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Por 30 anos, Cao Guimarães documentou fragmentos de sua amizade com colegas artistas. O filme é um mosaico de momentos domésticos registrados em diversos formatos, que vão de telas de computador e filmes em super-8 e 35mm a fitas cassete e antigas gravações de secretárias eletrônicas. Esses rabiscos audiovisuais são poéticos, banais, profundos, tristes ou desinibidamente alegres. Acima de tudo, são uma celebração sobre passar tempo juntos e envelhecer.
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Novo documentário autoral do cineasta mineiro Cao Guimarães, que volta às origens de seu ‘road cinema’ com traços biográficos e que fecha uma quadrilogia ao lado de ‘Rua de mão dupla’ (2004), ‘Acidente’ (2007) e ‘Andarilho’ (2007). Nesses três filmes ele percorre cidades distantes, cruza com pessoas diferentes, reflete sobre a existência e seu lugar no mundo. Em ‘Amizade’, que acaba de chegar aos cinemas brasileiros pela Embaúba Filmes, Cao parte da mesma proposta: dirige seu carro de Belo Horizonte a Montevideu, percorrendo 2500 quilômetros de estrada durante três dias. Na viagem, o velho amigo Beto Magalhaes, produtor de seus filmes, o acompanha. Uma câmera dentro do veículo grava conversas e pensamentos dos dois acerca de diversos assuntos, desde a rotina até política e o que esperam do futuro. Enquanto dialogam e a viagem acontece, um vasto arquivo pessoal de Cao, com fitas caseiras em super8 e 16mm, bem como arquivos de áudio de fita cassete, mensagens de secretária eletrônica, lives durante a pandemia e trechos de seus longas e curtas-metragens, costuram as conversas para pontuar a relação dele com amigos íntimos. É uma reflexão sobre a amizade a partir de memórias e imagens do passado. Segundo Cao, “Decidi fazer um filme com meu arquivo pessoal. E dentre os vários temas que surgiam ao revisitar essas imagens, escolhi a amizade. Porque, para mim, a amizade sempre foi o exercício por excelência da alteridade e, além disso, também é, como o cinema, uma escultura no tempo”. Realmente o diretor mudou-se de BH para a capital uruguaia, em 2023, quando gravou o filme, que mistura real e imaginário, o que costumeiramente faz em seus trabalhos há 30 anos. ‘Amizade’ é mais uma obra autoral e diferenciada de Cao que abre possibilidades para novas linguagens do cinema a partir de imagens híbridas, da fusão de passado e presente. Exibido no Festival de Amsterdã, o filme sai agora nos cinemas. POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
Perigo sujeitar-me a mais um confisco de minha carteirinha de cinéfilo, mas preciso ser sincero: não consigo gostar dos filmes do Cao Guimarães. Entendo as suas motivações, admiro os seus experimentos sonorosos (advindos da parceria duradoura com o coletivo O Grivo) e, neste caso em particular, fui sobremaneira atraído pela temática, pela abordagem valorativa das associações afetivas (e políticas) entre pessoas. Porém... Por mais que eu admire a fotografia, por mais que projete-me naquilo que é narrado (mas não na narração em si) e por mais que eu constate o quão inteligente é o realizador, algo ali não me desce: perguntar "se a solidão é algo rápido ou devagar?" é um dos motivos. esse tipo de abstracionismo, da maneira como surge, soa-me como um modelo aburguesado de comportamento esquerdista, somando às filmagens em Alemanha, Cuba, Uruguai e nos diversos países que o diretor visitou. Gosto das reflexões tecnológicas, das análises sobre pandemia e bolsonarismo, das filmagens felizes de pessoas que admiro (as que conheci identificar, ao menos), mas, infelizmente, algo nos filmes deste diretor não dialogam comigo. Eu lamento. De coração! (WPC>)