Um grupo de ricos italianos sai numa viagem de iate para uma ilha vulcânica deserta no Mediterrâneo, onde um dos passageiros, Anna, se perde dos demais. O namorado dela, Sandro, e uma amiga, Claudia, saem, sem sucesso, à procura de Anna e, durante a busca, acabam se apaixonando.
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O sumiço de Ana é só um pretexto para o diretor esfregar na nossa cara o egocentrismo da moral burguesa. É muito bem filmado, em especial nas primeiras cenas onde há um forte protagonismo da natureza. Mas depois, a história não me pegou mais, fica longe de ser algo como "o discreto charme da burguesia", em que a crítica às manias da sociedade burguesa é mais visceral: aqui, por ser sugestivo, perde muito sua força.
A Aventura é o inicio da trilogia da incomunicabilidade do Antonioni e ele já começa com grandes cenários com tomadas amplas pra realçar a bela fotografia, diálogos e silêncios quebrados pelo vento, pela chuva e a correnteza do mar, isso sem contar a excelente trilha sonora, se o cinema dessa época gostava de mostrar o mal estar das classes mais baixas, aqui ele faz o contrário e mostra da burguesia, ele gosta de retratar o vazio nas pessoas, futilidades, eu acho que Anna fugiu desse povo doido, no início achei que ela era maluca mas no final me saiu como a mais sensata, Claudia que chorava pela ''morte'' da amiga depois chorava com medo dela voltar e com isso perder Sandro, Giulia se envolvendo com um garoto de 17 anos, Patrizia a mais soberba de todas, enfim, Monica Vitti em mais um atuação formidável, aquele final melancólico da pra ser interpretado de várias maneiras.
A aventura da vida é algo efêmero, vazio de significado, cheio de pessoas vazias indo de lá pra cá em situações sem propósito, triviais, homens que tratam mulheres como mera aventura, cheio de desejos escondidos que nunca são comunicados, complexo, confuso, por vezes chato e sem respostas. Essa é a força e a fraqueza do filme, por isso imagino que ele seja "ame ou odeie" entre os cinéfilos. No meu caso, achei interessante apesar de pouco engajante. Mas o talento do diretor de fotografia, do elenco, e principalmente do Antonioni, transparece. Ele consegue passar muito com pouco, aquele final é muito bom.
Monica Vitti carrega o filme, tanto na atuação quanto na beleza deslumbrante, assim como o filme em si é muito bonito. Interpretação é o que não falta para os filmes do Antonioni e esse aqui não é diferente. Contudo, a dificuldade e a ambiguidade das relações tão discutidas na filmografia dele fica evidente em A Avenura. No final eu sinto que é isso, pessoas levando a vida de aventura em aventura sem muito pudor, especialmente os homens, é claro. Alias a cena quando eles deixam a igreja na cidade vazia condensa tudo isso.18/01/24
Os sentimentos dos personagens perpassam a tela e invadem o espectador, se você vai reclamar ou elogiar a experiência, depende apenas de você