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7 Abril 1945Monty Brewster (Dennis O'Keefe) é um soldado que acabou de voltar da Segunda Guerra e está sem um tostão no bolso. Ocorre que ele fica sabendo que um parente distante está lhe deixando como herança uma fortuna de US$ 8 milhões. Mas há um detalhe: ele precisa gastar US$1 milhão em menos de dois meses para poder herdar o resto do dinheiro. A mesma história ganhou várias versões - uma delas chamada ''Chuva de Milhões'', com Richard Pryor.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
O conceito de Brewster’s Millions é um daqueles que nunca envelhecem: um homem recebe um desafio insano — gastar uma fortuna em tempo recorde para ganhar uma ainda maior. Como se trata de Hollywood, é claro que esse objetivo se torna mais difícil do que deveria. Mas enquanto outras versões abraçam a grandiosidade desse absurdo com helicópteros, prédios comprados por capricho e uma orgia de desperdício financeiro, a versão de 1945, dirigida por Allan Dwan, tem um pé mais firme no chão. Ou melhor, um orçamento mais comedido. Há um navio? Sim. Há apostas mirabolantes? Sim. Mas tudo parece um pouco mais modesto, como se Brewster estivesse gastando em uma liquidação e não torrando milhões como um lunático.
Dennis O’Keefe assume o papel do protagonista e, à primeira vista, não parece exatamente um ator voltado para a comédia. Seu Brewster é mais agitado do que engraçado, funcionando melhor quando sua indignação cresce na mesma proporção que seu saldo bancário. Porque, como manda a tradição da história, tudo que deveria dar errado acaba dando certo: ações falidas ressurgem como uma fênix, um banco quebrado volta a prosperar e até um cavalo azarão decide que hoje é o seu dia de glória. A cena em que as más notícias se tornam boas notícias em cadeia é o grande momento do filme — uma sequência de derrotas disfarçadas de vitórias que faz Brewster perceber que, para algumas pessoas, o dinheiro simplesmente não quer ir embora.
O problema é que, ao redor dele, os personagens não colaboram. Se em outras versões temos coadjuvantes extravagantes que roubam a cena, aqui a impressão é que todos foram contratados para manter um ar de normalidade. A namorada existe apenas para desejar o casamento, os amigos estão lá apenas para serem amigos e não temos possíveis rivais interessados em atrapalhar o plano de Brewster. O único que realmente brilha é o mordomo Jackson, interpretado por Eddie ‘Rochester’ Anderson, que, mesmo com pouco tempo de tela, injeta um pouco de personalidade em meio à sobriedade excessiva do elenco. E se há um ponto em que o filme definitivamente patina, é na sequência do musical — ou melhor, da tentativa de investir em um musical. Uma oportunidade dourada para o caos e a sátira, mas que o filme desperdiça com personagens desprovidos de qualquer excentricidade ou timing cômico. Se um espetáculo falido deveria ser engraçado, aqui ele apenas falha.
No fim das contas, Brewster’s Millions (1945) é uma comédia competente, mas que economiza naquilo que deveria esbanjar: personagens marcantes, exagero e senso de absurdo. Ainda assim, há diversão no desespero crescente do protagonista e na ironia de um homem que, contra todas as probabilidades, descobre que ser irresponsável financeiramente pode ser o maior dos desafios. Não é um filme que se destaca entre as diversas versões da história, mas ao menos nos ensina que, às vezes, mesmo milhões de dólares não compram a paz de espírito.
Possivelmente a versão não-perdida mais antiga desta história tantas vezes regravada, neste caso contextualizada com o final da Segunda Guerra Mundial.
O desafio proposto parece simples, mas mostra-se complexo durante o desenvolvimento da trama. As situações são tratadas de forma bem humorada e com rápida resolução, o que acaba tornando o filme eficiente.
Um dos enredos mais desgastados de todos os tempos, numa versão exordial. Dennis O'Keefe tem bons momentos (inclusive, em roupas de baixo - risos), mas o roteiro é irritante e a piada única não sustenta-se por muito tempo. Apesar de ser um filme curtíssimo, parece que não acaba nunca. A direção dwaniana é apagada pelas falas rápidas, pelas situações cômicas apressadas, pela ode desagradável à riqueza, mas é um típico exemplar da era de ouro hollywoodiana. Bem-acabado e distanciadamente agradável. Para ver em grupo, funciona! (WPC>)