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Data de lançamento
20 Ago. 2026Duração
Roma, junho de 1979. Exilados brasileiros filmam a Conferência Internacional pela Anistia no Brasil, o maior encontro da esquerda brasileira fora do país. Quase meio século depois, essas imagens reacendem o debate sobre a manutenção do aparato repressivo da ditadura e a impunidade dos torturadores.
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Anistia 79
Alusivo documentário brasileiro aos 47 anos da Lei da Anistia, decretado em 1979, em um período crítico da Ditadura Militar no Brasil. O longa traz os primeiros movimentos no exterior para a anistia (que ficou ampla, geral e irrestrita), quando no Parlamento Italiano, em Roma, entre junho e julho de 1979, foi realizada a Conferência Internacional pela Anistia e pelas Liberdades Democráticas no Brasil. O encontro, de três dias, juntou cerca de 500 pessoas, incluindo exilados políticos, intelectuais, ativistas de direitos humanos e figuras da resistência à ditadura militar (como Apolônio de Carvalho, Gregório Bezerra e Francisco Julião). A Conferência foi a maior reunião da diáspora brasileira fora do país durante a Ditadura (que continuava aqui exilando, perseguindo e matando). O trunfo ideativo do filme é reunir gravações inéditas, todas com imagem restaurada, que foram feitas no Congresso por um militante de esquerda exilado na França, Hamilton Lopes dos Santos. Praticamente o filme todo é um compilado dessas imagens poderosas, em preto-e-branco, encontradas pela diretora do filme, Anita Leandro, no acervo da Universidade de Nanterre, nos arredores de Paris, e analisadas por pessoas que sentiram na pele a Ditadura, como familiares, e amigos íntimos dos retratados naquela reunião. Aparecem nas gravações Francisco Julião (das Ligas Camponesas), Apolonio de Carvalho, Carmela Pezzuti, Manuel da Conceição, Rolando Frati, Luís Travassos e Márcio Moreira Alves, parte desses exilados. Quase meio século depois, as gravações ressurgem para reacender o debate sobre as tristes páginas da História do país, do Estado repressivo da ditadura e da impunidade dos torturadores, trazendo paralelos com o Brasil atual (já que o golpismo e os afãs ditatoriais ainda rondam por aqui). No filme, 11 pessoas assistem pela primeira vez, depois de tanto tempo, àquelas imagens, e emocionadas relembram a História e seus personagens. A Conferência ocorreu às vésperas da sanção da Lei da Anistia no Brasil (Lei nº 6.683, de agosto de 1979), planejada para debater pontos limitantes dela – e serviu para denunciar os crimes e as torturas da ditadura militar brasileira perante a opinião pública mundial e o parlamento europeu. Acabou sancionada pelo presidente João Figueiredo em 28 de agosto daquele ano, sendo um marco no processo de redemocratização do Brasil. Deu perdão tanto aos opositores do regime quanto aos agentes do Estado (torturadores e militares) - por isso ampla, geral e irrestrita. As consequências diretas da Lei foram o retorno dos exilados (como líderes políticos, intelectuais e artistas), a libertação de presos políticos detidos nos presídios brasileiros e a reorganização política, permitindo a partir de 1980 a volta do pluripartidarismo, a restituição dos direitos políticos a cidadãos que haviam sido cassados pelo regime e as eleições diretas. É um filme-estudo de História, didático, importante para os dias de hoje. Foi premiado na Mostra de Cinema de Tiradentes, onde recebeu os prêmios de Melhor Filme da competição Olhos Livres e do Júri Popular. Um dos melhores documentários brasileiros do ano, está nos cinemas pela Embaúba Filmes. POR FELIPE BRIDA - No blog Cinema-naweb blogspotcom
- só os relatos do início sobre a tortura até a morte já joga por terra todo o papinho desses escrotos da extrema direita que pedem anistia aos golpistas do 8 de janeiro que queriam tomar o poder a força e ir contra a democracia
- me fala um deles que sofreu um milésimo do que os torturados nas mãos dos milicos nos porões da ditadura
- revoltante demais pensar que esses arrombados torturaram, mataram, aterrorizaram e cometeram inúmeros crimes e nunca foram e nem serão punidos
- um tapa na cara de todos os militantes quando a anistia da ditadura foi para os torturadores e não para os torturados, é de cair o cu da bunda
- anos terríveis, foi tanta censura que não é de se estranhar que até hoje muita coisa não é de conhecimento público gravações da época ainda estão sendo achadas
- a luta e o sacrifício de todos eles ainda existe, é por eles que vivemos hoje em um país livre e democrático e que ainda tem muito que melhorar
- ditadura nunca mais!
Não é ruim, mas é um documentário que tenta ser mais artístico do que informativo. Preferiria que tivesse sido mais informativo.
Espero não soar moralista, conservador ou criticamente limitado ao assumir isto, mas... Perante a extrema ovação recebida por esta obra, intuí que ele estava muito mais celebrado por sua abordagem do tema (sobremaneira pertinente na conjuntura atual) que por sua envergadura cinematográfica ou pelas invenções de linguagem associadas à safra tipicamente tiradentina. De fato, o que é mostrado pela diretora é impressionante (um uso sagaz de material de arquivo e muita sapiência na abordagem não comiserativa do reencontro com aquelas pessoas e imagens), mas achei o documentário tão convencional quanto esperado das produções do canal Curta!, como é o caso aqui. O que é muito mais um problema de expectativa que uma característica intrínseca: julgando o filme pelo que ele é e é muito exitoso em sê-lo, temos um filme inteligente e sensível - e, claro, político em cada detalhe de sua feitura - que ajuda a esclarecer que mesmo que alguns dos exilados sejam de famílias ricas, eles não eram comportamentalmente burgueses e demonstra que representantes de ligas camponesas e sindicatos proletários também tiveram desempenhos contundentes na conferência em questão. Gostei particularmente das intervenções da viúva e da filha do líder sindical maranhense. Um filme necessário ao extremo, sobretudo quando lembramos que estamos em ano eleitoral. Porém, assumo ter achado o ritmo um tantinho cansativo em determinados instantes... (WPC>)