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Um trem cruza o país em sua trajeto até Berlim. Ainda não são 5 da manhã e o trem pára lentamente na estação. Quase toda cidade ainda dorme, mas antes que vejamos seus primeiros sinais da atividade, já vemos alguns trabalhadores que madrugam. É o iníco de um dia típico em Berlim.
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Espécie de precurssor de Um Homem com Uma Câmera em Berlin, igualmente virtuoso e importante especialmente para os anais da cidade. Obviamente a montagem nem se compara com o antecessor russa ainda que seja um trabalho bastante digno.
10/02/21
Embora não seja exatamente o marco inaugural desse gênero de 'sinfonias urbanas' ("Manhatta", por exemplo, é vários anos mais antigo, de 1921), nem tão revolucionário e intenso quanto o soviético "Um Homem com uma Câmera" (1929), a verdade é que o longa de Walter Ruttmann é o que melhor apreendeu o conceito.
Entrega exatamente o que promete: é um passeio por um lugar bem delimitado no tempo e espaço, declarado como tal desde o começo, quando o trem passa por uma placa indicando a proximidade de Berlim, seguida pela exposição dos vários aspectos do cotidiano da capital alemã há quase um século atrás, Assim, Ruttmann mostra a indústria forte já naquela época, o povo em fila pra pegar ônibus (na verdade, os antigos 'bondes'), as prostitutas de rua, os cavalos que ainda competiam com os automóveis, as crianças indo para a escola, as velhas beatas entrando na igreja, o casal rumo ao matrimônio, etc.
Seria só um registro de época banal se não fosse a edição pujante (os planos com os cães brigando e a montanha russa, por exemplo) e o fato de, afinal, realmente ter nos feito nos sentirmos na Alemanha dos anos 1920 durante uma hora de projeção. É sempre admirável quando um longa-metragem consegue ser cativante e bem filmado, tendo algo de perene, mesmo quase um século depois de lançado, não é mesmo? Pra quem gosta da proposta do documentário, vale perfeitamente o quanto pesa.
Documentário mudo que está centralizado na cidade de Berlim (a ação se passa entre as 2 Grandes Guerras), desde o amanhecer do dia até o cair da noite.
Os deveres dos cidadãos indo ao trabalho, bondes e trens lotados, a multidão nas ruas andando apressada, as fábricas, as indústrias, os edifícios, um zoológico, uma montanha-russa, diversos esportes,
não é uma grande diversão e é difícil evitar que o pensamento divague às vezes, mas não deixa de ser um retrato bom e imersivo de uma grande cidade. uma das coisas mais interessantes é que essa cidade estava próxima do fascismo, da guerra e da destruição, mas ainda vivia um ápice de produtividade e movimentação que é bem mostrado pela edição às vezes frenética e muito bem feita do Walter Ruttmann. de certa forma, é uma prévia do trabalho ainda mais ousado que o Dziga Vertov faria depois e uma forma de tornar imortal esse momento histórico de uma cidade que nunca mais seria a mesma.