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eu era bem novo quando fui estuprado pela primeira vez. pensava em contar essa história um dia, a história dessa foto. faltava coragem. se o filme pudesse falar por mim eu conseguiria.
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tô sem saber o que dizer.
Ótima a transmutação da voz do cineasta na narração por Gustavo Patriota (um dos homens mais lindos do universo, em minha opinião). Como também fui estuprado na infância, a identificação imediata é óbvia, mas o filme vai além disso: inicia-se com uma reflexão mui pertinente sobre os preconceitos contra a tendência dominante do ensaísmo no documentário contemporâneo e termina com um chiste sobre os limites (ou ultrapassagens?) do dispositivo cinematográfico. Muito doloroso e ao mesmo tempo brilhante, em dupla função: faz as pazes com feridas irreconciliáveis do passado e instala o realizador como uma das grandes potências (confirmadas) do cinema brasileiro contemporâneo, justificando a polissemia do título do curta-metragem. Grandiosa e sutil descoberta. Obrigado pela coragem expositiva, Felipe. Parabéns por conseguir ficcionalizá-la! (WPC>)
O poder das imagens distorcidas e a narração em primeira pessoa do off geram o soco no estômago que é "cinema contemporâneo". Cinco minutos só e é difícil ter o que falar sobre essa narrativa do que o assunto em si e sua intensidade. Porque de grafismo mesmo o texto possui pouco, mas é a sinceridade e o ato de alguém dividindo uma memória contigo que fica com a gente. Uma memória que percorre possivelmente a de muitas pessoas, e para alguma delas, apenas um filme pode ser capaz de falar. Um filme em primeira pessoa.