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Documentário em formato de entrevista com a realizadora belga Chantal Akerman em que ela reflete sobre o cinema, a vida e a sua obra. Exibido nos Festivais de Viena e Gramado 2010.
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fumantes rebeldes
Quando soube que este filme era composto basicamente por uma entrevista de plano único, fui preparado para atacá-lo: vi dois filmes pendentes da diretora e preparei mentalmente um discurso contra o que eu poderia considerar frustrante na aparente vacuidade cinematográfica do projeto. Até que o filme começa - e, em poucos instantes, eu percebi que o diretor oficial (o outro é, em verdade, um jornalista responsável por entrevistá-la) conhecia realmente a diretora, havia estudado-a, escolhe um perfeito sub-enquadramento que sintetiza as obsessões simétricas e espontâneas da diretora, mostrada de maneira surpreendentemente sorridente (ela dirige o filme também - risos). Comecei a entusiasmar-me e aplaudir mentalmente o filme, que soa bastante engraçado em razão das liberdades levadas a cabo pela entrevistada. Pena que as perguntas que são-lhe dirigidas soem tão engessadas: o jornalista responsável por ela fia-se a um programa caduco de inquirições pretensiosas, que, nalgumas vezes, exibe-se mais no questionamento que na efetiva vontade de conhecer a resposta da diretora. Felizmente, esta subverte a lógica empedernida da entrevista inicial - o que interessou-me pessoalmente, por ser formado em Jornalismo - e oferta-nos uma aula sobre seu cinema, que, coincidentemente, concede bastante ênfase aos dois filmes dela que vi antes da sessão. Nada acontece por acaso, afinal. Brilhante e inesperado filme! (WPC>)
Fofíssima
Ao mesmo tempo que seu formato e conteúdo - me refiro às perguntas principalmente - são propositalmente redundantes, este modelo cumpre seu objetivo certeiro que é desnudar as idiossincrasias e parte da real personalidade da diretora. O resultado é interessante, irreverente e até mesmo emocionante, como a diretora, mas limitado por seus próprios princípios.
A "entrevista" com a cineasta não é tão bem conduzida quanto deveria, já que se foca em perguntas redundantes e até um pouco mal formuladas. Mas Chantal Akerman, com toda sua sinceridade, desenvolve respostas diretas e articuladas, respondendo muito mais do que os questionamentos simples que lhe foram dados. Recomendado para apreciadores de seu excelente trabalho ou no campo de trabalho de cinema, embora não extraia nada de muito inédito em ambos os quesitos.