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Duas mulheres iranianas de origens diferentes são acidentalmente colocadas na mesma situação. Rana, ingênua, religiosa e seguidora de tradições, virou motorista de táxi para poder sobreviver após a prisão arbitrária de seu marido. Adineh, uma jovem transexual rica e rebelde, foge de casa para escapar de um casamento forçado e acaba entrando no táxi de Rana. A vidas das duas mulheres logo se interliga em uma jornada que coloca em xeque suas crenças e posições.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
O primeiro longa-metragem da diretora iraniana Negar Azarbeyjani, "Olhando Espelhos", apresenta dois polos femininos separados em classe e crenças - em um deleshá uma tradicional, ingênua e forçada pelas circunstâncias a sustentar sua família, no outro um rico transexual pré-resignificação fugindo de casa. Quando uma longa viagem de táxi entrelaça seus destinos, elas forjam lentamente uma improvável amizade enraizada em novas solidariedades, ao invés de noções moralistas de tolerância, o que permite que cada uma ajude a outra a atingir objetivos complementares. Este fascinante estudo de caráter duplo poderia atrair tanto os gays quanto os heterossexuais; mas acima de tudo atrai gente! Randa (Ghazal Shakeri) dirige um táxi desde que seu marido foi preso por uma dívida contraída por um parceiro inescrupuloso. Ela pega uma tarifa que quer viajar quilômetros além dos limites da cidade, oferecendo um bônus substancial pelo incômodo. Rana, uma esposa obediente que já saiu de sua zona de conforto em seu trabalho relutantemente assumido como taxista, fica cada vez mais desconfortável com seu estranho passageiro à medida em que a viagem continua. Adineh (Sheyesteh Irani, a mais masculina e assertiva das garotas que esmagam partidas de futebol no "Offside" de Jafar Panahi), registra o desespero quando chamadas de celular para um amigo revelam que seu pai enviou a polícia para trazê-la para casa. Ela está fugindo do país para escapar de um casamento arranjado pelo pai, planeja conseguir uma operação transgênero, e também quer encontrar um meio pós-operação mais bem-vindo. Sentindo a relutância de Rana em continuar, Adineh inicialmente acalma os medos de Rana, assegurando-lhe que, apesar de seu cabelo tosquiado e seu boné de beisebol, ela é realmente uma mulher (e, portanto, inofensiva). Mais tarde, porém, ela aterroriza completamente Rana ao admitir que é uma transexual. As cenas das duas mulheres dentro do carro, nunca tão minimalistas como o "Dez" de Abbas Kiarostami, se desdobram quase como uma comédia de choque cultural, contrapondo a modernidade casual de Adineh com as reações chocantes de Rana - até Rana sair histericamente da cabine e ficar ferida. Depois que Adineh toma conta da recuperação de Rana, o taxista se aventura à cidade para conhecer o parente fechado de Adineh e defender sua nova amiga. Helmer Azarbayjani e sua co-roteirista, a pioneira produtora Fereshteh Taerpour, evitam estereótipos de gênero em sua descrição do transexual, ajudados em grande parte pelo perfurador profundamente simpático de Irani. Adineh demonstra uma curiosa preocupação andrógina e empatia por Rana, conseguindo uma espécie de síntese de gênero em seu papel de cuidadora. Por sua vez, sua genuína bondade impressiona Rana, que acaba se identificando com a busca de aceitação de Adineh. De fato, o ganha é Rana defender sua nova amiga torna-se uma fonte inesperada de destemor, devolvendo-lhe o senso de propósito que ela perdeu com a prisão de seu marido. A atuação é excelente neste drama movido pelo caráter, ambas as atrizes se abstêm de ser muito pesadas em favor de interpretações individualizadas. O cinema iraniano é, sempre, um soco no estômago!
Estou tentando assistir esse filme faz dois anos, alguem sabe onde posso achar??
Sensacional!! o cinema iraniano cresce a cada ano!!
Impressionante como este filme é bom. Frente a todas as dificuldades enfrentadas no Irã fazer um filme tão provocador, interessante e tecnicamente impecável deveria servir de lição a todos aqueles que dizem ser difícil fazer cinema no Brasil.
Gostei demais! Me surpreendi positivamente dessa vez. Eu esperava que o filme fosse entre razoável e bom, mas... UAU, é MUITO BOM!
O filme toca em questões como aceitação social, transexualismo (aliás, vários filmes da Mostra desse ano apresentaram essa questão sob vários ângulos), amizade. É realmente lindo o que o ser humano pode ser e fazer pelos outros quando quer. Vale muito a pena!