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Duração
“A terra é apenas um lugar. Mas nem chega a ser sequer um lugar normal, pois a maior parte do cosmos está vazia. Normal é o vasto e imenso vazio, frio e universal, a noite eterna do espaço em comparação com o qual as estrelas, os seus planetas, já aparecem como algo dolorosamente raro e precioso. Se nos soltassem ao acaso dentro do cosmos, a probabilidade de que surgíssemos no planeta ou mesmo em sua vizinhança seria inferior a uma parte de mil milhões, mil milhões, mil milhões…”
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Antes de comparecer à sessão - organizada por um 'sex symbol' cineclubista local -, eu cria que desapreciava o Bernardo Oliveira. Na verdade, cometi o erro de me deixar guiar com comentadores que agiam como detratores, até ler alguns de seus textos e aplaudir a sua pujança militante. Disponibilizei-me a conferir o filme (e ser atingido por ele) de coração aberto, mas um pré-conceito teimoso persistia, o filme interessante enquanto desafio, visto que, indiretamente, esse é um dos pontos discutidos no manifesto que serve como concatenador roteirístico. Como tratam-se de dois diretores com trajetórias distintas - ainda que concatenadas em mais de um sentido - tive dois tipos de reação a este média-metragem: quando ele expunha a sua tese, magistralmente articulada através de dados históricos e documentos audiovisuais, eu queria saber mais, buscar mais, pesquisar mais (o que acendeu-se quando eu reconhecei a voz de uma personagem de Grace Passô, numa seqüência-chave), mas quando ele nos convidava ao transe, à imersão "sem trama", eu tinha a impressão que as partes nem sempre se casavam bem (ainda que também não se separassem efetivamente). Quando aparece o ritual evangélico com evidente apropriação musical africana, eu atirei-me por completo à entrega percussiva. Gostei do que o filme me causou, senti que devo conhecer mais o Bernardo Oliveira e fui atingido pela potência do que é lido, discutido, explicitado e enfrentado em tela - sobretudo quando as imagens sumiam ou eram transmutadas à exaustão, por não darem conta do que era trazido á tona enquanto revolução do terceiro milênio. É um filme que precisa ser visto e que ganha muito quando debatido em conjunto, o que ocorreu na supracitada sessão em que estive. Foi um aprendizado e um convite à alteridade por dentro, enquanto reconhecimento de que também somos o outro. Fui transformado, como o cinema requer, enquanto componente passional e discursivo. Voltarei a esse filme e ao que ele segue me causando, portanto! (WPC>)