Uma mulher (Emma Suárez) que reconstruíu sua vida no exterior, retorna ao México para se reconectar com sua filha mais nova, Valéria, quando descobre que a adolescente está grávida. Mas essa reunião se revela muito mais complicada do que ela imaginava.
Belo drama, com uma trama pouco ou nada tradicional, mas com um belo final. Nota 8,0.
Um filme com uma boa sinopse, mas não me peguei a ele e não segui adiante.
eitaaa lá confusión total...bem a cara do Michel Franco mesmo kk
Apesar de muito competente em sua articulação narrativa, “As Filhas de Abril” se mostra inconsistente na tentativa de abraçar as suas subtramas e agrupa-las ao seu plot central. A impressão que dá é que algumas situações não são exploradas ao ponto do filme funcionar como uma única esfera, uma unidade coesa, e isso prejudicou e muito o resultado final. Se não fosse tão impreciso na abordagem em alguns pontos, seria um trabalho praticamente categórico. Ainda mais contando com mais uma direção segura de Michel Franco - que me arrebatou com seus incríveis trabalhos anteriores “Depois de Lucia” e “Chronic”.
Mesmo assim, no geral, acho a fluidez e a força das atuações poderosas o suficiente para carregarem o longa, e isso se destaca perante às fragilidades que se apresentam no seu decorrer.
A classe média, esse mal dos tempos, continua sendo a classe média em qualquer canto do mundo.
Em vez da abordagem comum ao apresentar uma história, a de logo no começo traçar todo o panorama familiar e, a partir daí, seguir com os conflitos e desenrolar da trama, Franco opta por até o último minuto de filme revelar parcelas de informação a cerca dos personagens. Seja de casamentos prévios, mágoas e rancores adormecidos, problemas e conflitos pessoais que se desdobram, nada é entregue de bandeja, mas cada uma dessas pontas, peça por peça, serve pra construir ao fim uma história perturbadora sobre como um ambiente familiar pode ser tóxico e altamente destrutivo.
Nenhuma das personagens é sã, ao mesmo tempo em que, como em um efeito cascata, seus problemas acabam projetando tormenta no próximo, servindo como catalisador pra trama. Clara, que é um jovem sozinha, com sérios problemas de auto estima e segurança, provavelmente em virtude de sua criação, recebe na casa de praia da família sua irmã grávida, Valéria. Acredito que sem dúvida alguma o velado rancor para com a irmã, de boa aparência e com um namorado igualmente bonito, fez com que ela trouxesse para a cena a mãe de ambas, uma sociopata com tendências controladoras e manipuladora.
O resto é história, e muito boa história. A forma fria de condução de Franco, sem ceder sequer um momento de arroubos, nem para cima nem para baixo, faz com que o clima tenso permeie toda a obra, constantemente a sensação de que algo muito ruim está ou vai acontecer.