 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Lawrence Schiller
Data de lançamento 12 Nov. 2000 Outras datas
Duração 170 min (2h50)

Dirigido por

Data de lançamento

12 Nov. 2000

Duração

170 minutos
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Sinopse

Johnnie Cochran defende O.J. Simpson, que está sendo julgado pelo assassinato de sua esposa.

Gênero:
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Elenco

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VisionQuest

Comentários 1
amigos querem ver
penelopepoczuda
Penelope
9 meses atrás

Todo julgamento precisa de um palco. O de O.J. Simpson teve câmeras, plateia, comentaristas e estrelas. American Tragedy tenta reconstruir esse palco quando as luzes ainda estavam quentes, é, sem dúvida, um filme feito cedo demais. Produzido poucos anos após o veredito, ele carrega a marca de um produto que ainda respeita demais seus personagens, ainda acredita na solenidade do tribunal e ainda não percebeu que aquele caso era tão espetáculo quanto processo.

Trata-se de uma produção para TV, uma produção correta, bem acabada, com ambição visível. O foco está claramente na defesa — no Dream Team — e em como aquele grupo de advogados se organizou. Um dos problemas é que American Tragedy parece o tempo todo dividido entre ser um filme dramatizado e uma grande reportagem ilustrada. Há excessivas inserções de imagens reais, de transmissões televisivas, de jornalistas narrando acontecimentos. Em certos momentos, a sensação é estranha: fico me perguntando por que não fizeram logo um documentário. Essa mescla constante cria um efeito quase enciclopédico — como se o filme estivesse mais interessado em listar fatos do que em dramatizar conflitos. É cinema com cara de telejornal.

O que mais me incomoda, no entanto, não é a forma híbrida, mas o tom. American Tragedy é um filme cordial demais para um caso movido a ego, vaidade e guerra de narrativas. Conhecendo o histórico da defesa, lendo livros, vendo entrevistas e, claro, assistindo a The People vs. O.J. Simpson, fica difícil aceitar a temperatura emocional que o filme propõe. Esses homens não eram apenas advogados competentes; eram estrelas jurídicas, egocêntricas, apaixonadas pelo palco do tribunal, obcecadas pela própria imagem. Aqui, as disputas entre Shapiro, F. Lee Bailey e Cochran existem, mas são tratadas com uma delicadeza quase educada. Onde está o ego? Onde está o atrito real? Onde está o prazer de disputar quem manda, quem aparece mais, quem entra para a história?

A comparação com The People vs. O.J. Simpson é inevitável — e também injusta, eu sei. A série de Ryan Murphy teve o benefício dos anos, da distância histórica, da possibilidade de olhar para tudo com cinismo, ironia e consciência do espetáculo. Ela entende que aquele julgamento foi tanto um processo jurídico quanto um reality show. American Tragedy, feito pouco tempo depois do veredito, ainda parece respeitoso demais com seus personagens. Johnny Cochran, por exemplo, surge aqui quase sem a paixão messiânica que o definia. Falta aquele Cochran que amava o palco tanto quanto amava a causa, que se via como um enviado, um salvador, um orador escolhido. Tudo está ali, mas diluído — como se o filme tivesse medo de assumir que aqueles homens gostavam demais de serem vistos. A representação da promotoria também me incomoda. Marcia Clark e, principalmente, Christopher Darden aparecem de forma simplificada, às vezes injusta. Darden vira quase um símbolo de arrogância, quando sabemos que sua trajetória e suas contradições eram muito mais complexas. Curiosamente, quem sai melhor retratado é F. Lee Bailey — talvez porque Christopher Plummer empreste ao personagem um peso que o filme, sozinho, não conseguiria sustentar. Ainda assim, tudo parece filtrado por um verniz de respeito institucional que suaviza conflitos que, na realidade, foram brutais.

Há, no entanto, um momento em que o filme finalmente deixa escapar algo, na minha visão, mais verdadeiro. Uma cena em que O.J., já nas declarações finais, grita com Johnny Cochran após ter um pedido recusado. É uma cena provavelmente inventada — não consta em registros, livros ou laudos — e justamente por isso funciona. Ali, por alguns segundos, surge um O.J. ameaçador, explosivo, incapaz de controlar a própria máscara. É um lampejo do assassino que não cabe nos autos do processo. Um momento de adrenalina emocional que o filme deveria ter buscado mais vezes.

No fim, o que fica é a sensação de que American Tragedy é uma versão mais branda — quase domesticada — de um caso que foi tudo, menos brando. Não é um filme ruim. Pelo contrário: é bem atuado, bem produzido e, em vários momentos, envolvente. Mas ele prefere narrar acontecimentos a encenar verdades emocionais. Falta sujeira, falta vaidade, falta conflito sustentado. Falta entender que, naquele tribunal, além de provas e estratégias, havia homens apaixonados pelo próprio reflexo.

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Elenco de American Tragedy

Mostrar mais (8)
Ron Silver (I) 1 13

Ron Silver (I)

(Robert Shapiro)
Ving Rhames 15 234

Ving Rhames

(Johnnie Cochran)
Bruno Kirby 2 8

Bruno Kirby

(Barry Scheck)
Christopher Plummer 28 503

Christopher Plummer

(F. Lee Bailey)
Darryl Alan Reed 0 0

Darryl Alan Reed

(Carl Douglas)
Nicholas Pryor (I) 0 3

Nicholas Pryor (I)

(Gerry Uelman)

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