O acusado: Murat Kurnaz, que converteu-se ao Islã e decidiu fazer uma peregrinação até o Paquistão logo após o 11 de setembro. O acusador: Holford, especialista em interrogatórios do governo americano, que usa a manipulação e o medo a qualquer custo para obter uma confissão. Mas Kurnaz não pode confessar, pois é inocente. Baseado na história verídica do turco-alemão que passou cinco anos como prisioneiro dos EUA no Afeganistão e em Guantánamo, o filme é uma crônica de um abuso inimaginável e o duelo entre duas personalidades.
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Que a prisão de Guantánamo não era um passeio no parque todos sabem, assim como estamos familiarizados com os métodos desumanos praticados pelo exército norte-americano na alardeada guerra ao terror, que atentava mais contra os direitos de inocentes do que os de verdadeiros terroristas - e mesmo que fossem apenas estes, as torturas praticadas permaneceriam injustificáveis.
Pois bem, Cinco anos de vida cumpre documentar parte dos cinco anos que Murat Kurnaz (Sascha Alexander Gersak, o irmão perdido de Tom Hardy), alemão recém-convertido ao islamismo, encarou na citada prisão e os abusos sofridos para revelar um suposto plano terrorista ao interrogador (Ben Miles). Fato é que Murat, ainda que houvesse mentido a princípio quanto a amizades, não demonstrava ter conhecimento do que lhe era acusado, sofrendo tortura física (espancamentos eram frequentes) e sobretudo psicológica (privação de sono, luzes e sons intensos, etc).
Com um performance central intensa de Gersak, que perdeu vários quilos durante a produção, Cinco anos de vida caí no lugar-comum com frequência e repete praticamente tudo o que já sabemos; porém, nada diminui a força dessa revoltante história de sobrevivência.