Sobode Chiqueño registra em um gravador de fita cassete a memória dos Ayoreo no Chaco paraguaio. Em uma abordagem dialógica, ele busca compreender o passado e o presente do processo de evangelização de seu povo, ao mesmo tempo em que anseia recuperar, sem esconder o sentimento de repulsa em relação à violência branca, os vestígios de um paraíso perdido. As imagens de Ullón, dedicadas especialmente aos rostos de quem fala numa série de conversas organizadas pelo personagem, abrem outras expressividades a um precioso acervo de palavras.
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Documentário super necessário!
Mais uma das minhas buscas que só encontrei a partir de VPN, mas valeu à pena.
O documentário tem várias camadas e não se prende a uma única coisa. Apesar de temáticas um pouco distintas, ele me lembrou o "Era uma vez na Venezuela".
Trata de um parte um pouco esquecida do "Gran Chaco", região que eu quero muito conhecer um dia, e mostra como os indígenas da região foram abandonados pelo Estado e que só foram lembrados pela Igreja para a sua catequização. Interessante também que traz alguns dilemas como "e se ainda vivêssemos isolados? Como seria?"
Belíssimo e doloroso relato sobre a imposição neo-catequizadora e sobre a usurpação das propriedades elementares das populações indígenas. Faz um diálogo interessante com EX-PAJÉ, pois mostra uma mesma situação de estrema opressão (a religião branca como exterminadora de culturas), com um elemento ainda mais violento (a crueldade oriunda da rapacidade humana, num ambiente de secura): a seqüência dos cadáveres de animais é terrível, mas o filme direciona-nos à beleza, à resistência proporcionada por aquele toca-fitas de manutenção da vida. Muito bonito, ainda que doloroso: uma versão direcionada aos elementos sonoros de YÃOKWA - IMAGEM E MEMÓRIA, com o qual também dialoga bastante! (WPC>)