Watchmen: O Filme

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Watchmen: O Filme (2009)
Watchmen
Média do filme: 4.0 de 5 — baseado em 42084 votos
MÉDIAFILMOW
4.0
42084 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Zack Snyder
Duração 162 min (2h42)
Classificação indicativa de Watchmen: O Filme: 18 - Não recomendado para menores de 18 anos
Status Streaming

Dirigido por

Duração

162 minutos Classificação indicativa de Watchmen: O Filme: 18 - Não recomendado para menores de 18 anos
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Sinopse

Um de seus antigos colegas é assassinado, e o vigilante mascarado Rorschach decide investigar um plano para matar e desacreditar todos os super-heróis do passado e do presente. À medida que ele se reconecta com sua antiga legião de combate ao crime, um grupo desorganizado de super-heróis aposentados, dentre os quais somente um possui verdadeiros poderes, Rorschach vislumbra uma ampla e perturbadora conspiração que está ligada ao passado deles e a catastróficas consequências para o futuro.

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Sacrifício | Trailer Legendado

Sacrifício

Comentários 4
amigos querem ver
vagnerfoxx
vagnerfoxx
½
1 mês atrás

Tem Alguns Spoilers...

Nos anos 2000, o diretor Zack Snyder levou aos cinemas "Watchmen", baseado na famosa graphic novel criada por Alan Moore e Dave Gibbons. Na época, os filmes de super-heróis já começavam a ganhar espaço, mas essa produção parecia vir de outro lugar. Não era uma história sobre heróis perfeitos salvando o mundo, nem sobre pessoas usando poderes para inspirar esperança. Era uma obra que colocava os super-heróis sobre o chão e perguntava: e se pessoas reais resolvessem vestir máscaras? O que elas seriam?

​"Watchmen" divide opiniões. Há quem considere o filme lento, exagerado ou pretensioso. Outros o enxergam como uma das adaptações de quadrinhos mais ambiciosas já feitas. Para mim, ele é muito mais do que um filme de super-herói: é uma obra política, ideológica, moral e profundamente humana. É uma história sobre poder, violência, medo, decadência e sobre até onde alguém pode ir acreditando que está salvando o mundo. Aqui, os heróis não são colocados num pedestal. Eles são vulneráveis, traumatizados, errados e, muitas vezes, sem moral. Alguns usam máscaras para esconder quem são. Outros parecem usá-las para revelar aquilo que sempre foram. E talvez a grande pergunta seja: o que realmente diferencia um herói de um vilão?

​Entre todos, Rorschach é o mais fascinante. Com sua máscara onde manchas pretas se movimentam como se estivessem vivas, ele parece uma figura saída de um pesadelo. A sua narração é pesada, amarga e quase poética. Ele enxerga a decadência humana em todos os lugares, vendo a sociedade como algo doente, corrupto e apodrecido. Rorschach não acredita em meio-termo: para ele, existe apenas o certo e o errado, sem concessões ou desculpas. Essa visão o transforma em alguém extremamente determinado, mas também perigoso, pois quem enxerga o mundo apenas em preto e branco deixa de perceber toda a complexidade que existe entre os dois lados.

​Existe algo de trágico nele: um homem profundamente quebrado tentando encontrar justiça num mundo podre. No final, quando se recusa a abandonar seus princípios, Rorschach mostra que pode ser brutal, obsessivo e extremista, mas não é um homem que se vende — ele prefere enfrentar a morte a aceitar uma mentira. Aquela cena final é triste, poderosa e inesquecível. Ao tirar a máscara, ele prova que não existe separação entre o homem e a causa. A máscara não é um disfarce. Ele é o Rorschach. ​

Se Rorschach acredita que o mundo está podre, o Comediante (Edward Blake) aceitou essa podridão e decidiu fazer parte dela. Ele é um dos personagens mais cruéis e perturbadores do filme, vestindo a decadência humana sem medo algum. Eu sempre faço duas perguntas qundo ele surge em cena: A máscara transforma alguém em herói? Um uniforme é suficiente para tornar uma pessoa superior? O Comediante mostra que não. A diferença entre ele e muitos criminosos talvez seja apenas o lado em que escolheu ficar. Associado ao poder do governo, comete atrocidades sem demonstrar arrependimento porque acredita que o mundo é uma grande e cruel piada. Mas há uma contradição: apesar de sua violência, ele entende a realidade daquele mundo melhor do que qualquer um. Ele percebe que a humanidade caminha para a catástrofe e ri porque já perdeu toda a esperança. E essa risada é assustadora.

​O Dr. Manhattan representa o afastamento definitivo da humanidade. Após um acidente científico, Jon Osterman se transforma em uma entidade divina que manipula a matéria e enxerga o tempo simultaneamente. Porém, quanto mais poderoso se torna, menos humano ele parece. A relação entre ele e Laurie é uma das partes mais tristes da trama. Existe amor, mas também um abismo: Laurie é uma pessoa comum diante de alguém que virou um deus. É como se uma formiga tentasse manter uma relação com um elefante. Enquanto Laurie precisa de atenção, carinho e presença, Jon flutua distante, pensando nas engrenagens do universo. O maior poder do mundo não o torna completo; pelo contrário, tira dele a capacidade de sentir, sofrer e se importar.

​Após esse distanciamento, Laurie reencontra Dan Dreiberg, o segundo Coruja. Dan não é um deus nem um milionário genial; é apenas um homem que acreditou que poderia fazer a diferença. A relação entre Dan e Laurie nasce de uma necessidade visceral de afeto e proximidade para recuperar a humanidade que perderam. Em uma história cheia de ameaças globais, o filme encontra espaço para mostrar algo simples: duas pessoas tentando se conectar em meio ao caos.

​Na outra ponta está Adrian Veidt, o Ozymandias. Considerado o homem mais inteligente do mundo, ele é elegante, rico e idealista. Ao contrário do desprezo de Rorschach, Ozymandias acredita que pode salvar o mundo, mas seus métodos são assustadores. Ele se coloca acima da humanidade para decidir o destino de todos, acreditando que o fim justifica os meios — se milhões precisarem morrer para que bilhões sobrevivam, ele executará o sacrifício sem hesitar. Os maiores perigos nem sempre vêm de pessoas malvadas, mas de visionários convencidos de que são os únicos capazes de salvar o mundo. A revelação de seu plano nos coloca diante de uma questão moral impossível: se uma grande mentira pudesse impedir uma guerra e salvar a humanidade, seria certo aceitá-la? Se a paz for construída sobre uma atrocidade, ela realmente é paz?

​A grande força de "Watchmen" está em mostrar que a presença de super-heróis não tornou o mundo melhor. O mundo continua violento, corrupto e à beira da aniquilação. A presença do Dr. Manhattan mudou o equilíbrio da Guerra Fria e tornou os EUA mais poderosos, mas esse poder não trouxe paz — apenas aumentou o pavor e a tensão. Dar grandes poderes a pessoas normais não elimina suas falhas; apenas multiplica o estrago de suas escolhas.

​Visualmente, Zack Snyder criou um grande espetáculo. Cada cenário transmite decadência e melancolia. A sequência de abertura ao som de "The Times They Are A-Changin", de Bob Dylan, sintetiza décadas de história alternativa com perfeição. O filme tem identidade própria; não foi feito para vender brinquedos ou pavimentar o caminho para sequências. Ele tem visão, estilo e alma.

​Hoje, em um mercado saturado de produções genéricas, cheias de piadas fora de hora e fórmulas prontas, "Watchmen" parece ainda mais gigante. Ele não é perfeito, tem seus excessos, mas tem coragem de incomodar e fazer as perguntas certas. Não quer apenas mostrar heróis lutando contra vilões; quer saber se os heróis deveriam existir.

​"Watchmen" tira os super-heróis do céu, arranca suas capas e mostra o que existe por trás das máscaras: medo, violência, egoísmo, amor, culpa e esperança. É uma obra ambiciosa, sombria e filosófica que não termina quando os créditos sobem. Ele não mostra apenas quem vigia os vigilantes — ele pergunta quem somos nós quando ninguém está olhando.

whalikah
Higa
1 mês atrás

eu gosto dos filmes do zack mas na moral pra que tanta camera lenta meu deus do ceu cHEGA

jeffcrow
Jeff Ferreira
2 meses atrás

Filmaço!

Me pergunto como foi que passei todos os anos sem ver antes? É um filme sublime!

bernardandrea
Bernard
2 meses atrás

Resolvi mudar drasticamente a nota que originalmente eu tinha dado a este filme. Quando vi no cinema, imediatamente o comparei com a excelente HQ no qual ele é baseado. Isso foi um erro.

A HQ é maravilhosa. Esse filme simplesmente a "adapta", não a "cópia"... e essa é justamente a sua maior virtude. Temos um filme bem equilibrado, com ótimo roteiro e com atores excelentes. Mas precisei me dar ao trabalho de voltar a assistir para chegar a esta conclusão que aqui posto.

editado
_pedromachado_
Pedro Machado
2 meses atrás

Até hoje este trabalho do Zack Snyder ainda é uma das adaptações de quadrinhos mais sombrias e instigantes da história do cinema.

As lutas são incríveis, a violência gráfica com a pancadaria e ossos quebrados chamam a atenção pelo realismo, as cenas são muito bem coreografadas e causam um impacto visual que chama a atenção. Na realidade todos os efeitos gráficos impressionam, ainda mais para um filme que já tem quase 20 anos de idade.

Por outro lado, mesmo sabendo que é um filme baseado em quadrinhos, fica estranho ver os heróis arremessando os adversários com golpes absurdos como se tivessem super poderes, quando na realidade são apenas humanos fantasiados...

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

O roteiro é envolvente e soube captar toda a paranoia relacionado ao apocalipse nuclear durante e disputas entre potências durante a Guerra Fria. As conspirações e dilemas morais dão complexidade à trama e a revelação final do plano de Ozymandias surpreende com a explicação de que para evitar que a humanidade se destruísse em uma guerra nuclear o mundo precisaria de um inimigo comum para se unir. A ideia de usar o Dr. Manhattan como bode expiatório é logicamente perfeita (digna do ser vivo mais inteligente do planeta) e o próprio Dr. Manhattan reconhece isso, aceitando participar da farsa para o bem da humanidade.

Seria um final relativamente feliz se não fosse a última cena que mostra o diário de Rorschach contendo toda a revelação da farsa sendo entregue à imprensa, colocando a paz alcançada em risco e deixando o desfecho indefinido. Merecia uma continuação!

"Eu não sou um vilão de quadrinhos. Você acha que eu revelaria meu plano se houvesse a menor chance de vocês o impedirem? Eu fiz isso há trinta e cinco minutos."

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