Em um Rio de Janeiro futurista nada parece ter mudado. Abuso de autoridade, violações de direitos, racismo e machismo ainda dão o tom da relação do poder público com a favela. Dessa vez, entretanto, algo parece estar para mudar.
A produção é paupérrima e os atores bem amadores, mas ainda assim, gostei muito dessa obra que, apesar de não contar com os recursos de filmes como "Branco sai, preto fica", tem uma história muito boa e consegue prender a atenção durante todo o período de duração. Cyberpunk e favela/periferia combinam bastante e esse filme tem tudo para ser o substrato para uma obra maior; espero que já estejam em captação de recursos para isso...
O filme é uma ficção científica onde a hacker mais fodona usa um maquinário que parece o Windows 95. Fora algumas situações forçadas e alguns diálogos mecânicos demais o curta acaba crescendo. Acredito que o tipo de arte que foi criada aqui se faz muito necessária no Brasil de hoje e é essa necessidade que torna o curta interessante de ser apreciado. Foi o primeiro trabalho da diretora que espero que não pare por aqui. Vozes assim precisam ser ecoadas no nosso cinema nacional.
O roteiro é um tanto imediatista em sua translação favelada do entrecho de MATRIX. mas é justamente aí que está a sua maior potência: durante o interrogatório, percebemos o modo gradativo com que a atriz Adrielle Vieira vai acreditando não apenas em sua personagem, mas também em si mesma, de modo que o seu discurso contagia-nos. Ao meu lado, por exemplo, minha mãe exultava, comemorava a sua libertação e domínio, um benfazejo empoderamento negro, tão ficcional quanto possível. Neste sentido, o valor do curta-metragem cresce bastante: ele atinge de maneira efusiva o público, ele incita, ele traduz uma revolta viável, a partir de cacoetes de gênero que, em sua verve original, eram justamente opressores. Em sua ressignificação, portanto, o filme é muito bacana. Funciona! (WPC>)
A produção é paupérrima e os atores bem amadores, mas ainda assim, gostei muito dessa obra que, apesar de não contar com os recursos de filmes como "Branco sai, preto fica", tem uma história muito boa e consegue prender a atenção durante todo o período de duração. Cyberpunk e favela/periferia combinam bastante e esse filme tem tudo para ser o substrato para uma obra maior; espero que já estejam em captação de recursos para isso...
O filme é uma ficção científica onde a hacker mais fodona usa um maquinário que parece o Windows 95. Fora algumas situações forçadas e alguns diálogos mecânicos demais o curta acaba crescendo. Acredito que o tipo de arte que foi criada aqui se faz muito necessária no Brasil de hoje e é essa necessidade que torna o curta interessante de ser apreciado. Foi o primeiro trabalho da diretora que espero que não pare por aqui. Vozes assim precisam ser ecoadas no nosso cinema nacional.
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O roteiro é um tanto imediatista em sua translação favelada do entrecho de MATRIX. mas é justamente aí que está a sua maior potência: durante o interrogatório, percebemos o modo gradativo com que a atriz Adrielle Vieira vai acreditando não apenas em sua personagem, mas também em si mesma, de modo que o seu discurso contagia-nos. Ao meu lado, por exemplo, minha mãe exultava, comemorava a sua libertação e domínio, um benfazejo empoderamento negro, tão ficcional quanto possível. Neste sentido, o valor do curta-metragem cresce bastante: ele atinge de maneira efusiva o público, ele incita, ele traduz uma revolta viável, a partir de cacoetes de gênero que, em sua verve original, eram justamente opressores. Em sua ressignificação, portanto, o filme é muito bacana. Funciona! (WPC>)