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Nascimento: 29 de Setembro de 1912 (94 years)

Falecimento: 30 de Julho de 2007

Ferrara - Itália

Michelangelo Antonioni viveu em Bolonha, onde começou seus estudos de economia e letras, que depois seriam substituídos pela arquitetura. Nesta época já se inicia na crítica cinematográfica, escrevendo alguns ensaios sobre a arte do filme para o jornal IL Corrière Padano. O desabrochar do futuro realizador, porém, precisaria esperar a sua transferência para Roma, que se deu em 1939. Nesta cidade, centro cultural, ainda que sob regime fascista e às vésperas da eclosão da Segunda Guerra Mundial, fez parte da entourage da revista Cinema, publicação oficial que congregava os nomes do futuro neo-realismo: Luchino Visconti, Giuseppe De Sanctis, Vittorio De Sica, Pietro Germi, entre outros. Passou por um período de dificuldades financeiras mas conseguiu se matricular no Centro Sperimentale di Cinematografia, abrindo-se então a oportunidade de escrever vários roteiros e, entre eles, uma colaboração com aquele que viria a detonar o neo-realismo italiano com Roma, Cidade Aberta: Roberto Rossellini. O jovem Michelangelo se estabelece com maior desenvoltura no meio cinematográfico, colaborando com traduções e críticas para Itália Libera, Film d’Oggi e Film Revista. Trabalhou nesta ocasião como assistente de um ícone do cinema clássico francês, Marcel Carné, tendo sido enviado à França por conta desse trabalho.

Na volta, vê-se considerado a experimentar a realização de alguns documentários, sendo que o primeiro deles, "Gente Del Pó", tem suas locações nos mesmos lugares aos quais voltaria quando fez, muitos anos mais tarde, "O Grito". Logo no seu primeiro longa metragem, "Cronaca di um Amore" (1950), já se pode encontrar os temas que seriam característicos deste que é um dos mais importantes e pessoais realizadores do cinema moderno: as suas constantes temáticas, como a do vazio que se estabelece na relação humana. Dois anos depois, um filme em três episódios, um na Inglaterra, um na França, e um na Itália, abordando o problema da juventude que privilegia o crime como forma de sobrevivência: Os vencidos / I Vinti. A seguir, La Signora Senza Camelie, em que se preocupa de novo por estudar um personagem feminino, outra das características de seu cinema.
O primeiro grande sucesso de Antonioni foi "L'avventura" (1960). que foi seguido por "La notte" (1961) e "L'eclisse" (1962), que compreendem uma trilogia sobre o tema da alienação. Seu primeiro filme colorido "Il deserto rosso" (1964), também explora temas modernistas da alienação, e junto com os três filmes anteriores, forma uma tetralogia.
O seu primeiro filme em inglês, Blowup (1966), foi também um grande sucesso. Embora ele tenha enfrentado o difícil tema da impossibilidade da percepção objetiva das coisas, o filme teve boa recepção popular, parcialmente devido a sua sexualidade explícita pelos padrões da época, e também por causa da atriz Vanessa Redgrave. Zabriskie Point (1970), seu primeiro filme rodado nos Estados Unidos da América, teve menos sucesso, mesmo com a inclusão de uma trilha sonora composta de artistas populares como a banda Pink Floyd (que compôs músicas especialmente para o filme), Grateful Dead, e os Rolling Stones. The Passenger (1975), estrelado por Jack Nicholson, também não obteve sucesso.

Em 1985, um acidente vascular-cerebral deixou-o parcialmente paralítico e quase impossibilitado de falar. No entanto, ele não encerrou suas atividades e, ajudado por seu amigo Wim Wenders, realizou "Além das Nuvens" em 1995. Nesse mesmo ano, é premiado com um Oscar pelo conjunto da sua obra. Seu último filme Eros, de 2004, foi realizado juntamente com Wong Kar-Wai e Steven Soderbergh, quando Antonioni tinha 92 anos. Antonioni faleceu aos 94 anos.