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Duração
Vencedor do prémio do Grande de Júri de Cannes em 1978, essa comédia dramática conta a história de um jovem morador de Nova York, Gerard Lafayette, que casualmente encontra um filhote de chimpanzé e começa a cuidar dele. Em pouco tempo, o pequeno símio vira atração entre os amigos de Lafayette, cativando a todos que o conhecem. Porém, a situação muda radicalmente quando uma tragédia atravessa o caminho deles.
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Terminei o filme com um emaranhado de sentimentos tentando se conectar.
Pensei na História, na Teoria da Evolução, em Planeta dos Macacos, pensei até no The Square do Ostlund (que pôde muito bem ter inspirado o diretor) mas não cheguei a nenhuma conclusão, a não ser que Marco Ferreri era mesmo um exímio provocador.
O chipanzé, o animal com a maior semelhança com o Homem, aqui morto e exterminado por ratos.
A visão de mundo de Ferreri bem como sua falta de fé na humanidade me incomoda em demasia. Sua analogia da evolução ou involução do homem é interessante mas sua visão do homem é tão perturbada que tenho dificuldade em engolir suas teorias bem como de seu ritmo letárgico.
Surfando na grande onda levantada nos anos 1960 por Eros e civilização, livro de Herbert Marcuse, Marco Ferreri nos apresenta Ciao Maschio. Em O mal estar da civilização, Freud tinha revelado a repressão dos instintos como inevitável para a vida em sociedade. Todas as neuroses seriam efeitos dessa repressão. Marcuse propôs que a civilização, ou a sociedade de classes, reprimiu os instintos sexuais além do necessário para tornar a vida em sociedade viável. A repressão sexual teria sido uma forma de a classe dominante canalizar as energias dos trabalhadores e domesticá-los para a atividade de transformação da natureza. Ciao Maschio nos mostra o conflito entre razão e instintos, entre natureza e civilização e, mais especificamente, as consequências negativas da repressão sexual.
Quando jovem, Marco Ferreri estudou veterinária. Provavelmente por gostar de animais. Deve ter amado mais a natureza que a civilização. Ciao Maschio propõe uma crítica à civilização e um louvor à natureza. A crítica mais chocante é o King Kong morto na praia. Essa cena grotesca mostra o quanto a raça humana é selvagem. O homem civilizado, racional, tornou-se incapaz até de satisfazer os instintos mais primitivos da fêmea. Na construção de uma peça de teatro, as mulheres pensam se o estupro não poderia ser uma forma de resgate da união carnal entre macho e fêmea como nos tempos primitivos. Mais ainda, a civilização transformou uma coisa natural como ter um bebê em algo abominável para o parceiro masculino. Ao cuidar do filhote de chimpanzé, percebe-se que Lafayette preserva o instinto paterno. Mas ele repudia e abomina a ideia de ter um filho quando a sua namorada diz que está grávida. A repressão dos instintos destruiu o macho. Seria um sinal de colapso da civilização.
A invasão dos ratos em New York poderia ser vista como a deterioração da natureza provocada pela civilização podre. Esses ratos, como resíduos da podridão gerada pelo homem, devoram o pobre filhote de chimpanzé que representa a natureza em seu estado puro.
Parece que Marco Ferreri aponta a causa da decadência da civilização na lógica discursiva racional do Ocidente. Nietzsche apontou a mesma causa. A tentativa de Lafayette de se expressar com o apito na boca e o suicídio de Luigi com um esparadrapo também na boca indicam aparentemente a intenção de criticar a razão discursiva. Razão que torna a comunicação entre seres humanos impossível. Nesse sentido, o filme é bem rousseauniano. Como Ferreri, Rousseau atacava a razão e defendia uma reaproximação do homem em relação à natureza.
As poucas coisas que gostei do filme: Gérard Depardieu com cara de moleque. Abigail Clayton, jovem e bela, sem roupa. A atuação do chimpanzé mexendo nas partes íntimas de Cleópatra.
Vencedor do prêmio do Grande de Júri de Cannes em 1978.
Para terminar, queria dizer que detesto este tipo de filme cerebral e hermético porque mexe mais com a nossa mente do que com as nossas emoções e paixões. Só serve para satisfazer o mundo afetado dos cinéfilos. Através da tecla display, fiquei toda hora vendo quanto tempo faltava para o filme acabar. Desde a mais tenra idade, todos nós gostamos de ouvir estórias. Nossos ancestrais se reuniam em torno de uma fogueira para contar e ouvir estórias. O cinema precisa contar estórias e não ficar propondo enigmas para serem decifrados.
É um dos filmes mais melancólicos do Ferreri que já vi e vai ficando cada vez mais sombrio conforme o final da película vai chegando. A construção dos personagens é, diga-se de passagem, literária: Luigi lembra muito alguns personagens de Dickens. Como sempre, Ferreri e seus roteiros idiossincráticos. Não fez feio! Gostei muito e o final ficará guardado na memória como um momento único de melancolia profunda na filmografia deste fascinante e complexo diretor italiano. Palmas para a interpretação do Marcelo Mastroianni e do macaco. rs!
ps: estou rindo da sinopse que tenta dar um sentido quase "sessão da tarde" para o filme. Não se enganem!
Uma obra confusa, que não chega a lugar algum, mas que também tem como atrativo o encontro de dois dos maiores atores dos cinemas francês e italiano, Gérard Depardieu e Marcello Mastroianni.