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Data de lançamento
12 Nov. 2013Duração
Uma jovem garota do campo sonha em desaparecer. Ela brinca de um solitário jogo de esconde-esconde enquanto sua mãe cita trechos da bíblia e seu pai se deleita em álcool e história. Porém, logo após uma apresentação na escola, ela subitamente desaparece do carro, levando seus pais a procurá-la na floresta. Um por um, todos começam a desaparecer.
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um filme mui sensorial, com uma estética foda e só resquícios de uma narrativa. lembra uncle boonmee who can recall his past lives
Em um momento do filme, a adolescente principal está lendo “A Floresta”, livro de Edward Rutherford que conta uma história secular sobre a região de New Forrest, na Inglaterra. Em “How to Disappear Completely” também assistimos uma história secular.
Uma crendice local narra que no ano de 1600 um terremoto dizimou a região e que até hoje existe uma velha procurando por seu filho. Em outra cena, o pai da adolescente narra uma antiga história onde Deus presenteou um rei e um rainha com 13 filhos galos e é por isso que esses animais são reais, descendentes da nobreza. O galo também é associado à cor vermelha e um símbolo da passagem entre as trevas e a luminosidade, anunciando a chegada do sol.
O elemento vermelho está presente em diversos momentos do filme, como nas tripas e sangue das linguiças preparadas pela mãe ou na decoração do quarto da adolescente protagonista. E é com a morte do galo que as trevas dominam a região e as lendas se fundem em busca da redenção ao castigo imposto por Deus.
A história é assustadora, mas em nenhum momento se assemelha com os filmes de terror que estamos acostumados. Aqui, o terror é muito mais sensorial do que visual. A trilha sonora ficou a cargo de Eyedress, artista filipino que tem se destaco por trabalhar a música eletrônica de maneira sombria. Esse clima dita o ritmo do filme, e chegamos ao ápice quando uma peça escolar critica o militarismo americano, ao contar a história de um garoto assassinado por um soldado.
Com um ritmo tenso, o diretor Raya Martin trabalha o terror sem nunca precisar ser explícito. O segundo ato, com um intenso ataque satanista, consegue imprimir o medo como poucas vezes foi visto no cinema. E tudo através de um perfeito encaixe audiovisual.
Outro filme filipino presente no Olhar de Cinema, Repitilia in Suburbia, também abordou temas como o satanismo e a influência católica. Talvez seja um bom momento para vermos como as crendices populares e a própria religião podem influenciar toda uma geração.
Mesmo com um grande currículum, Raya Martin exala inexperiência em How to Disappear Completely ao tentar desenvolver uma espécie de horror experimental lírico sob a estória de uma garota acometida pelo desejo de inexistência. Entretanto, é bastante pertinente a forma como o diretor se arrisca sem medo em cada artifício estético que tenta fazer parte daquele universo da protagonista. Diluição narrativa até interessante e promissora, principalmente por Martin ter em mãos uma protagonista como poucas, mas os maneirismos visuais/sonoros soam mais como um Xavier Dolan descontrolado, do que propriamente um recurso (não) narrativo bem condensado, interferindo inevitavelmente na experiência da audiência com a essência de seu filme.