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Duração
Michelangelo Antonioni era comunista como a maioria dos intelectuais nos anos 60 e 70. Apoiador, como Sartre, do governo de Mao Tse-tung, obteve o feito inédito de conseguir autorização para filmar a China. Mais que documentário, seu filme é um monumental tratado sociológico com três horas e meia de duração que mostra, naquele momento, a China mais próxima da pobreza da Coreia do Norte do que de ser a maior economia do mundo, como hoje. A disciplina, porém, sempre esteve por lá. Curiosamente, o partido comunista chinês não gostou nada do produto final e a obra foi proibida. Exibida na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, 2010.
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Documentário de quase três horas e meia sobre a China comunista durante o governo de Mao Tse-Tung. O grande mérito da obra é servir como registro cultural daquele povo, de seus costumes e de seu mundo (chegando inclusive a filmar um parto por cesariana através de métodos 'pouco ortodoxos' quase em tempo real). Mas a fastidiosa duração e os devaneios contemplativos de Antonioni acabam por cansar. Ademais, o filme não disfarça sua natureza de propaganda política, e os insistentes enaltecimentos do diretor ao regime comunista douram o filme de uma certa parcialidade que o empobrece. Seria bem mais interessante uma abordagem crítica mais distanciada, que apontasse os prós e contras do sistema, ao invés da pura e simples masturbação partidária.
Muito bom.
mas que merda, como assisto essa porra!?
Mancada do PC Chinês ter banido esse documentário, tal como também achei desnecessário, por exemplo, o PCUS tirar o excelente "Soy Cuba" de circulação na URSS. Nas suas três horas e meia de duração, não tem nada que realmente fira os princípios da revolução. Talvez tenham se irritado com alguns momentos nos quais Antonioni tenha continuado as gravações sem permissão dos guias. Traz até umas informações impressionantes, como a redução drástica da fome e o aluguel que custa irrisórios 5%(!) do salário do trabalhador.
De resto, um documentário feito 'na raça', com câmera na mão e luz natural, quando a China era praticamente fechada para os países ocidentais. Tiveram a sensatez de não ficarem só restritos à capital Pequim (que ocupa a primeira parte do total de três do filme), mas também foram conhecer a população da zona rural, Nanjing e os portos de Xangai, tudo no contexto inalterado da época maoista. Além disso, registraram diversos aspectos da vida comum dos chineses, desde a medicina (a cena do parto com acupuntura impressiona) até a educação infantil, passando ainda pelos espetáculos artísticos - como aquele que encerra a parte 3, um show à parte.
Um filme-documento que escancara a desgraça econômica e social da maior utopia de todos os tempos - o socialismo. Um sistema de saúde precário, uma jornada de trabalho exaustiva da qual pouco se tira e um povo abatido e acostumado com uma vida simples e sem oportunidades de melhora. Sabe-se que Antonioni era comunista, mas o filme encontra seu êxito na neutralidade e na veracidade do seu conteúdo. Não há como contestar imagens nem experiências.