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Duração
Documentário que busca uma nova escrita cinematográfica ao fixar uma câmera a uma balsa e, com isso, traduzir em imagens e sons sensações ligadas à lentidão e à rotina da embarcação. Entre uma margem e outra do rio, na suave cadência da navegação, encontros fortuitos com personagens revelam subjetividades que se anunciam de forma inesperada e transitória.
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As Novas Desventuras de Cliff Booth
Se não houvesse montagem, se aderisse à tônica do plano-seqüência, talvez funcionasse melhor em sua propalada exortação à temporalidade em suspenso. Do modo como foi editado, entretanto, enfadou-me um pouco: soou como um projeto 'for export'. Para quem é acostumado a esse tipo de percurso marítimo, não há novidade no olhar pretendido e a montagem soa interruptiva, num sentido negativo. Não entendi direito as intenções do diretor ao optar por estes cortes: insistir na exposição de contradições de classe (visto que muitas das pessoas mostradas nas balsas são visivelmente privilegiadas, em termos aquisitivos)? Pelo sim, pelo não, agrada, é bonito. Ivo Lopes Araújo é garantia certeza de eficiência fotográfica. Interessante, mas melhor enquanto concepção do que realização. (WPC>)
O Tempo suspenso em Balsa de Marcelo Pedroso.
Fico pensando se ainda é possível classificar filmes em gêneros/estilos no momento que o cinema vive. Penso que não, ainda assim pretensamente cravaria que Balsa trata-se de um exemplo definitivo de documentário observativo. Apesar de tal divagação ser desnecessária é interessante, de qualquer jeito, que todas estejam dispostas.
Andar de Balsa é transitar, é deslocar, é partir e chegar. Como num aeroporto, como num terminal. A diferença é a flutuação. O fluir. Viajar de uma margem a outra do rio é transitar por flutuações, e toda potência que flutuar carrega. Se possível que criem um verbo novo para ser metaforado por jovens artistas o quanto rápido for possível: Balsar.
Me pego a pensar também, talvez chapado pelas imagens monótonas, que estar numa balsa (balsar) é suspender o tempo. A balsa se movimenta nas imagens, os corpos não. Os corpos permanecem estáticos, em outro tempo.
Daí, pra mim, é impossível não lembrar do livro que tenho lido nos últimos dias, Caim do Saramago. No mesmo, Caim, amaldiçoado por deus pelo assassinato do irmão, é fadado a caminhar a esmo pelo mundo na companhia única de um jumento, um dos mais belos. Nesse caso “a esmo pelo mundo” inclui vagar entre tempos; tempos que a partir das reflexões do autor não passam de presentes. De um presente para outros presentes.
Assim existem os passageiros da balsa de Pedroso, suspensos no tempo da chegada até a partida.
E se os passageiros estão em um tempo suspenso e os balseiros? que vivem e existem somente nas balsas? Esses, ao meu ver, vivem a suspensão. Vivem-na em ciclo. Tantas partidas e tantas chegadas, sendo que estas nem mais partidas ou chegadas são, visto tal contexto cíclico.
Marcelo nos induz a isso, os círculos que baixam e sobem as rampas, o último traveling (esse do ponto de vista do balseiro) e a noite navegando de lugar algum pra lugar nenhum, ao meu ver, são símbolos desse viver suspenso, quase clandestino a ponto do balseiro evitar a câmera, preservando sua privacidade por meio de sua capa de chuva.
Afinal o filme todo é trânsito. Mas no fim é sobre o que? sobre a balsa? sobre os balseiros? sobre os passageiros suspensos no tempo?…
…é sobre o deslocamento então?
Edição de imagens excelente!