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Data de lançamento
6 Out. 2017Duração
Trinta anos após os acontecimentos do primeiro filme, a humanidade está novamente ameaçada, e dessa vez o perigo pode ser ainda maior. Isso porque o novato oficial K (Ryan Gosling), desenterrou um terrível segredo que tem o potencial de mergulhar a sociedade no completo caos. A descoberta acaba levando-o a uma busca frenética por Rick Deckard (Harrison Ford), desaparecido há 30 anos.
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Por trás de sua deslumbrante estética neon e sua melancolia palpável, *Blade Runner 2049* constrói uma crítica social afiada e profundamente desconfortável sobre a mercantilização da vida, a exploração sistêmica e o esvaziamento das relações no capitalismo tardio. O longa projeta um futuro onde a lógica do lucro irrestrito e da obsolescência programada devorou não apenas o planeta, mas o próprio tecido da humanidade, transformando tudo e todos em recursos descartáveis.
A própria existência dos replicantes funciona como uma metáfora brutal para a classe trabalhadora marginalizada e a escravidão moderna: são seres criados sob medida para sustentar a infraestrutura da sociedade, mas totalmente destituídos de direitos trabalhistas, cidadania ou dignidade básica, existindo apenas para servir e serem substituídos sem cerimônia quando sua utilidade se esgota. A grande corporação que controla essa engrenagem encarna a concentração extrema de poder econômico, onde megacorporações ditam os rumos da sobrevivência e decidem quem tem o direito de existir.
Em paralelo, o filme aponta sua lente para a alienação urbana e a solidão crônica da sociedade hiperconectada através da figura de Joy, uma inteligência artificial comercializada como um produto afetivo personalizado. Ao vender companheirismo simulado e empatia sob encomenda, a tecnologia expõe um vazio existencial profundo, transformando o afeto em mais um serviço monetizado em um mundo onde as pessoas estão cercadas de multidões, mas terrivelmente sozinhas.
A Los Angeles de 2049, sufocada por poluição implacável e permanentemente encharcada de chuva ácida, materializa visualmente um ecossistema exaurido pela ganância corporativa e pela exploração desenfreada dos recursos naturais. Ao borrar deliberadamente a linha entre o que é orgânico e o que é mercadoria, Villeneuve e seu roteiro deixam o alerta incômodo: em uma sociedade que mede o valor de um indivíduo estritamente pela sua utilidade produtiva, a própria humanidade corre o sério risco de se tornar obsoleta.
Fotográfica excelente, mas a história as vezes cansa um pouco. Ele envolve, mas parece que empurra muito em alguns momentos.
Assisti ele novamente e digo. Estética visual e fotografia impressionantes!
Depois que assisti, soube que existem outros 4 curtas que antecedem este após o clássico de 84, por isso me senti perdido em meio a tantos acontecimentos que são apenas citados no longa. Várias franquias se perdem pela quantidades de obras sem necessidade, mas aqui caberia um ou dois filmes a mais para uma ambientação previa a que este filme necessita.