Kun está no último ano da faculdade de cinema, mas sua vida parece ter desandado: ele não tem paciência para as aulas, não está ajudando seu colega a terminar o filme de graduação e o relacionamento com a namorada não anda bem. Kun acabou de tirar a habilitação de motorista e arranjou um jipe velho. O jovem, então, decide viajar por Pequim, com o objetivo de chegar até o interior da Mongólia. Inspirado na história do próprio diretor, Wei Shujun, o longa é um road movie contemplativo, com olhar atento para a China contemporânea.
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Mais um dos filmes selecionados para o Festival de Cannes que nunca aconteceu devido a Pandemia. Para mim, definitivamente, não funcionou. O personagem é chato, o fato de ser irresponsável e infantil nem conta tanto... o cara é um baita de um chato mesmo. O filme por ser meio autobiográfico do diretor já faz eu torcer o nariz para ele. Há cenas que funcionam, a parte técnica tem uma altíssima qualidade e o filme é assistível somente por isso. A relação entre ele e a namorada e ir percebendo o quanto ele é babaca prende o telespectador assim como os momentos "roadie movie", mas para por aí. O restante do filme simplesmente não vai para lugar nenhum... é um tremendo limbo. No fim, de um modo geral, não vale a pena a assistida. Preciso comentar que o cara tem o pior penteado que eu já vi na vida.
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Após a sessão, li que o protagonista é, na verdade, um alter-ego do protagonista, sendo a trama francamente autobiográfica. Era evidente: o excesso de convivência em relação à irresponsabilidade dos personagens principais beira o insuportável. Tanto que prejudica bastante o andamento do filme: é muito difícil acompanhá-lo, de tão desagradável que ele é no encadeamento de seqüências tão idiotizadas, a despeito de um tratamento zeloso de imagem e, principalmente, dos efeitos sonoros. Num chiste comparativo, é como se este filme fosse uma regravação oriental de THE SQUARE - A ARTE DA DISCÓRDIA, realizado por alguém que foi demitido da equipe da cinessérie 'Porky's' por ser pudico demais: não há um direcionamento adequado do que é apresentado na promissora sinopse. Tudo chafurda numa excessiva complacência em relação à rebeldia canhestra do protagonista, possível apenas por ele ser tão privilegiado, o filho mimado de um policial influente. Quando este protagonista resolve viajar para a Mongólia, o filme cresce um pouco. Começa a ser mais cuidadoso nos experimentos de câmera e microfônicos. Ainda assim, é como se o diretor estivesse comportando-se como um dadaísta em avaliação: por melhores que sejam as situações efetivadas, estas soam como acertos involuntários, como benesses randômicas de alguém que preocupa-se menos em contar uma história de amadurecimento que defender o percurso errático e errôneo de um jovem fisicamente muito bonito. No desfecho, ele inverte esta polarização: as referências tão zombeteiramente citadas nos diálogos com o metadiretor do filme finalmente comprovam-se como justificadas. O diretor, de fato, estudou. E, quando levou a sério o que estava diante de si, aprendeu algo. Pode ser que, no próximo filme, oferte aquilo que promete e, por vezes, quase entrega, por breves minutos. Foi um tormento chegar até o fim, mas algo valeu a pena no desfecho. Forçasse menos naquele humor classista e estabanado, seria um filme com momentos realmente preciosos! (WPC>)