Paris, 1955. Guy, crítico de cinema da revista Cahiers du Cinéma, frequenta religiosamente o cinema Alcazar , é apaixonado pela obra de Vittorio Cottafavi. Até que um dia uma mulher, crítica da revista rival da Cahiers, a Positif, começa a frequentar o Alcazar.
Bem intencionada tentativa de colocar um pouco de humor á paixão cinéfila mas é tudo muito sem graça, o tal crítico é um porre ( talvez todos os cinéfilos o sejam) mas ele tem razão em um momento: Antonioni é o Cottafavi dos pobres. Vi um Cottafavi só e já conhecia esta paixão alucinada que alguns cinéfilos sofrem por este desconhecido diretor. O meu Cottafavi é o Terayama no caso.
Na trevisão, os aspectos do primeiro contato voltaram a ficar em evidência: tive a honra de entrar novamente em contato com este filme depois de brigar com um amigo por conta de uma apreciação fílmica enviesada, e isso pesou bastante em minha reapreciação, agora balizada por um contexto de questionamento de certa elitização constante no culto cinefílico. Quando "saímos" do filme, entretanto, e percebemos que ele já nos imbuía desde antes da sessão, tudo é dotado de novo significado: é filme sobre nós, literalmente. Ontem, como hoje. Com o diferencial de que, aquilo que já soava como nostálgico no final da década de 1980, parece hoje pré-histórico para gerações que não puderam testemunhar a experiência do local cinematográfico similar àquele apresentado. Seja como for, um testemunho de pura emoção: infeliz de quem não sair da sessão ansioso para conhecer mais e mais do Vittorio Cottafavi! (risos) - WPC>)
Se, na primeira vez que vi este gracioso média-metragem, incomodei-me com o seu esquematismo e com algo de "hipócrita" no posicionamento cinéfilo do diretor (bem como de seu alter-ego personalístico), nesta revisão - após ler os polêmicos artigos da Cahiers du Cinéma satirizados no filme - o impacto foi invertido, fiquei apaixonado pelas confusões espectatoriais do crítico mostrado em cena. Muito, muito representativo acerca das confusões do dia a dia de alguém apaixonado por uma arte cujos receptáculos canônicos encontram-se em fase intermitente de extinção... (WPC>)
Confiram a crônica "Já dizia o dicionário, SINEMA é parte da coluna das orquídeas onde estão representados os filetes dos estames…", de Wesley PC, para o site Lumi7:
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É muito melhor em intenção do que em efetivação, mas não há como não se encantar potencialmente com este filme, que realiza um belo elogio à cinefilia. Pena que, à medida que a trama avança, o profissionalismo da mesma adiciona elementos traiçoeiros contra a vocação apaixonada do cineasta. Mas ele se recupera ao final. Impossível não querer conhecer o Vittorio Cottafavi depois deste filme (risos)! (WPC>)