Srubov é membro da CHEKA, a polícia secreta que Lenin estabeleceu após a Revolução Bolchevista. Ela prende, entrevista e executa intelectuais, aristocratas, judeus, clérigos e suas famílias. No porão do prédio, cinco pessoas de uma vez são alvejadas enquanto elas ficam nuas de frente para portas de madeira. Ninguém para lembrar suas últimas palavras; Nenhum mártir, apenas corpos desconhecidos. Diariamente, o tribunal ilegal, as execuções, o carregamento de corpos nos vagões. Srubov, é chequista, está frio, distante, sexualmente disfuncional e profundamente pensante, odiado por antigos amigos e sua família. Ao tentar raciocinar sobre a natureza da revolução e o propósito da CHEKA, ele lentamente vai perdendo a sanidade mental.
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O clima é pesado e carregadíssimo. E não apenas ele mas todo o desenvolvimento da história. O bunker onde se desenvolve tudo por exemplo é opressivo, e o diretor sabendo disso estende as mesmas cenas justamente para acertar no desconforto.
Manifesto anti-stalinista.
Tem até uma cena engraçada com um gramofone, uma menção ao que o grande organizador de derrotas disse em uma sessão plenária do Comitê Central, em abril de 1927, contra as políticas de industrialização, planos quinquenais e coletivização em detrimento da política dos kulaks (camponeses ricos): “isso seria como oferecer a um camponês um gramofone em lugar de uma vaca”.
Da metade em diante fiquei completamente nauseado. Pesado como filme, pesado como retrato do ser humano.
Um período negro da história soviética ainda pouco comentado. Perturbador.
Filme forte, a pegada realista ajuda, ainda que uma ou outra cena pareça exagero. A frieza dos carrascos acaba sendo compartilhada um pouco pelo espectador, que ao fim do filme já se acostumou ao ir e vir de pessoas e execuções. Para quem abomina o período, resta o conforto que muitos dos carrascos futuramente se encontravam nos papéis dos prisioneiros.