Sou fã do diretor faz tempo - e, obviamente, sou afetado por CINEMA CONTEMPORÂNEO, em tudo o que ele representa, inclusive em termos de identificação. Quando soube que o filme teria esta continuidade, alinhada a um agrupamento histórico "anterior", fiquei curioso. Mas, dentro de minha percepção espectatorial, não entendi que tipo de arrependimento atravessaria o diretor, dado o extremo sucesso da obra prévia. Vendo o filme, compreendi o porquê, ainda que, num cotejo pessoal, a concordância não resvala na identificação anterior. Como tal, apesar de achar inventiva a sobreposição de voz e identidade do Felipe acerca de seu alter-ego (outrora apenas narrador), não gostei tanto da primeira metade deste filme: respeito e defendo a necessidade de expressão reclamante, mas não aderi tanto cinematograficamente. Até surgir o mascarado, prontamente identificado, que sapateia, confirmando a inteligência reconhecida do realizador, em sua amplitude conceitual. Imergi, gostei de como o curta-metragem avança, aproveitando de maneira astuta o espaço teatral. Ao final, continuei interrogando-me acerca do arrependimento citado (será que este novo capítulo confessional não pioraria a situação do artista que rejeita os rótulos cercadores de editais?). Cotejei o que é compartilhado pelo diretor/eu-lírico com o que eu próprio faço, às vezes, e reitero que compreendo e defendo que tudo isso seja posto para fora, de maneira tão criativa, mas senti que as desventuras listadas soam como truísmos, visto que a assimilação do Capitalismo quanto às nossas dores é atravessada pelo oportunismo que incomoda o preenchedor de planilhas de financiamentos desejados. Não seria o Felipe ingênuo ao presumir que seria diferente? Optei por dançar junto, na segunda metade. Não era o que eu esperava, mas funciona ensaisticamente. Não tanto quanto demonstração do sumo talento do profissional intencionalmente "mascarado", mas como uma metonímia fatigada e persistente. Que ele consiga alguns diretos concernentes à própria vida de volta, portanto. Sucesso para este homem que amo. Idem quanto à encantadora pessoa protagonista! (WPC>)
Sou fã do diretor faz tempo - e, obviamente, sou afetado por CINEMA CONTEMPORÂNEO, em tudo o que ele representa, inclusive em termos de identificação. Quando soube que o filme teria esta continuidade, alinhada a um agrupamento histórico "anterior", fiquei curioso. Mas, dentro de minha percepção espectatorial, não entendi que tipo de arrependimento atravessaria o diretor, dado o extremo sucesso da obra prévia. Vendo o filme, compreendi o porquê, ainda que, num cotejo pessoal, a concordância não resvala na identificação anterior. Como tal, apesar de achar inventiva a sobreposição de voz e identidade do Felipe acerca de seu alter-ego (outrora apenas narrador), não gostei tanto da primeira metade deste filme: respeito e defendo a necessidade de expressão reclamante, mas não aderi tanto cinematograficamente. Até surgir o mascarado, prontamente identificado, que sapateia, confirmando a inteligência reconhecida do realizador, em sua amplitude conceitual. Imergi, gostei de como o curta-metragem avança, aproveitando de maneira astuta o espaço teatral. Ao final, continuei interrogando-me acerca do arrependimento citado (será que este novo capítulo confessional não pioraria a situação do artista que rejeita os rótulos cercadores de editais?). Cotejei o que é compartilhado pelo diretor/eu-lírico com o que eu próprio faço, às vezes, e reitero que compreendo e defendo que tudo isso seja posto para fora, de maneira tão criativa, mas senti que as desventuras listadas soam como truísmos, visto que a assimilação do Capitalismo quanto às nossas dores é atravessada pelo oportunismo que incomoda o preenchedor de planilhas de financiamentos desejados. Não seria o Felipe ingênuo ao presumir que seria diferente? Optei por dançar junto, na segunda metade. Não era o que eu esperava, mas funciona ensaisticamente. Não tanto quanto demonstração do sumo talento do profissional intencionalmente "mascarado", mas como uma metonímia fatigada e persistente. Que ele consiga alguns diretos concernentes à própria vida de volta, portanto. Sucesso para este homem que amo. Idem quanto à encantadora pessoa protagonista! (WPC>)