Dirigido por
Data de lançamento
9 Ago. 2011Duração
Temendo a morte da esposa idosa, um velho pede que seu sobrinho realize o Jamurikumalu, o maior ritual feminino do Alto Xingu (MT), para que ela possa cantar uma última vez. As mulheres do grupo começam os ensaios enquanto a única cantora que de fato sabe todas as músicas se encontra gravemente doente.
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Cineastas que valorizaram bem os povos e as culturas.
>Assistido em 15 de Julho de 2025
Filme realizado por cineastas indígenas do Alto Xingu. Dirigido por Takuma Kuikuro, em parceria com o antropólogo Fausto Carlos, e montado por Juliana Lapa. O longa é inteiro gravado no idioma Kuikuro.
Sinopse: Conheça o Jamurikumalu, o maior ritual feminino do Alto Xingu, no Mato Grosso. As mulheres do grupo começam os ensaios enquanto a única cantora que sabe todas as músicas se encontra gravemente doente.
A produção é da Vídeo nas Aldeias (VNA), projeto precursor na área de produção audiovisual indígena no Brasil, criado em 1986 a fim de fortalecer as identidades dos povos indígenas e seus patrimônios territoriais e culturais. Resultando do encontro entre uma comunidade indígena, os Kuikuro do Alto Xingu, e um conjunto de pessoas não-indígenas, comprometidas em produzir um espaço comum de diálogo e de criação.
As Hiper Mulheres foi selecionado para a Mostra Competitiva do Festival de Gramado 2011. Ganhou o Prêmio Especial do Júri, e o prêmio de Melhor Montagem, feita pela artista plástica pernambucana Juliana Lapa.
No FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO 2011, ganhou Melhor Som, e no FESTCINE GOIÂNIA 2011, Melhor Longa-metragem Documentário.
Classificação indicativa: 10 anos.
Áudio original no idioma Kuikuro
Legendado em PTBR
Assistir online: https://youtu.be/Eg0o6SyhwyA
As hiper mulheres (2011) resulta dos agenciamentos entre três diretores com formações distintas: o cineasta, não índio Leonardo Sette, o antropólogo Carlos Fausto e o cineasta Takumã Kuikuro, integrante do Projeto Vídeo nas Aldeias, estudante na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro, transeunte de fronteiras e da possibilidade de se contar histórias por meio das narrativas fílmicas desde pontos de vista diversos. O filme etnográfico, portanto, representa, em linhas gerais o processo de negociação que grupos indígenas tem de estabelecer com diversos outros grupos, em diversas escalas e ambientes. Nesse trabalho, o marco de partida é um exercício de negociação, em que a distinção entre os papéis de quem filma e é filmado é enfraquecida, na direção de se realizar um filme que, a despeito de transpirar um caráter etnográfico, observa uma estrutura narrativa com todos os elementos típicos de uma história ficcional, contada com imagens em movimento sonorizadas. A figura do outro, presente nos filmes etnográficos, desfaz-se, perdendo a centralidade na narrativa, na experiência partilhada não só entre os diretores, mas com toda a comunidade que performa em seu próprio cotidiano, o que nos apresenta uma caráter centralizado do pensamento dito selvagem. Há uma história a ser vivida e a ser contada, e há os sujeitos que a performam, tomando parte da tessitura construída ponto a ponto, cena a cena. As mulheres são protagonistas porque hiper mulheres, como o título antecipa, Kuegü, da língua falada pelos kuikuro, foi traduzida como hiper, ocupando o lugar de superlativo, e itão corresponde a mulheres. Como o filme conta a preparação e a realização do Jamurikumalu, ritual feminino do Alto Xingu, no Mato Grosso, Brasil, o título realça a centralidade das mulheres no ritual e no filme, e sua força que se estende desde a situação extraordinária da festa ao cotidiano da comunidade.
Estudos sobre o evento precederam a produção do filme, formando a base para a formulação do argumento central, em torno do qual transcorre o enredo. Nele, o tio pede ao sobrinho que realize o ritual, pois ele teme a proximidade da morte de sua mulher, já velha, a única que conhece todos os cantos da festa. A possível morte sem a realização do ritual implicaria esquecimento e perda de cantos que ela ainda não teve tempo e condições de ensinar para sua sucessora. Kanu, mulher adulta, mais jovem, que tem o conhecimento necessário para realizar o ritual, está gravemente enferma. Enquanto as expectativas se estabelecem em tensão, o cotidiano da comunidade vai se desenhando, e a narrativa se desenvolve. O tempo gasto para a pesquisa, bem como a duração das gravações, envolveu período mais extenso do que o tempo ficcional sugere. Além disso, muitas sequências foram reorganizadas de modo a dar mais clareza e força à história, não observando a ordem cronológica das gravações. No entanto, durante o seminário "Pensamento indígena: educação, arte e comunicação", realizado na Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás, em julho de 2013, Takumã enfatizou que "tudo no filme é verdade, aconteceu mesmo". Um dos exemplos mais contundentes está no fato de Kanu ter caído gravemente doente, de fato, o que gerou preocupação entre os familiares, e implicou o risco efetivo de o ritual não ser realizado. O evento acabou potencializando a dramaticidade do filme. Em uma época (jul/2022) em que as populações indígenas estão ameaçadas, e que o estado é seu grande algoz, parece importante filmes assim...
O documentário é de uma riqueza magnífica. O fato de não ter uma introdução é justamente um ponto chave para tirar a trave dos olhos e refletir sobre como se é necessário ter o olhar /além/ do olhar 'colonizador' de esperar que tudo seja explicando em detalhes para uma melhor compreensão. É preciso 'ver' o outro, as outras realidades pelos olhos destes.
Assistam! E apoiem o cinema e produções indígenas feitos por indígenas!💖
Acho que a intenção de não ter uma introdução é justamente a tentativa de afastamento do olhar colonizado sobre os indígenas, mostrando seus rituais e suas canções sem uma leitura branca do que aquilo significa. Se tivessem dado muitos detalhes sobre suas crenças e simbolismos, então talvez o filme passaria um olhar antropológico sobre aquela cultura, e não tão humana como esse filme.