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Neste trabalho intensamente contemplativo, Abbas Kiarostami convida o espectador, como ele mesmo diz “a olhar para as coisas que, em si mesmas, não são particularmente merecedoras de um olhar mais atento”. Encontrando-se no norte do Irã, perto do mar Cáspio, o diretor utilizou-se apenas de sua câmera DV para filmar os acontecimentos singelos que aconteciam nos 500 metros de praia diante de sua casa – um pedaço de madeira levado ao sabor das ondas, pessoas caminhando à beira-mar, patos barulhentos, a paisagem desolada de uma praia no inverno. Para Kiarostami, aqui se revela um mundo inteiro. “É um trabalho que se aproxima da poesia, da pintura, e que me liberou da obrigação da narrativa e da escravidão da direção”. Através de sutis mudanças no enquadramento e suaves movimentos de câmera, o diretor consegue criar uma atmosfera diferente em cada tomada. O filme teve sua pré-estréia mundial no Festival de Cannes de 2004, onde foi exibido fora de competição.
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Adoro Kiarostami e também adoro Ozu, bem... dito isso posso dizer que achei bem chato de assistir. Entendo que a proposta do diretor é esta, mas não deixa de ser chato. A sinopse diz que as filmagens foram feitas no norte do Irã, porém no IMDB a localização é colocada como a praia de San Lorenzo na Espanha. Dois livros de 2007 atestam que as filmagens foram feitas no Irã, exceto a segunda, feita realmente na Espanha. Tem que ter paciência para assistir, confesso que era madrugada e quase caí no sono. Se você não for obcecado pela obra do diretor, como eu, não indico este filme não. Preciso assistir o Making-Off do filme ainda, talvez ressignifique algo com o diretor falando.
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Abbas foi um grandioso gênio do cinema. Sua ideia aqui é explicita e também é filosoficamente linda. Mas é um grande saco, impossível de se assistir nem com toda boa vontade do mundo. Talvez fosse material para um curta de 15 minutos e seria sensacional.
Não creio ter visto algum filme do cineasta Yasujirô Ozu, então não sei como entender essas sequências que Kiarostami a ele dedicou. Tirando a sequência dos patos achei o resto todo meio aborrecido e penso que não é porque Kiarostami fez alguns filmes muito bons eu tenho que gostar de tudo ou achar tudo poético, maravilhoso etc. Contemplação pura e simples em 74 minutos não é meu forte...
A poesia do mínimo e do fugidio, do marginal e do tácito. Essa poesia aspira ser como a respiração da própria vida, impalpável e leve, trágica em suas efêmeras epifanias. Essa vida irredutível à linguagem, desliza entre as coisas, que a expressam de maneira indireta e alusiva: sua inexprimível melancolia é evocada pelos ambientes e objetos.
"Relaxem" ele disse, "e se tiverem sono, fechem os olhos e durmam que eu não ficarei chateado"
Abbas Kiarostami sobre... Abbas Kiarostami.