Dirigido por
Data de lançamento
5 Set. 2025Duração
Um criminoso de 19 anos, Tommy, é sequestrado e forçado a um processo de reabilitação por um casal disfuncional, Chris e Kathryn, que tentam torná-lo um 'bom garoto'. Tommy deve encontrar uma maneira de escapar.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
A reabilitação está diferente.
Bom garoto
O cineasta polonês Jan Komasa realiza obras complexas e bem contraditórias, de narrativa moderna e visual ousado. Antes de “Bom garoto” (2025), ele fez dois longas que acho geniais, o indicado ao Oscar de filme estrangeiro “Corpus Christi” (2019), sobre um jovem detento que abre uma igreja, e “Rede de ódio” (2020), da Netflix, que veio no meio da pandemia e trata de uma conspiração política por meio das fake news. Os anteriores a esses eu não vi, que são dois outros, “A sala do suicídio” (2011) e “Varsóvia 44” (2014). “Bom garoto” é o primeiro trabalho do diretor fora da terra natal, rodado no Reino Unido com atores premiados e até indicados a Oscar. “Heel” ou “Good boy” (recebeu esses dois títulos originais) é um suspense psicológico com alta dose de humor macabro e um denso clima perturbador, explorando os limites da moralidade. É uma trama complexa e bizarra, em que acompanhamos Tommy (Anson Boon), um jovem de 19 anos mergulhado em drogas, violência e exibicionismo nas redes sociais. Após uma noite de excessos, é sequestrado por Chris (Stephen Graham, premiado com o Emmy, o Globo de Ouro e o Bafta pela minissérie “Adolescência”) e sua esposa Kathryn (Andrea Riseborough, indicada ao Oscar por “A sorte grande”), que decidem “reeducá-lo” em sua residência isolada. O casal, que bate fora do bumbo, utiliza o lar como um cativeiro, sem comunicação com o mundo exterior. Ali também mora o filho pequeno do casal, Jonathan (Kit Rakusen). Chris e Kathryn desenvolvem uma estranha obsessão em transformar Tommy em um “bom garoto”. O rapaz fica numa coleira pendurada no teto, em trilhos, inicialmente no porão escuro; com o passar dos dias, a família libera mais espaços para o jovem percorrer, sempre com o pescoço amarrado com a corrente cruzando os trilhos. Entre castigos físicos, leituras de clássicos literários e recompensas por comportamento adequado, Tommy passa por uma experiência de tortura psicológica e condicionamento social. O filme nasceu da colaboração entre os roteiristas Bartek Bartosik e Naqqash Khalid, que se inspiraram em debates sobre juventude desgovernada e os limites da disciplina familiar. O argumento do diretor é inspirado em casos reais de jovens que transformaram a delinquência em espetáculo online, viciados em redes sociais – e Komasa imaginou o que aconteceria se alguém decidisse impor uma cura radical a essas atitudes. Há momentos sufocantes, tensos, num filme que explora a Síndrome de Estocolmo e a manipulação mental. O elenco é um dos pontos altos, com destaque para Stephen Graham, Andrea Riseborough e Anson Boon. Komasa, vale destacar, explora novamente, com inteligência, o tema do vício nas redes sociais, depois de o fazer em “Rede de ódio” (aqui o protagonista, alvo daquela família, é um exibicionista/narcisista, que tem voz ativa nas mídias e utiliza o espaço para sustentar seu ego). PS: No mesmo ano de “Bom garoto”, 2025, o diretor lançou outro filme ótimo, também inspirado nas redes e no uso desenfreado das fake news para corroer a democracia americana, um filmão que acaba de estrear na Prime Video, “O aniversário” (com Diane Lane, Kyle Chandler e Dylan O'Brien). “Bom garoto” se destacou em festivais internacionais, como Toronto, BFI London e Roma, e agora chega com exclusividade no Brasil na plataforma Filmelier. POR FELIPE BRIDA - Texto publicado no blog Cinema-naweb blogspotcom, em 15/09/2026
Um ótimo filme com um final previsível. Particularmente gostei bastante da atuação do ator Anson Boon e as mensagens que o filme transmitem são interessantes, recomendo.
Bom! Gostei. Uma história diferente contada de um jeito que te prende para saber como vai terminar. Stephen Graham entrega uma atuação muito boa…gosto desse ator!
E não acho que seja
”complexo de Estocolmo”, como alguns dizem aqui. Acredito que ele, quando voltou para casa, enxergou que levava uma vida vazia e a mãe não ligava muito. Talvez ela já estivesse cansada da rebeldia dele, não sei… E quando ele viu a Gabs indo pelo mesmo caminho, viu que a salvação dela seria passar pelo que ele passou!
Muito bom e cheio de referências.